Confira o belo poema de Narcy Antonio Maldaner sobre a vinda do fogo olímpico para Erechim
O Rio Grande se alvorota
Neste princípio de julho,
Quando é forte o barulho
De um fato alardeado,
Um visitante esperado
Com visível ansiedade;
Erechim é a cidade
Que escancara a porteira,
Bem do jeito e maneira
Da gaúcha hospitalidade.
Quem será a tal visita
Que causa essa euforia!
Transformando este dia
Numa data de grandeza!
Talvez alguma princesa
Vinda de um reino distante;
Há de ser muito importante
Quem aqui bate o costado,
E vê tauras lado a lado
Como se fosse um levante!
Se não é a Chama Crioula,
Por que tanta reverência?
Acontece que a aparência
Dessa visitante fugaz,
Ostenta forte, em seu cartaz,
O mesmo significado
Do nosso fogo sagrado
Dos Festejos Farroupilhas,
Em jornadas andarilhas
Neste chão abarbarado.
É da essência do gaúcho
Cultivar a fraternidade,
E isso o deixa à vontade
Quando é preciso ouvir,
Quando a hora é de sentir
A história passando à frente,
Sugerindo, civilmente,
Como nos grandes rodeios,
A integração dos anseios
Que movem a nossa gente.
E assim fica estampada
Nossa xucra admiração,
Com respeito e atenção
Esta terra se engalana,
Vem e anda, chama cigana,
Seja a pé ou de a cavalo,
E leva como regalo
Deste pago, de inhapa,
Um ideal da gente farrapa:
Competir! Não ser vassalo!