O advogado e ex-deputado federal por 16 anos, Beto Albuquerque foi fundador da Juventude do PSB e, desde então, consolidou-se como uma das principais lideranças da sigla no RS e o país, disputando a vice-presidência da república pelos socialistas, em 2014. Neste sábado, 4, em evento no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa, em POA, ele dará a largada de sua pré-campanha ao Piratini, buscando tornar-se o primeiro governador eleito pelo PSB para administrar o Rio Grande do Sul.
Em entrevista ao Bom Dia, Beto, que também tem dois mandatos como deputado estadual e em 2018 fez mais de 1,7 milhão de votos para o Senado, antecipou algumas de suas bandeiras – com destaque à educação, prometendo, como primeiro ato de seu mandato, autorizar a modernização de todas as escolas de ensino médio do RS. Ele ainda deixa claro que só dará palanque a partidos que apoiem seu nome ao executivo gaúcho (o que vale, especialmente, para PT e PDT), além de destacar a liderança do vice-prefeito Flavio Tirello, que deve coordenar a pré-campanha e campanha na região, e apostar na eleição do vereador Ale Dal Zotto à Câmara Federal.
Com mais de 30 anos dedicados à política, Beto Albuquerque é autor de importantes leis, aprovadas durante seus mandatos como deputado federal. Entre elas, a Lei que criou o Fundo Nacional do Idoso; a Lei Pietro, que instituiu a Semana Nacional de Mobilização para Doação de Medula Óssea; além de leis que visam tornar o código de trânsito um instrumento para salvar vidas, com combate ao consumo de bebidas alcoólicas ao volante e maior rigor nas penalidades para as infrações de trânsito.
Bom Dia – Neste sábado, o Sr lança sua pré-candidatura ao governo do Estado. Quais serão suas principais bandeiras?
Beto – Minha pré-candidatura tem por objetivo que os gaúchos possam, com muita antecedência, conhecer mais de minha história, origem e compromissos com o RS. A pior coisa que existe na política é não acompanhar a vida de um candidato, elegendo-o sem conhecê-lo; e depois se arrepender. Minha principal bandeira é a educação. Não há desenvolvimento em lugar nenhum do mundo, sem educação e o RS precisa reformular a estrutura de suas escolas, modernizando-as fazendo com que o ambiente acolha professores e estudantes, com tecnologia à disposição de todos. Hoje, não fossem pais e professores, muitas das nossas escolas estariam de portas fechadas, tamanha a precarização do ensino no Estado. A escola prepara o jovem para o futuro e salva de problemas como as drogas e outros. Vamos, ainda, expandir a escola de tempo integral. Hoje, temos só 14 escolas com tempo integral. Repito: sem educação não há desenvolvimento.
Bom Dia - Depois de passar pelo parlamento, além de atuar como secretário de Estado e candidato a vice-presidente da República, por que ser candidato ao Piratini?
Beto – Minha candidatura não é um desejo pessoal. O PSB nunca governou o Estado, embora tenhamos apoiado governos; o que é diferente de ter o poder da decisão. Eu já fui 8 anos deputado estadual, 16 anos deputado federal, duas veze secretário estadual de Infraestrutura e Transportes, fui candidato a vice-presidente da República, fiz um milhão, setecentos e três mil votos para o Senado, em 2018. Sinto que estou preparado para governar os rumos do RS, e cuidar dos gaúchos e das gaúchas da melhor forma possível na saúde, educação e segurança, que são as grandes tarefas do Estado. Sei que posso fazer o que não foi feito, e continuar fazendo aquilo que está dando certo.
Bom Dia - Em termos de alianças, como o Sr imagina compor a chapa? Com quem o Sr toparia sentar para conversar - e com quem não sentaria de jeito nenhum, e por quê?
Beto – Ainda é cedo para falar de alianças. Minha meta na pré-campanha é dialogar com o trabalhador, o empresário, o jovem, os idosos, lideranças cooperativistas, homens e mulheres de todo o Estado. Vou ouvir mais do que falar, porque o político adora falar e detesta ouvir. Temos que fazer uma pré-campanha ouvindo as pessoas. Neste caminho, conforme o número de candidatos a presidente e a governador for clareando, vamos conversar com outros partidos políticos. Sou uma pessoa muito tranquila. Tenho uma posição política clara de centro-esquerda, mas respeito quem é de direita, pois entendo que o respeito deve pautar as relações. Naturalmente, nossas aproximações devem se dar com partidos do campo mais progressista – do centro e centro-esquerda – para construirmos uma aliança capaz de governar o Estado.
Bom Dia - Caso eleito governador, qual seria sua primeira ação após a posse?
Beto – Caso o eleitor gaúcho me dê essa oportunidade, meu primeiro ato será autorizar e determinar a elaboração de projetos de engenharia para reformar todas as escolas de ensino médio do RS. Todas elas, do ar-condicionado ao wi-fi, passando pelos laboratórios de robótica e de ciência, modernizando-as, porque precisamos formar jovens para o mercado de trabalho; não aquele que paga um salário mínimo, mas para aquele trabalho que paga um salário melhor e exige mais qualificação. A escola vai melhorar, é isso o que nós queremos e este será meu primeiro ato.
Bom Dia - O PSB do Alto Uruguai terá candidatos a deputado? O que lhe parece o nome do vereador Ale Dal Zotto para federal?
Beto – No Alto Uruguai nós temos diversas lideranças importantes, entre as quais o vereador Dal Zotto, a quem acompanho desde o início de sua caminhada, em Campinas do Sul, e que hoje se destaca em Erechim. É um jovem de convicções – eu gosto de quem tem convicções, mesmo que por vezes possa divergir de outros. Ele é um candidatíssimo a deputado federal, estaremos juntos e vamos apoiá-lo. Há uma excelente possibilidade de que o PSB faça 3 cadeiras na Câmara Federal, e o Ale é um dos nomes com chance de vitória.
Bom Dia - Erechim tem um vice-prefeito do PSB, Flávio Tirello. Qual será a participação do município em sua campanha, e quais seus compromissos e projetos para a região?
Beto – Tive a honra de filiar o nosso vice-prefeito Flavio Tirello no PSB. Também, acompanhei sua primeira candidatura a prefeito de Erechim. Embora jovem, ele vem evoluindo muito, e tem feito um excelente papel ao lado do prefeito Polis. Certamente, a participação do Flavio será fundamental em nossa pré-campanha e na campanha para governador em todo o Alto Uruguai. É um quadro que tenho um respeito imenso por sua qualidade, franqueza e simplicidade e pela capacidade de dialogar com todos. A nossa pré-candidatura e forma de fazer política é de respeito com todos. Não queremos guerra nem briga com ninguém, pois isso não constrói as soluções que precisamos. Devemos construir pontes e não muros. Muros nos separam, pontes nos unem – e o Tirello no Alto Uruguai é a nossa referência para coordenar todo o trabalho, que será necessário tanto agora quanto na eleição.
Bom Dia - Em termos nacionais, o Sr imagina que o PSB se alie com quem? A legenda terá candidato à presidência da República?
Beto – Nacionalmente o PSB vai tomar essa decisão ano que vem. Hoje, o partido discute a possibilidade de candidatura própria a presidente ou, ainda, apoiar Ciro Gomes ou Lula. São relações históricas que o PSB tem, sendo uma sigla de centro-esquerda, muito bem representada com mais de 30 deputados na Câmara Federal. Evidentemente, iremos, com calma e inteligência, dialogar para definirmos nosso futuro. Eu, aqui no RS, vou receber candidatos a presidente, mas tem um critério: tem que me apoiar para governador e tem que ser um candidato que acredite e defenda a democracia, respeitando quem pensa diferente, que seja tolerante e permita o diálogo, pois sem diálogo, não resolvemos nem o problema dentro de casa.