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Cultura

A revolução do bichos: obras que proporcionam uma ampliação crítica da realidade

70 anos do lançamento da obra

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Divulgação
Por Larissa Paludo - larissap@jornalbomdia.com.br

Há 70 anos do lançamento da obra, professor salienta a importância da leitura de clássicos distópicos para pensar em modelos políticos, econômicos e sociais que apesar de nunca terem existido, poderiam ocorrer em um futuro próximo

A obra literária Animal Farm, traduzida para o Brasil como A Revolução dos Bichos, do escritor britânico George Orwell, completa 70 anos em 2015. A narrativa principal é a revolta dos animais de uma granja contra os seus patrões. 

Descontentes, os bichos tomam o poder e estabelecem suas regras. Escrito durante a Segunda Guerra Mundial, o livro se tornou um clássico pela relação entre o comportamento dos animais e a crítica ao totalitarismo do sistema socialista da União Soviética. 

Para o professor e sociólogo, Ivan Dourado, a obra distópica – que constrói uma ficção negativa sobre um futuro que nunca aconteceu – se baseia na radicalização de um modelo político e econômico existente. “Animal Farm narra uma crítica à revolução dentro de um modelo socialista (mais especificamente aos descaminhos enfrentados pela Revolução Russa). Assim, Orwell apreende os elementos revolucionários e utópicos de uma ideia de igualdade, baseada na luta dos oprimidos (animais) contra seus opressores (humanos)”. 

“Após a vitória na revolução, os animais tomam o poder e expulsam os humanos da fazenda, tendo assim o controle dos meios de produção. Porém, gradativamente, os valores de igualdade original se esvaziam do sentido original, dando origem a uma nova classe opressora entre os próprios animais”, explica. 

Conforme Dourado, a crítica nos permite analisar as contradições existentes nas ideologias em diferentes países do Mundo. “É inegável que obras com A Revolução dos Bichos e 1984 – outra conhecida obra de George Orwell – nos fazem recordar e refletir sobre fatos históricos ou distópicos, o que nos ajudaria a impedir que estes se realizem no futuro. Uma espécie de ficção que nos alerta para possibilidades da emergência de novos modelos opressores”, pontua.

Crítica à comunicação

‘Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros’, essa é uma das frases icônicas de Aminal Farm. O sociólogo e professor Ivan Dourado associa a frase com uma critica em relação ao poder da comunicação. “Os porcos que idealizam a revolução, conduziram e ensinam os demais animais a pensar da mesma forma, se transformam em um tipo de liderança fortalecida por uma espécie de consenso social em que os porcos seriam superiores em relação aos demais animais (mais iguais que outros). Os meios de comunicação teriam o poder de construir e reconstruir o imaginário social, em que valores como a igualdade, que motivaram a revolução dos bichos na fazenda, foram gradativamente sendo manipulados pelos interesses de uma classe política dominante”. 

Por fim, o professor indica não só a leitura de A revolução dos Bichos, mas de outras obras distópicas, como: Laranja Mecânica, Admirável Mundo Novo, O Homem do Castelo Alto, Clube da Luta. “São a partir de obras assim, que temos acesso a uma ampliação crítica da realidade, nos permitindo pensar em modelos políticos, econômicos e sociais que apesar de nunca terem existido, poderiam ocorrer em um futuro próximo”.  

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