Na manhã de ontem, 10, acompanhei a inauguração da primeira etapa do Memorial Legislativo de Erechim. Fazia muito tempo que não participava de um evento com tanta densidade histórica, com o lançamento das galerias virtuais de ex-presidentes e ex-vereadoras de Erechim. Contou com a presença de presidentes do Legislativo erechinense, desde a década de 1970, e as mulheres vereadoras que abriram caminho para outras ingressarem na política.
Momento que engrandece a democracia
Acompanho as sessões do Legislativo desde 1998 (24 horas), e dos presentes, a maioria vi atuar, cada um com suas pautas e suas ideologias. Presenciei embates nesse período que só engrandeceram a democracia. Vi brigas e articulações de todos os tipos.
Trabalho hercúleo
Eu acredito no Legislativo como um dos principais poderes, pela responsabilidade que está em suas mãos, que é legislar e fiscalizar. Um trabalho muitas vezes hercúleo, por fazer os eleitos tomarem posição e muitas vezes contrárias a grupos que pregam o contrário. E a população, em várias oportunidades não entente esse papel, que traz equilíbrio para a sociedade.
Equilíbrio
Tem suas falhas, lógico que tem. Mas não tenho nenhuma dúvida, que entre os três poderes para dar equilíbrio para a nação – Legislativo, Executivo e Judiciário –, é o que mais representa a democracia, pois a representação é plural, como disse em seu discurso a ex-vereadora Maria Elisa Zordan Franceschi, que é o local que representa toda a sociedade, do centro ao bairro.
O legado e o desafio
A presidente do Legislativo, Ana Oliveira, é uma das idealizadoras que colocou o projeto em prática, afirma que “esse é um legado que estaremos deixando para as futuras gerações e na preservação da nossa história”. E nessa colocação da presidente, lanço aqui um desafio ao Executivo, que Erechim construa um Museu Municipal. Com 104 anos de emancipação política administrativa, está mais do que na hora de um espaço para preservar a história.
Reconstrução constante
A importância de resgatar a história e reconta-la sempre que possível, engrandece argumentos, recoloca questões antes mal contadas. É uma reconstrução constante. E o discurso do presidente mais antigo da Câmara de Vereadores de Erechim, Wilson Tonin, pontua exatamente isso.
História aos olhos
Segundo Tonin, alguns dias antes da eleição de 1976, Eloi Zanella, com 33 anos, buscava seu primeiro mandato como prefeito pela equipe Zebra. Alguns dias antes da eleição, seu vice, Sidney Guerra, faleceu. O partido então se reuniu e escolheu Altair Menegatti (já falecido), como o substituto. Foi encaminhado para a Justiça, que indeferiu. Desta forma, Eloi Zanella venceu e quando assumiu não tinha vice, função que ficou à cargo do presidente do Legislativo. O próprio Wilson Tonin, assumiu 31 vezes a condição de prefeito de 1977 a 1982 (seis anos de mandato de Zanella).
“Cresci ouvindo histórias desse local”
O vice-prefeito de Erechim, Flávio Tirello, representando o prefeito Polis, em seu pronunciamento, tinha na plateia seu pai, Luiz Tirello, que já foi presidente do Legislativo: “cresci ouvindo histórias desse local”.
Aplausos aos envolvidos
Como se vê, a cada relato, é possível aprender e enriquecer a história. E esse papel o Memorial Legislativo de Erechim já conquistou. Uma bela iniciativa, onde todos os envolvidos merecem aplausos. E que olhemos para o Legislativo, não com olhos julgadores e sim, com olhos de que nossas vidas passam por suas decisões. E isso mostra sua importância nas demandas da comunidade.