O sétimo filme da saga é lançado mundialmente e conta a história que há 32 anos despertava curiosidade nos fãs
O tão esperado dia chegou. A Força já despertou no Alto Uruguai gaúcho. A estreia mundial do sétimo filme da saga de ficção científica, Star Wars - o Despertar da Força foi a 0h da última quinta-feira (17) e emocionou gerações de fãs do Brasil inteiro. O filme é a continuação do episódio VI da franquia, Star Wars - O Retorno do Jedi, lançado em 1983. A série foi criada pelo cineasta George Lucas.
A turismóloga erechinense Midiely Pereira é uma admiradora da série e se deslocou até Passo Fundo para ver o longa em 3D na primeira sessão disponível.
O ingresso já estava comprado há dois meses, no dia posterior ao da estreia mundial do trailer. O coração começou a bater mais forte e a emoção tomar conta ainda na fila, explica a turismóloga. “Foi incrível ver todas aquelas pessoas, tão fãs quanto você, em uma região que a cultura pop ainda é bem retraída se comparada a de grandes centros. Tinha pessoas de cosplay (caracterizadas como personagens da série), numa terra que não é acostumada com isso, foi realmente muito bacana”.
Conforme Midiely, “é uma coisa que a maioria das pessoas não entende, essa paixão por sagas como Star Wars (ou Star Trek, Senhor dos Anéis, Harry Potter). Não é só um hobby, é uma válvula de escape. Uma forma de encarar o mundo e as pessoas. Muitos saem de grandes problemas como depressão, autismo, síndrome do pânico com esses amores”.
Paixão de gerações
A paixão pela saga veio quando ainda era criança, relembra Midiely. “Eu conheci Star Wars em virtude de já gostar da saga Star Trek, que eu assistia com meu pai. O primeiro filme Star Wars que eu vi foi O Império Contra-Ataca, ainda em VHS. O conflito entre o lado sombrio e da luz dentro da própria família, e a tentativa de transformar o filho, um aprendiz Jedi em um aprendiz do lado sombrio me instigou”, explica.
A turismóloga sempre foi fascinada pelo espaço e através de Star Wars fantasiava sobre galáxias olhando para o céu à noite. “Eu ficava imaginando, o que será que pode estar acontecendo em uma galáxia distante nesse momento? Cabeça de criança”, pondera.
O primeiro filme que Midiely viu no cinema foi A vingança de Sith, em 2005. “Eu fui ao cinema escondida das minhas amigas da época, pois isso seria o suicídio social na escola. Que bom que as coisas estão diferentes e é bacana hoje ver tantas meninas apaixonadas e entendendo a história, mas na minha época de pré-adolescente e adolescente, gostar disso te metia na lista dos ‘nerds’ e muitos eram excluídos. Acredito que por isso a euforia em ver que essa nova trilogia traz ainda mais a força feminina pra saga”, pondera.
Ícone da cultura pop
O professor da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC) da Universidade de Passo Fundo, Fábio Rockenbach, que também é especialista em cinema e audiovisual, escreveu um artigo sobre a saga Star Wars e sua influência na cultura pop.
Conforme ele, “antes de qualquer coisa, é preciso compreender que George Lucas não é genial por ter criado conceitos do zero, mas por ter reaproveitado uma série de referências que fizeram parte de sua vida e moldaram sua infância. Em Star Wars, Lucas realizou o sonho de filmar uma aventura espacial ao estilo de seriados como Buck Rogers e Flash Gordon e colocando em um caldeirão audiovisual todas as referências nostálgicas que habitavam sua infância.
Para garantir a realização do filme, George Lucas também fez uma proposta insólita à Fox: abria mão de parte do seu salário para garantir os direitos sobre as continuações e sobre a exploração de merchandising relacionado ao filme. Como a própria Fox não acreditava que ambos pudessem ser muito explorados, Lucas apostou praticamente toda sua vida no filme.
Quando Star Wars estreou, em maio de 77 (uma data pouco usual para um grande sucesso) o próprio Lucas mantinha-se longe, temendo pelo pior, mas o filme estourou de forma fenomenal. Arrebatadas pelos efeitos visuais fantásticos para a época, e pela junção de histórias de samurais e cavaleiros da távola redonda ambientados em mundos distantes, com sabres de luz, pistolas lasers, vilões vestidos de negro e princesas por serem resgatadas, o resultado foi um fenômeno de proporções impensáveis até então. Crianças, adolescentes e adultos voltavam ao cinema para rever o filme, e passaram a querer avidamente consumir produtos com a marca STAR WARS. Bonés, camisetas, canecas, bonecos, máscaras – Lucas começou a criar sua fortuna com a venda de produtos licenciados, ao mesmo tempo que tinha as cartas na manga para ditar regras para as inevitáveis continuações que a Fox não apenas aceitariam, mas imploraria para que ele fizesse”.
O texto completo está disponível em: https://nexjor.atavist.com/starwars#chapter-430886
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