Quem quiser concorrer a deputado estadual nas eleições de outubro, tem até o final de março para trocar de partido, ou quem não é filiado, se filiar, pois a lei diz que seis meses antes do pleito é preciso estar filiado. Posteriormente, é necessário ser referendado nas convenções que devem acontecer até o final de julho, 90 dias antes das eleições.
A gangorra
Desde o ano passado que partidos estão lançando candidatos para concorrer a deputado estadual, até para testar a popularidade dos nomes. Nesse período, alguns se fortaleceram e outros enfraqueceram. E essa gangorra vai mudar muito até os prazos limites. E muitos dos nomes postos, que eram o “REI” no tabuleiro de xadrez, podem virar “PEÃO”.
Moedor de carne
Esse processo até a definição final dos nomes, é um verdadeiro moedor de carne. Num primeiro momento, os obstáculos a serem suplantados estão dentro dos próprios partidos, com suas amarras eternas, nomes de fora. Posteriormente, o embate externo, quando iniciam ‘as falsas informações’ para denegrir reputações. E aliado a tudo isso, a diluição dos votos em centenas de candidatos que por aqui aportarão, reduz drasticamente as chances de quem não tem rede e currais eleitorais fora do Alto Uruguai.
Processo eleitoral sórdido
E tem ainda as estratégias dos partidos para enfraquecerem seus adversários políticos, tendo no horizonte, pleitos futuros. É um emaranhado de situações que, quando abrirem as urnas, mesmo não tendo vitoriosos (torço que não), a alegria fica estampada em alguns, pelo insucesso dos outros. O Alto Uruguai segue padecendo de representatividade. Mas parece que isso é um mero detalhe num processo eleitoral sórdido.
Um pacto da população
Mas temos que acreditar que é possível mudar essa situação. Já que os partidos não fazem um pacto pela região, que a população tenha essa consciência, pensando no agora e nas gerações futuras.
Artimanhas e os últimos movimentos
Alheio às artimanhas, partidos vão lançando nomes, tanto para deputado federal, como para deputado estadual. Hoje, atualizo esses nomes, por partido, com algumas características dos últimos movimentos
MDB
Enquanto o MDB bate cabeça à nível estadual, adiando escolher o nome para o Piratini – Alceu Moreira ou Gabriel Souza -, aqui em Erechim e região se discutia nomes até o final do ano, para concorrer a deputado estadual. A vereadora Ana Oliveira e Gilberto Capoani, que irá concorrer à reeleição. Ana já deu sinais que não irá e o MDB de Erechim irá apoiar Capoani. Para deputado federal, o partido na região dará guarida para vários candidatos.
Republicanos
Ernani Mello deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico em setembro do ano passado para se dedicar a sua empresa e também à candidatura. A coordenação regional do partido também está trabalhando com mais um nome no Alto Uruguai, que é o da deputada estadual Fran Somensi, que busca a reeleição e recentemente lançou um pré-candidato a deputado federal, Lineker Perret. E ainda, colocou o presidente do PTB em Erechim, José da Cruz, no gabinete da deputada e organizará a campanha dela em solo bota amarela.
Progressistas
Renan Soccol, que está em seu segundo mandato no Legislativo e é presidente dos Progressistas, se colocou à disposição para concorrer a deputado estadual. Está sentindo na pele, nas prefeituras da região, que apoiam outros nomes. Para federal, devem apoiar Sérgio Turra (Marau), que não concorre mais a deputado estadual.
PTB
Abertamente não tem nenhum pré-candidato a deputado estadual lançado. Uma ala do partido quer trazer Tiago The Police, que concorreu a prefeito em 2020, para concorrer. Mas Tiago está entre o PTB e o PL, e deve se definir em breve. Tem ainda o nome do vereador Araújo, que não se manifestou publicamente ainda, mas é uma opção.
PT
Depois de uma longa discussão interna na região, o PT buscou uma unidade entre as correntes partidárias para sair fortalecido desse processo. Primeiro escolheram o pré-candidato a deputado estadual, que será Ivar Pavan, político experiente e de vários mandatos. Nessa semana, anunciaram o nome do vereador Anacleto Zanella como pré-candidato a deputado federal, fechando uma dobradinha regional.
PSDB
O primeiro passo do PSDB de Erechim, foi filiar o diretor executivo do Santa Terezinha, Jackson Arpini para concorrer à deputado federal, e ele deve se afastar do hospital até o final de março para poder estar no pleito. Depois ingressou no governo Polis e Flávio, ocupando espaço, visando o crescimento da sigla, já que na região os tucanos possuem poucos diretórios e precisarão trabalhar para reverter esse quadro. Não devem lançar deputado estadual e apostam na dobradinha de Jackson com o deputado estadual Mateus Wesp, de Passo Fundo, que irá buscar a reeleição.
PDT
O ex-deputado Gilmar Sossella (Tapejara) sempre fez votos aqui e teve apoio do partido. Com cargo de visibilidade no Banco do Brasil (funcionário de carreira do banco), está retornando para concorrer à deputado estadual. Com a disputa interna da coordenadoria do partido no ano passado, seu candidato, Alencart Loch, saiu vitorioso, consequentemente saiu fortalecido desse processo. Não devem ter candidato a federal, mas a preferência de Sossella, é Afonso Motta, que busca a reeleição na Câmara dos Deputados
PL
O atual deputado estadual Paparico Bacchi, de São João da Urtiga, que mora em Erechim e transferiu seu título para cá, irá à reeleição. Fará dobradinha com o ex-vice-prefeito Marcos Lando, que irá concorrer para deputado federal.
Uma peculiaridade, que Tiago The Police pode se filiar no partido, tendo como padrinho, o deputado federal Sanderson, que é natural de Erechim, que está trocando o PSL pelo PL, e tem votos por aqui. Poderão ser duas dobradinhas. O PL não tem representação na Câmara de Vereadores de Erechim
PSB
O partido do vice-prefeito, Flávio Tirello, tem um pré-candidato lançado, que é o presidente da Câmara de Vereadores, Ale Dal Zotto. À princípio irá concorrer a deputado federal, mas está revendo a situação por duas questões novas. Primeiro pela possiblidade de sua colega Ana Oliveira não concorrer a deputada estadual e segundo o lançamento da pré-candidatura de Anacleto Zanella. Pode não ir para federal e buscar uma vaga na Assembleia Legislativa.
Outros partidos e possibilidades
Todos os partidos citados acima tem representação na Câmara de Vereadores de Erechim, exceto o PL. O PCdoB, que tem um vereador, ainda não se definiu na questão de candidaturas regional.
Outros partidos constituídos em Erechim, e sem representação, também estudam possiblidade de lançar nomes: Cidadania (irá apoiar a deputada estadual Any Ortiz; Democratas e PSL esperam orientações com a fusão dos dois no novo partido, o União Brasil. Tem ainda o PRTB e o PSD.
Crescimento exponencial de “PEÕES”
São vários ingredientes que envolvem o pleito eleitoral. E o modo de pensar da região, seus políticos e lideranças, nos torna uma eterna ‘fábrica’ de cabos eleitorais. E vamos aumentando o número de “PEÕES’, e a cadeira de “REI” fica cada vez mais distante, no velho pensamento retrógrado de líderes políticos que preferem aniquilar o inimigo político do que pensar na região.