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Política

O custo é muito alto de não termos representantes em Brasília

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Presidente do Rotary Clube Paiol Grande, Leonardo Onofre; Rodrigo Finardi e Névio Forcellini, após p
Por Rodrigo Finardi
Foto Hélio Corrêa da Silva

Recentemente fui convidado pelo Névio Forcellini, para participar como palestrante de uma reunião do Rotary Clube Paiol Grande, que tem como presidente Leonardo Onofre.  Foi-me solicitado que falasse sobre a importância da região Alto Uruguai ter seus representantes, já que estamos num ano eleitoral.

Dois momentos

Num primeiro momento foi abordada a redemocratização do país, a partir de 1985, com a emenda Dante Oliveira, a Constituição Federal de 1988, o número de deputados estaduais e federais. Como se deu o aumento dos partidos no país, para contextualizar o processo político histórico e mostrar o porquê o Alto Uruguai não tem representantes legítimos em Porto Alegre e em Brasília.  No segundo momento, foi aberto espaço para perguntas para dirimir dúvidas do processo eleitoral.

Atingir mais pessoas

Volto no assunto aqui na coluna, para reproduzir um pouco do que foi dito, com o objetivo de atingir mais pessoas, num tema tão importante e que não damos a atenção necessária.

Acostumados a sermos coadjuvantes

A falta de representatividade na Câmara dos Deputados em Brasília custa muito caro para o desenvolvimento do Alto Uruguai. Acostumados a sermos coadjuvantes no processo eleitoral, especialistas em sermos cabos eleitorais, assistimos pelo retrovisor como os recursos estão indo para outras regiões que tem representatividade.  

A lógica que nos coloca de joelhos

Essa lógica, que nos coloca de joelhos e quase caindo do mapa gaúcho, já que ‘aplaudimos’ migalhas, pode ser mensurada e entendida em números. No ano passado, os 31 deputados gaúchos e os três senadores tiveram de direito em emendas individuais um montante de R$ 16,3 milhões cada, totalizando mais de R$ 550 milhões.

R$ 65 milhões por parlamentar

Isso apenas em 2021 (todo ano aumenta um pouco esse valor). Usando esse número como parâmetro para um mandato de 4 anos, chega-se ao valor de mais de R$ 2,2 bilhões (em torno de R$ 65 milhões cada um). Com apenas 2% (o que é nossa economia dentro do PIB estadual), teríamos um aporte regional, por ano, de R$ 11 milhões (R$ 44 milhões por mandato de quatro anos). E jamais chegamos perto destes valores.

Os números e as migalhas

E além das emendas individuais, existem as emendas de bancadas. A bancada gaúcha composta por 31 deputados federais e 3 senadores, teve a seu dispor mais R$ 247,2 milhões em 2021, quase R$ 1 bilhão em quatro anos. Somando-se as emendas individuais e as emendas de bancada os nossos representantes tem em suas mãos quase R$ 3,2 bilhões (em quatro anos) para indicar aos 497 municípios gaúchos. Isso daria mais uns R$ 5 milhões para o Alto Uruguai (na mesma lógica de representarmos 2% do PIB gaúcho).

Desnudando a narrativa

Esses números desnudam qualquer narrativa que deputados federais de fora da região ajudam como deveriam os 32 municípios da AMAU. São casos pontuais de parlamentares realmente comprometidos. Os demais utilizam os partidos e aqueles que detém mandatos para ampliar seu curral eleitoral. O preço da emenda é o apoio político.

Discursos, visitas e fotografias

E quanto veio para o Alto Uruguai? Esse é um estudo mais detalhado por município. A pesquisa é mais completa pois tem emendas empenhadas e emendas pagas, sem contar as promessas, que muitas vezes ficam restritas aos discursos de visitas esporádicas à região ou quando prefeitos e vereadores vão para Brasília e eternizam o momento em fotografias, que serão usadas em campanhas futuras.

Os ‘mendigos de paletó’

Os eleitos despejam recursos em suas regiões de origem. E não estão errados. Deixando as ‘merrecas’ para a região, que os venera como sendo deuses. Assumimos a cada valor que chega o papel de eternos coadjuvantes no processo eleitoral. E repito o que já escrevi pela primeira vez em 2018: “somos mendigos de paletó com o pires na mão, de pires na mão de gabinete em gabinete em Brasília”.

A letargia

Mas quem são os culpados desta letargia que se encontra o Alto Uruguai, no que se refere às emendas parlamentares (individuais ou de bancada). Primeiramente e sem medo de errar, os partidos políticos e seus representantes.

O desenvolvimento em segundo plano

Usam aquela política do preço da emenda em troca de apoio eleitoral. Um pensamento que coloca o desenvolvimento regional em segundo plano. E quase sempre é assim, e estou aberto para discutir essa prática publicamente com qualquer um que pensa diferente, para expor outro ponto de vista. Mas venham com números.

Combatendo o ‘inimigo político’

Os partidos, com seus representantes que detém mandatos, saem às ruas fazerem campanha para nomes de fora da região. E quando lançam nomes que poderiam ter viabilidade, outros partidos fazem o mesmo, para evitar que o ‘inimigo político’ logre êxito, tipo “posso não ganhar, mas meu adversário também não”. Primeiro, sempre o partido e jamais a região. Temos exemplos recentes, nas eleições de 2018, que é assim que funciona na prática.

“Modus operandi” que nos espreme a cada mandato

E como mudar esse “modus operandi”, que vem nos espremendo a cada mandato, nos colocando eternamente como espectadores (coadjuvantes) e jamais como jogadores (protagonistas)? As entidades representativas e a população têm que ignorar candidaturas goela abaixo, impostas por partidos políticos. E buscar nomes regionais que possam ser nossos representantes, deixando as paixões e cores partidárias fora desse processo. Criar um sentimento, fazer um levante em prol da região.

A semente foi plantada

Nas eleições de 2018, foi plantada uma semente do voto regional em candidatos daqui. Não foi o suficiente, mas é necessário ampliar esse sentimento. O mais votado daqui foi o atual prefeito de Erechim, Paulo Alfredo Polis (MDB), que ficou na segunda suplência para deputado federal.

O negócio é inviabilizar quem pode chegar

Quando ele lançou o nome, outros partidos (olha como funciona na prática o ‘modus operandi’) correram lançar nomes para lhe diminuir as chances, já que era o nome líder das pesquisas na época. O negócio é inviabilizar quem pode chegar.

A semente precisa ser regada

Essa semente precisa ser regada e ela pode dar bons frutos. Mas para isso é necessário mudar o ‘modus operandi’. Pensar a região e não no próprio umbigo, caso contrário, encolheremos mais um pouco, permaneceremos mendigando parcos recursos e aplaudindo ‘emendinhas’, quando poderíamos ter uma fatia maior.

Situação de ‘quase abandono’

Para fechar esta análise, onde foram apresentados os números para mostrar nossa situação de ‘quase abandono’, gostaria de deixar claro que sou contra as emendas parlamentares, pois tiram a isonomia da disputa eleitoral. Defendo que o percentual do bolo tributário (pacto federativo) tenha um acréscimo no que cabe aos municípios. Desta forma, com mais recursos, conseguem atender a demanda da população, não sendo necessário a troca da emenda (compra de voto institucionalizada), por troca de apoio político.

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