Associação Bushidô fará encontros mensais em grupo de estudos com a finalidade de explorar os aspectos históricos, filosóficos, culturais, antropológicos e pedagógicos das artes marciais
Um grupo praticante de karatê em Erechim deverá se reunir mensalmente para uma iniciativa que ultrapassa a prática. Trata-se de um grupo de estudos que tem como finalidade explorar os aspectos históricos, filosóficos, culturais, antropológicos e pedagógicos das artes marciais, especialmente do karatê. O primeiro encontro será na tarde deste sábado (30).
A iniciativa surgiu na Associação Bushidô de Karatê, tendo sido idealizada pelo professor de história e praticante da arte marcial, Gerson Egas Severo e pelos sensei Marcelo Miorelli e Sidinei Zucchi, responsáveis pela associação. Conforme Severo, a proposta é rara no mundo das lutas, apesar de sempre referida como necessária. "Trata-se de algo novo na vida cultural da cidade, certamente, e que pode eventualmente crescer para além do espaço do Dojô, no mínimo para os demais dojô da cidade e da região", pontua ele.
A ideia já é de conhecimento das Federações Gaúcha e Brasileira de Karatê. Conforme o projeto, o 'Grupo de Estudos Bushidô Karatê Dojo', como é denominado, "propõe-se o objetivo de constituir um espaço de extensão que reconhece a prática como o fazer essencial do Karatê, mas que entende o pensar o fazer como algo igualmente relevante para a formação do karateca, do praticante-cidadão".
Neste contexto, "esse pensar o fazer implica não apenas explicitar em termos conceituais o significado e o sentido de todo o universo de movimentos de natureza física (e mental) que constituem a prática - o que efetivamente ocorre nos bons dojo -, mas também explorar as dimensões históricas, culturais, filosóficas, antropológicas, éticas e pedagógicas das artes marciais como um todo, das artes marciais japonesas e do karatê em especial, bem como suas conexões com os sistemas de crenças religiosas do Oriente - o que nem sempre (ou quase nunca), mesmo nos bons dojo e pelas mais variadas razões, efetivamente ocorre", esclarece Severo.
Ele enfatiza ainda que a ideia reguladora do trabalho de concepção e de elaboração do grupo de estudos é a de que "a investigação intelectual do complexo de temas que constitui o mundo do Karatê deve ser considerada não um mero 'adorno', ou simples 'curiosidade', mas, ao contrário, uma complementação dialética, quer dizer: tais elementos enriqueceriam a prática, tornando-a plena de significado cultural amplo, e a prática, por sua vez, esclarecida, enriqueceria o estudo ao conferir-lhe um espírito salutarmente pragmático, 'pé-no-chão'".
Conforme os idealizadores, o projeto do grupo de estudos projeta que o trabalho será desenvolvido em encontros mensais, sendo que cada encontro poderá ser independente em relação aos demais. O grupo terá ainda como proposta que a cada encontro alguém diferente seja responsável pela exposição de um texto lido por todos previamente e que cada um dos demais integrantes elabore pelo menos uma questão para dar continuidade à discussão. A proposta engloba inclusive a exibição de filmes que poderão embasar ou inspirar os debates.
Programação do primeiro encontro
O tema do primeiro encontro será "Karatê Shotokan: Origem e História (Parte I)", sendo que a abertura será feita por Marcelo Miorelli e a exposição do tema, por Sidinei Zucchi. O debate proposto para este sábado será "O cultivo do Karatê-Dô, bem como o desenvolvimento integral do praticante, passa pelo estudo de suas dimensões históricas, culturais, filosóficas, antropológicas, éticas e pedagógicas. Dessa forma, com a iniciativa de reflexões teóricas, de forma periódica, devemos amenizar o sentimento de que as Artes Marciais desenvolvem-se somente com o treinamento físico".