A coluna Pente Fino irá produzir uma série de matérias, contanto um pouco das eleições em Erechim, desde o ano de 1959, usando como base, dados e planilhas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Boletins escritos à mão ou datilografados
Nessa primeira matéria, serão quatro eleições municipais de 1959 até 1976. Os boletins de urnas eram escritos à mão, ou datilografados (isso até 1988). Após essa primeira matéria, todos os dias será publicado um novo conteúdo, até chegar em 2020, data da última eleição municipal.
Nostalgia e o poder em épocas distintas
O objetivo é resgatar a história em épocas distintas, e que mostra o perfil do eleitorado e as mudanças de década em década. E também é um momento de nostalgia, para relembrar quem estava no poder e comandava a maior cidade do Alto Uruguai.
1959: se votava para prefeito e vice-prefeito separadamente
Em 1959 estavam aptos a votar em Erechim, 14.918 eleitores. Compareceram ás urnas 13.927 pessoas, com uma abstenção de 6,7%, bem abaixo das eleições atuais, mostrando que a população era mais ligada à política. Uma curiosidade. O eleitor votava para prefeito e também vice-prefeito, além de vereadores.
O prefeito eleito foi José Mandelli Filho (PTB) com 8.470 votos. Venceu de Domingos Menegatti (PSD) que fez 4.616 votos. O vice-prefeito mais votado foi Pedro Alexandre Zaffari (PTB) com 6.776 votos. O segundo colocado ficou com Alderico Massigan que teve 5.975 sufrágios (PSD) e fez mais votos que o candidato à prefeito do partido.
Os 19 vereadores eleitos foram: José Wawruk (PTB); Irany Jaime Farina (PTB); Pedro Paulo Mandelli (PTB); Célio Osório Coimbra (PTB); Oscar Abal (PTB); João Carlos Pezzi (PTB); Carlos Petersen (PTB); Aristides Zambonatto (PTB); Gilso Tussi (PTB); Ítalo Rodrigues Ferreira (PTB); Dalci Eleutério dos Santos (PTB); Antonio Della Costa (PTB); Almiro Sílvio Badalotti (PTB); Antonio Pereira de Souza (PSD); Flory Lamaison Rosa (PSD); Alexandre Matté (PSD); Léo Neuls (PL); Walter Schenatto (PL); Elmerindo Strapasson (PRP).
1968 e a lista tríplice: Arena e MDB
Em 1968, época da Ditadura Militar, o Brasil tinha apenas dois partidos: Arena e MDB. Cada partido podia apresentar umalista tríplice, com três candidatos a prefeito e seu respectivo vice. Vencia as eleições o candidato que teve mais voto dentro do partido, e que a soma dos três postulantes fosse maior que o adversário.
Pela Arena concorreram: Firmino Girardello e Eolo Arioli (3.587 votos); Antonio Burin e Inácio Grzybowski (2.724 votos); Domingos Menegatti e Antonio Pereira da Silva (588 votos).
Pelo MDB concorreram: Irany Jaime Farina e Aristides Zambonatto (4.115 votos); Oscar Abal e Sérgio Macagnini (3.349 votos). O MDB só teve duas candidaturas.
Como o MDB fez 7.464 votos e a Arena 6.899, venceu as eleições. E Irany Jaime Farina, o mais votado, virou o prefeito. No boletim de urna, aparece a votação de todos os candidatos à vereador, mas não os eleitos. Desta forma, divulgo os cinco mais votados por partido.
Arena: Affonso Tacques (1.006 votos); Darcy Pagliosa (669); José João Bruch (604); Albano Frey (595); Sindney Guerra (578).
MDB: Raymundo Piccolo (639 votos); Orelio Pezzin (621); Denovaro Barbosa (535); Ney Miollo (475); Luiz Frizzo (445).
1972: MDB vence no Executivo e Arena no Legislativo
Em 1972, se inverteu comparando com 1968. A Arena colocou dois candidatos e o MDB colocou os três possíveis na lista tríplice.
A Arena concorreu com Nelson Luis Berto (prefeito) e Tobias Pereira Sobrinho (vice-prefieto) e fizeram 5.535 votos; e Juvenil Soares (prefeito) e Jorge Lisboa Goelzer (vice-prefeito), conquistando nas urnas 2.654 sufrágios.
Já o MDB colocou trê candidatos: Aristides Zambonatto e Olímpio Tormen (5.740 votos); Oscar Abal e José Mandelli Filho (1.949 votos); Raimundo Piccolo e Guilherme Barp (1.448 votos).
No total o MDB fez 9.137 votos e a Arena, 8.189 votos. E Aristes Zambonattto, o mais votado entre os três nomes do MDB foi o prefeito eleito.
A Câmara de Vereeadores neste ano, tinha 15 cadeiras a serem preenchidas. A Arena elegeu oito, ficando com a maioria e o MDB, sete vereadores. A seguir veja os nomes:
Arena: Albano Frey (1004 votos); Darcy Pagliosa (992); Ivan Zanardo (699); Natalin Dezordi (563); Ibrantino Rebello Flores (488); José Jão Bruch (435); Arno Nicolini (397); Honorino Alberto Lorenzi (377).
MDB: Orélio Pezzin (1098 votos); Luiz Frizzo (785); Giocondo Benvindo Donadel (773); Hilário Arpini (578); Luiz Aldemar Onhate (519); Gelsomino Appi (427); Antonio Rigo (409).
1976: se elegeu o segundo mais votado
Nessa eleição a Arena e o MDB colocaram três candidatos cada. E aconteceu que o mais votado não virou prefeito, pois perdeu na soma da lista tríplice dentro do partido.
A Arena concorreu com: Eloi Zanella e Sidney Guerra (6.133 votos); Eduardo Pinto e José Elvio Monbach (3.237 votos); Nelson Berto e Ivan Zanardo (2.787 votos).
O MDB tambem teve trê candidatos: Irany Jaime Farina e Darcísio José Utzig (7.763 votos); Olímpio Tormen e Celso Testa (1.180 votos) e Danton Hartmann e Ivanildo Paulo Secco (474 votos).
A Arena mesmo tendo o segundo mais votado, elegeu o prefeito, pois na soma dos três candidatos, fez mais votos que o MDB. Foi o primeiro mandato de Eloi Zanella, que posteriromente governou Erechim em mais três oportunidades.
O MDB elegeu sete vereadores: Carlinda Poletto Farina (928 votos); Moacir Tormen (649); Sérgio Maccagnini (618); Orélio Pezzin (577); Luiz Frizzo (482); Luiz Dalla Costa (448); Luiz Ademar Onhatte (369).
A Arena elegeu oito vereadores: Darcy Pagliosa (812 votos); Cláudio Grasel (615); Pedro Lorenzi (607); Ivo Nazzari (559); Wilson Tonin (499); José João Bruch (485); Maria de Lourdes Michelon (485); Altair Menegati (420).