Exposição fotográfica no espaço Cultura Viva abre programação do Outubro Rosa na URI
“O que faz de você mulher?” O questionamento, além de nomear a exposição fotográfica aberta ontem (5) no Espaço Cultura Viva, da URI, serviu de base para o trabalho da fotógrafa Bruna Todeschini. A iniciativa abre a programação do Outubro Rosa na instituição, além de chamar atenção para as reflexões que permeiam o universo feminino bem como seu papel social.
A exposição traz imagens de diversas partes de corpos de mulheres que se deixaram fotografar, despidas de qualquer sentido. Além de um corpo montado com várias destas fotos e imagens suspensas por fios, no ambiente circula um áudio com respostas das fotografadas para a pergunta que norteia o trabalho.
Na abertura da exposição, a professora Cibele Manfredini, uma das coordenadoras do projeto Outubro Rosa e Novembro Azul na URI, falou sobre o mês ser destinado a olhar a mulher além de sua importância socia. Já a diretora acadêmica da URI, Elisabete Zanin, pontuou sobre a construção social que há em torno da mulher, ressaltando que a proposta da exposição foi trazer um olhar mais sensível para o tema câncer de mama, muitas vezes limitado apenas aos aspectos científicos.
As construções em torno do corpo feminino
Ao falar de seu trabalho, Bruna reforçou a ideia de que a mulher é uma construção, destacando seu objetivo de seguir justamente o caminho oposto. “O que eu quis fazer aqui foi uma desconstrução da mulher. Porque quando se pensa na mulher, se remete à delicadeza, à maternidade, ao sexo frágil... Isso são coisas que muitas vezes são colocadas para a gente desde que somos crianças e simplesmente seguimos esse caminho sem questionar”, salienta.
A fotógrafa falou ainda da experiência de retratar as mulheres, citando suas percepções. “A mulher sempre precisa seguir um determinado padrão, não apenas em relação ao seu próprio corpo, mas em relação as suas atitudes. É uma eterna cobrança em torno dela. No período em que as fotografei, notei o quanto foi difícil para elas se despirem, serem apenas o que são”, observou, ao destacar que várias delas se desculparam por algo. “Por mais que eu tivesse deixado claro que queria mostrar a diversidade do corpo feminino, elas se desculpavam por alguma coisa, seja por uma gordura, um pelo, uma mancha..”, exemplificou, ao ressaltar o objetivo da exposição promover uma reflexão acerca da construção em torno da mulher.
A exposição pode ser visitada gratuitamente até o dia 28 de outubro das 9h às 11h e das 15h às 21h no Espaço Cultura Viva, localizado junto à URI.