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Cultura

Uma imersão na cultura da comunidade senegalesa e muçulmana

Cultura, religião e gastronomia foram a tônica das atividades desenvolvidas junto a sede do SIME

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Por Assessoria
Foto Carlos Silveira

A comunidade senegalesa de Erechim promoveu durante toda a terça-feira, 13, a edição 2025 do Grande Magal de Touba, cerimônia religiosa e cultural que celebra a memória e o legado de Cheikh Ahmadou Bamba, importante líder espiritual e servidor do Profeta Maomé.

 O evento aconteceu na sala do SIME e reuniu momentos de oração, leitura do Alcorão, apresentações culturais e refeições comunitárias, reforçando os laços de fé e união entre os participantes, uma verdadeira imersão em uma nova cultura.

 A programação iniciou com a leitura do Alcorão, seguida por declarações religiosas, orações e momentos de animação. Durante a tarde, houve as declarações de agradecimento a Deus, encerrando as atividades às 20h. Para aproximar ainda mais com a comunidade local, ao meio dia foi servido um almoço a todos os presentes.

 

 Mas o que realmente significa o evento.  O Grande Magal de Touba é um dos maiores e mais importantes eventos religiosos do mundo. Organizado pela confraria mouride — uma das principais ordens sufitas do Senegal — o Magal acontece anualmente na cidade sagrada de Touba, no dia 18 de Safar (segundo mês do calendário islâmico).

 A celebração remonta a 1928, um ano após a morte do fundador da confraria, Cheikh Ahmadou Bamba. Em 1946, a data passou a marcar o aniversário de seu exílio ao Gabão, ocorrido em 1895, compreendido como um teste espiritual e renúncia de fé.

Dimensão religiosa e social

 "Magal" vem do wolof e significa "celebrar", "homenagear" ou "engrandece", remetendo ao ato de gratidão a Deus. Ao longo das décadas, o evento cresceu e se tornou um movimento de fé que mobiliza milhões de fiéis de diversas partes do mundo — estima-se que só em 2024 mais de 6 milhões de peregrinos estiveram presentes.

Prática religiosa, hospitalidade e integração

 O Grand Magal reflete valores de tolerância, generosidade e solidariedade. Durante o evento, numerosos voluntários preparam refeições coletivas e acolhem os peregrinos. Esse espírito de hospitalidade — chamado de teranga na cultura senegalesa — reforça os vínculos comunitários dentro e fora da fé.

O evento também é uma oportunidade de afirmação identitária para a diáspora mouride: associações e grupos comunitários (dahiras) em várias cidades do mundo realizam celebrações simultâneas, conectando espiritualmente seus membros ao centro em Touba.

Relevância política e cultural

 Além do caráter religioso, o Magal revela uma crescente intersecção entre as estruturas religiosas, culturais e políticas no Senegal. A confraria mouride tem papel relevante na sociedade senegalesa, atuando também em setores como o comércio, as mídias e a educação. O evento reflete a dualidade entre tradição e modernização, especialmente no diálogo entre o Estado e as instituições religiosas.

Comunidade local

De acordo com Babu Gai - Presidente da Associação dos Muçulmanos de Erechim, o evento tem extrema importância para a comunidade senegalesa local que se encontra longe de casa, “um momento de religião e muita paz que está conectado com as atividades desenvolvidas em todo o mundo, na mesma data”.

         “Um dia para agradecer a Deus, de orar, fazer comidas, almoço e janta para que as pessoas venham e possam conhecer nossa cultura e religião. Este é um evento que colocamos nosso coração à disposição da comunidade, para darmos em retribuição tudo aquilo que recebemos nesta cidade e de sua comunidade”, aponta.

         Com relação ao fato de estarem morando em Erechim e tão longe da terra natal, Babu ressalta que se sentem muito bem recebidos pelo povo. “São muitos convidados que vem participar e vivenciar uma nova cultura”, ressalta.

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