21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Cultura

Dia do artista de teatro celebra a força da cultura e a valorização da arte cênica

Ator erechinense fala do amor de interpretar e o que isso representa para quem atua no palco

teste
RAFA 02.jpeg
Por Carlos Silveira
Foto Arquivo BD

 No dia 19 de agosto é comemorado o Dia do Artista de Teatro, uma data que homenageia todos aqueles que se dedicam à arte de representar nos palcos, traduzindo sentimentos, histórias e reflexões que atravessam gerações.

 A escolha da data está ligada ao nascimento de João Caetano (1808–1863), considerado o primeiro grande ator brasileiro e pioneiro na valorização do teatro nacional. Foi ele quem defendeu a criação de uma dramaturgia genuinamente brasileira, afastando-se da simples reprodução de modelos europeus que predominavam no século XIX.

Um breve histórico

 O teatro no Brasil remonta ao período colonial, inicialmente marcado pelas encenações religiosas trazidas pelos jesuítas. Ao longo dos séculos, tornou-se um espaço de crítica social, resistência cultural e experimentação artística. A partir de João Caetano e, mais tarde, com nomes como Procópio Ferreira, Cacilda Becker, Fernanda Montenegro e tantos outros, o palco se consolidou como lugar de reconhecimento e valorização da cultura nacional.

O que a data representa

 O Dia do Artista de Teatro é mais do que uma celebração: é um momento de reafirmar a importância da classe artística, muitas vezes marcada pela luta por espaço, reconhecimento e políticas públicas que garantam a continuidade dessa forma de expressão.

 Para os artistas, a data reforça o compromisso de manter viva uma arte que instiga a reflexão, emociona e transforma. O teatro segue sendo um espelho da sociedade e, ao mesmo tempo, um laboratório de sonhos e possibilidades.

 Em tempos em que a cultura busca constantemente seu lugar de destaque, homenagear o artista de teatro é também reconhecer que a arte cênica é fundamental para a formação crítica, estética e emocional da sociedade.

Ator Rafael Hoss “Teatro não se faz sozinho”

 “Teatro não se faz sozinho”, assim define o ator e diretor Rafael Hoss momento em que ressalta que, mesmo um monólogo precisa de um diretor, de quem escreveu o texto, de quem acende a luz, de quem cuida do som, de quem pensou no figurino, de quem auxilia na coxia. “Repito isso sempre porque é simples e verdadeiro: o teatro é coletivo por essência. Ainda assim, quando se fala em produção, quem recebe os louros é o ator, o diretor e, no máximo, o roteirista. Uma rede inteira de profissionais segue invisível, embora sem eles a peça simplesmente não existiria”.

 Hoss lembra que a lei de 1978 já reconhecia esses ofícios como profissão, ou seja, foi uma vitória jurídica importante, mas que até hoje não se converteu totalmente em respeito social. “Muitos ainda enxergam a arte como hobby, não como trabalho. Só que o teatro exige estudo, técnica, preparo. Ninguém se torna figurinista, iluminador, cenógrafo ou sonoplasta por acaso. São carreiras que pedem dedicação. A lei nos chama de profissionais, mas a sociedade ainda hesita em nos tratar como tal. E, além da falta de reconhecimento, há a instabilidade política. Hoje vivemos um momento favorável à cultura, em diferentes esferas de governo, e é justo reconhecer. Mas sabemos que no Brasil tudo pode mudar a cada eleição. O apoio público às artes já sumiu de um dia para o outro, como quando o Ministério da Cultura foi extinto”, alerta.

 Para ele viver de arte no geral é estar sempre na corda bamba, ou seja, existem períodos de bonança se alternam com abandono. “O teatro, no entanto, sobrevive. Sempre foi político no melhor sentido: um espaço de encontro, onde ideias são debatidas de forma lúdica, compreensível, sensível. Uma peça consegue traduzir questões sociais com força e humanidade. Essa é sua potência transformadora: permitir que o público entenda, sinta e reflita”.

 Em Erechim, o ator lembra que essa potência já foi muito viva pois tivemos um dos maiores festivais de teatro amador do Brasil, referência nacional. Uma cena fervente, que formou gerações. “O festival acabou, mas a memória ficou, e agora nós como setorial do teatro, estamos trabalhando para trazê-lo de volta. É um desejo coletivo reacender a chama do teatro na cidade. Falo também de um lugar pessoal. Trabalho com várias linguagens artísticas. Mas é no teatro que sinto frio na barriga. Subir no palco é encarar um medo e, ao mesmo tempo, uma cura. O aplauso de pé, a reverência ao público, são experiências que não se comparam”, garante.

 “Quando passo muito tempo sem, entro em abstinência. O palco é exigente, mas também generoso. Por isso, neste Dia do Artista de Teatro, minha reflexão é essa: celebrar o teatro é celebrar todos os trabalhadores que o constroem. É também cobrar estabilidade nas políticas públicas, para que possamos existir sem medo de desaparecer a cada governo. E é desejar que Erechim volte a se orgulhar de sua história teatral, para que possamos mais uma vez aplaudir de pé a força dessa arte que insiste em permanecer”, finaliza.

Leia também

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;