No último sábado (16), a Semana do Patrimônio de Erechim, promovida pela Secretaria de Cultura, Esporte e Economia Criativa, realizou uma atividade inédita: uma roda de conversa sobre o patrimônio cultural LGBTQIAPN+. O encontro foi conduzido pela professora doutora Marcela Alvares Maciel, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), e pelo artista Rafa Hoss, reunindo reflexões sobre memória, resistência e identidade.
Marcela apresentou um panorama histórico do movimento LGBT+ no Brasil, lembrando conquistas importantes como a legalização do casamento homoafetivo e a criminalização da homofobia. Porém, destacou uma lacuna fundamental: o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) ainda não reconhece manifestações culturais da comunidade como patrimônio imaterial. Segundo ela, essa ausência dificulta a criação de editais e leis de incentivo específicas, invisibilizando parte significativa da diversidade cultural brasileira.
Já Rafa trouxe a discussão para o contexto local de Erechim, ressaltando três eixos de memória e resistência:
- Casas de festa, vistas como espaços de encontro e expressão cultural;
- Centros de arte, que acolheram e incentivaram jovens LGBTQIAPN+ em sua criação artística;
- Educação, entendida como espaço de pertencimento e valorização social.
Ele destacou ainda a importância de registrar essas vivências, hoje preservadas quase exclusivamente pela oralidade, para que não se percam nas futuras gerações.
A roda de conversa integrou as primeiras ações de um projeto de pesquisa e extensão desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFFS, coordenado por Marcela em parceria com a pesquisadora Adriana Donato dos Reis. O projeto busca construir estratégias de reconhecimento do patrimônio LGBTQIAPN+ e ampliar sua visibilidade por meio de intervenções culturais e acadêmicas.
Com a iniciativa, a Semana do Patrimônio reforçou a importância de valorizar a pluralidade cultural, abrindo espaço para que diferentes identidades e memórias sejam reconhecidas como parte fundamental da história de Erechim e do Brasil.