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Cultura

Olhares para uma cidade não vista

Projeto de fotografia lança um olhar diferenciado sobre Erechim e seus moradores

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"Olhares que contam a 'cidade não vista' de Erechim"
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Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Exposição

Projeto de fotografia lança um olhar diferenciado sobre Erechim e seus moradores

Com seus mais de 430 quilômetros quadrados de área e cerca de 102 mil habitantes, Erechim é extensa o suficiente para abrigar uma cidade não vista. É partindo desta premissa que um projeto iniciado ainda em 2012 busca mostrar lugares e pessoas que muitas vezes passam despercebidos na chamada Capital da Amizade. Através da fotografia, a exposição intitulada "Olhares que contam a 'cidade não vista' de Erechim", tem surpreendido quem passa pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), desde a última semana.

A iniciativa foi idealizada e é coordenada pela professora de Geografia da instituição, Paula Lindo. Vinda de São Paulo em meados de 2011. "De lá pra cá vivo e observo a cidade como uma geógrafa e como uma moradora atenta ao cotidiano urbano e suas contradições", pontua. Ela explica que o projeto surgiu com uma pesquisa que buscava investigar aspectos da produção do espaço urbano de Erechim, a fim de identificar e estudar elementos da territorialidade da cidade. O estudo, segundo a professora, partia da hipótese de que a produção do espaço urbano, hoje, é também reprodução ampliada das desigualdades socioespaciais.

As fotografias que compõem a exposição, conforme Paula, são o principal produto do projeto de cultura da pesquisa. Este, por sua vez, foi desenvolvido em parceria com o professor Reginaldo Souza e os acadêmicos Alexander Zanchet do curso de Arquitetura e Urbanismo, além de Lucas Ponte e Raquel Agnes do curso de Geografia. "A cidade "não vista" possui um sentido metafórico, trata-se de uma apreensão subjetiva com interesse de estender o olhar sobre aspectos que tem uma conotação para além do centro, da cidade religiosa, do CTG, da Capital da Amizade, do traçado projetado das vias centrais. Nossa intenção é demonstrar que a cidade "não vista" é apenas uma das cidades que compõem Erechim, um pensamento que se materializa diante do nosso olhar", salienta a professora.

Percepções

A coordenadora do projeto, enfatiza que a expressão "não vista", é uma provocação para potencializar justamente um olhar mais abrangente, múltiplo, que possibilite a procura por 'outras cidades'. "O desafio é fugir dos estereótipos para atinarmos sobre temas outros e situações pouco observadas. Esperamos que o nosso olhar para a "cidade não vista" possa tornar-se um abrir de portas para um debate crítico sobre a cidade que moramos, transitamos, percebemos, sentimos, trabalhamos, consumimos, nos relacionamos e (des)construímos", enfatiza.

Neste sentido, Paula questiona: "[...] de que maneira vemos a cidade fotografada? Qual o signo que uma imagem estabelece diante dos olhos do fotógrafo e do resultado final de uma imagem para sempre congelada? Quem olha enxerga o quê? O que queremos dizer quando direcionamos nossa lente para uma pessoa, objeto, situação ou paisagem? Quais são as interpretações possíveis dos registros fotográficos? Essas paisagens simplesmente 'não são vistas' ou estão imersas em processos de invisibilização?".

Vindo de Brasília e morador de Erechim há oito meses, o estudante de Geografia, Lucas Ponte, ressalta suas percepções sobre a "cidade não vista". "Eu diria que fui guiado a fotografar por duas vertentes - uma de valorizar o verde em Erechim e toda a beleza que passa despercebida por quem anda pela cidade todos os dias, sem valorizar como a paisagem urbana da cidade é bela; e outra seria algo que deixasse implícito o crescimento da cidade, a expansão urbana, a necessidade que todos em conjunto precisam trabalhar para entender esse crescimento, aceitar e acolher de forma plena todos que vem de fora, independente de estilo de vida, do jeito de se vestir, da raça, orientação sexual. Que é a diversidade que faz a cidade prosperar e trazer um desenvolvimento melhor."

Já a estudante Raquel Agnes pontua que para as fotos, a percepção se faz na rotina, para além da cortina. “Uso a fotografia pra exercitar a memória e perceber depois com calma, detalhes que couberam no enquadramento. São olhos curiosos, dispostos a se adequar e participar. Mostrar a quem está aqui e quem acabou de chegar que o espaço é de todos que queiram somar, de cada coração que pulsa. E o nosso ainda pulsa”.

 

 

Confira algumas das imagens da exposição:

 

 

 

  

 

  

 

 

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