Três músicos, instrumentos no volume certo e letras que propõem reflexão. É assim que a Unkolor vem construindo seus primeiros passos no cenário do rock autoral em Erechim, apostando na intensidade de palco e em composições próprias para se aproximar do público.
Formada em 2025, a banda é composta por Deloan Mattos Perini (vocais e guitarra), Fábio Souza Costa (baixo) e Giulianno Olivar (bateria), a banda nasceu do desejo de transformar inquietações em música e compartilhar ideias por meio da arte. Quem conta essa trajetória é Deloan Perini, um dos integrantes do grupo. Segundo ele, o projeto surgiu da vontade de se expressar e criar algo que tivesse identidade. “A música sempre foi esse canal para a gente colocar para fora o que pensa e sente”, resume.
O nome também carrega conceito. “Unkolor” remete à ideia de “descolorir”, ou seja, remover as cores para revelar o que está por trás. A proposta dialoga com as composições da banda, que abordam questões sociais e comportamentais de forma natural. Entre os exemplos está o single “Não leve a mal”, que trata de relações tóxicas com leveza e ironia. Outra faixa, ainda a ser lançada, deve trazer uma abordagem mais reflexiva sobre padrões enraizados na sociedade.
Influências e identidade
No cenário musical, a Unkolor transita entre o pop punk e o rock alternativo, com referências nacionais e regionais. Entre as inspirações citadas por Deloan estão nomes como Raimundos, CPM 22 e Dead Fish. Do rock gaúcho, aparecem influências de Cachorro Grande, Tequila Baby e Bidê ou Balde.
Mesmo com essas referências, a banda procura manter liberdade criativa. As músicas costumam nascer de um riff, de uma letra ou de uma ideia inicial que ganha forma coletiva no estúdio. “Às vezes a gente leva uma proposta e ela muda totalmente no ensaio. Esse processo é o mais legal”, comenta Deloan.
Atualmente, o grupo conta com cinco músicas autorais e trabalha na produção de novos singles. A estratégia, neste momento, é lançar as faixas gradativamente nas plataformas digitais.
Palco, público e cena local
Nos shows, a entrega é intensa. A formação enxuta, bateria, guitarra e baixo, exige energia redobrada e interação constante com o público. A proposta é criar conexão direta, alternando repertório autoral com covers adaptados ao estilo da banda.
Como o repertório próprio ainda está em construção, os covers ajudam a compor o setlist. A escolha prioriza músicas conhecidas que dialoguem com o som da Unkolor, sempre com nova roupagem. “Nós adaptamos tudo ao nosso formato. Naturalmente já vira outra sonoridade”, explica.
As primeiras apresentações em Erechim renderam retorno positivo e ajudaram a consolidar a base de público. Para Deloan, cada show tem sido marcante dentro dessa fase inicial de descobertas.
Entre os espaços que abriram portas para a banda estão casas como o Galgo, palco do show de lançamento, Lupulando, Molotov e Peppers que passaram a incluir o grupo na programação. Para ele, esses locais são fundamentais na construção de uma cena sustentável.
Interior, desafios e oportunidades
Estar no interior do Estado traz desafios, como a menor oferta de festivais voltados à música autoral. Por outro lado, a proximidade entre artistas, público e espaços culturais favorece a criação de uma comunidade mais unida.
Deloan avalia que Erechim vive um momento de movimentação crescente, com novas bandas surgindo, produção em estúdios e maior presença nas plataformas digitais. Ele acredita que o fortalecimento de festivais e a organização de espaços adequados para shows podem contribuir para consolidar ainda mais o cenário local.
A internet também aparece como aliada. As plataformas de streaming ampliam o alcance das músicas e reduzem barreiras geográficas, permitindo que o trabalho chegue além da região.
Próximos passos
A Unkolor planeja ampliar a circulação para cidades da região e, futuramente, para outros municípios do Estado. O foco, por enquanto, está em consolidar o público local e lançar novas faixas.
O trabalho pode ser acompanhado pelo Instagram (@unkolor_banda) e nas principais plataformas digitais de streaming. Recentemente, a banda mobilizou seguidores em uma campanha para tocar na abertura do Lollapalooza, iniciativa que reforçou o engajamento da comunidade regional.
Com energia de palco, letras provocativas e espírito colaborativo, a Unkolor começa a desenhar seu espaço no rock produzido em Erechim e sinaliza que novos capítulos estão a caminho.