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Saúde

Envelhecer no Brasil revela distâncias sociais que atravessam renda, raça e gênero

Diferenças na expectativa de vida e no acesso à saúde, trabalho e direitos mostram que a velhice no país ainda é marcada por desigualdades

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Em um país marcado por desigualdades sociais e raciais, o debate sobre envelhecimento também passa p
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação IA

O envelhecimento é um processo natural e inevitável, marcado por mudanças fisiológicas, estruturais e químicas no organismo. Apesar de ser uma experiência comum a todos os seres humanos, envelhecer no Brasil está longe de acontecer da mesma forma para toda a população. Fatores como renda, raça, gênero e território influenciam diretamente a qualidade de vida e até mesmo a expectativa de vida das pessoas, revelando um país profundamente desigual também na forma de envelhecer.

Renda e expectativa de vida

A relação entre riqueza e longevidade é um dos retratos mais evidentes dessa desigualdade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2019, Santa Catarina, estado com uma das maiores rendas médias per capita do país, registrava expectativa de vida de 79,9 anos. Já no Maranhão, estado de menor renda média do Brasil, a população vivia, em média, 71,4 anos. A diferença de mais de oito anos evidencia como condições econômicas impactam diretamente a saúde e a sobrevivência da população.

Raça e envelhecimento

Além das questões econômicas, o envelhecimento no Brasil também é atravessado pela raça. Embora os levantamentos oficiais nem sempre deem destaque a esse recorte, estudos mostram que pessoas negras e pardas historicamente vivem menos do que pessoas brancas. O Relatório Anual das Desigualdades Raciais, produzido pelo Núcleo de Estudos de População da Unicamp, apontou que a população branca vive, em média, seis anos a mais do que a população negra.

Racismo estrutural e vulnerabilidade social

Especialistas apontam o racismo estrutural como fator central para a ampliação das desigualdades ao longo da vida da população negra. A falta de acesso à educação, empregos formais e serviços de saúde, somada à maior exposição à violência e à insegurança alimentar, gera impactos físicos e emocionais duradouros que afetam o envelhecimento.

Dados do estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, do IBGE, mostram que pessoas pretas e pardas dependem mais do trabalho informal e têm menos acesso à aposentadoria e renda estável. Para muitos, envelhecer ainda significa permanecer em atividades precárias para sustentar a família.

O conceito de envelhecimento ativo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) utiliza o conceito de “envelhecimento ativo” para definir uma velhice com autonomia, participação social, segurança e qualidade de vida. No entanto, essa realidade ainda está distante de grande parte da população brasileira. Em territórios periféricos e comunidades marcadas pela pobreza, faltam espaços de convivência, acesso ao lazer, mobilidade urbana e serviços públicos adequados para garantir uma velhice saudável.

Diferenças entre homens e mulheres

As diferenças também aparecem entre homens e mulheres. Segundo o IBGE, há apenas 78,8 homens para cada 100 mulheres com mais de 60 anos. Eles costumam procurar menos os serviços de saúde, se expõem mais à violência e mantêm hábitos menos saudáveis, o que reduz a expectativa de vida.
As mulheres vivem mais, mas enfrentam outros desafios: muitas chegam à velhice em situação de solidão, após viuvez ou separações, além de carregarem um histórico de desigualdade salarial e menor acesso ao mercado formal. Apesar da maior longevidade, convivem com mais limitações físicas e emocionais.

Políticas públicas para a pessoa idosa

O Brasil conta com políticas públicas importantes voltadas à população idosa, como o Estatuto da Pessoa Idosa, criado em 2003, que garante direitos nas áreas de saúde, transporte, moradia e assistência social. Apesar dos avanços, especialistas alertam que o principal desafio ainda é transformar essas garantias em realidade e preparar a sociedade para um envelhecimento com inclusão e igualdade.

Além de ampliar a expectativa de vida, assegurar uma velhice digna envolve garantir acesso à saúde, educação, trabalho, cultura, segurança e convivência social.

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