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Cultura

Autor de “CUBA HOJE” comenta sobre a obra

Vladimir Cunha Santos lançou em Porto Alegre o livro que é resultado de sua viagem de três meses pela ilha caribenha

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Vladimir Cunha Santos lançou em Porto Alegre o livro que é resultado de sua viagem de três meses pel
Por Da redação - jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Vladimir Cunha Santos lançou em Porto Alegre o livro que é resultado de sua viagem de três meses pela ilha caribenha

O escritor Vladimir Cunha Santos lançou na feira do livro de Porto Alegre seu mais recente trabalho intitulado Cuba Hoje – A atual realidade da ilha socialista das Américas. Trata-se de um livro de crônicas de sua viagem de três meses pela ilha caribenha, onde conviveu com o povo cubano, morando nas casas destes e convivendo com o cotidiano desta nação, usando ônibus, caminhão, balsas, táxis, comprando com a libreta de sua amiga, andando pelas cidades e estradas, mergulhando no mar do caribe de águas claras e limpas, pesquisando e entrevistando o povo, fotografando e filmando prédios e locais. Foram mais de 1550 fotos e 103 vídeos. Esta pesquisa resultou em um livro com 152 páginas que na verdade é um ensaio sociológico, repleto de dados, gráficos, fotos e informações atuais sobre a ilha.

Vladimir, que é jornalista, escritor e professor de Sociologia formado pela Universidade Federal do Rio Grande Do Sul (UFRGS) trata dos mais variados temas, principalmente sobre as questões da saúde, educação, segurança, habitação, economia, cultura, música, cinema, artes plásticas, literatura, esportes, liberdade, sistema eleitoral, cooperativas, produção rural e industrial, comércio exterior, organizações sociais e outras temáticas. O autor também faz um passeio literário pela rica História de Cuba, desde sua primeira povoação há 10 mil anos, passando pelos 4 séculos de dominação e colonização espanhola, até os dias de hoje.  É um livro repleto de informações atualizadas até outubro de 2016. Livro que está nas livrarias e bancas do Brasil para ser lido por todos que gostam do conhecimento. O livro também pode ser solicitado e adquirido pela internet, através da rede social Facebook/vladimircunhasantos.

Por que escolhestes Cuba para realizar este projeto de pesquisa?

Vladmir Cunha Santos: “Escolhi Cuba por ser um país único em todo nosso vasto continente Americano, a única nação que optou por um sistema socialista depois de viver aproximadamente 460 anos no sistema capitalista. Resolvi sair da zona de conforto de só absorver informações dirigidas a respeito de Cuba e ir conhecer in loco a realidade desta sociedade, como vivem, o que comem, onde dormem, o custo de vida, os salários, os meios de transporte, o trabalho, a comunicação, o dinheiro, etc, simplesmente o dia a dia dos cubanos”.

Tivestes alguma dificuldade para entrar em Cuba e realizar seu trabalho?

VCS: “Nenhuma dificuldade, muito pelo contrário. Não precisei enfrentar filas e humilhações para conseguir um visto no passaporte. O avião para Havana faz uma escala em Lima, no Peru, e lá no aeroporto peruano você consegue o seu visto para 30 dias por apenas 20 dólares americanos. Fácil, na hora de seguir viagem. Ou quem preferir ir em um consulado ou embaixada, recebe seu visto sem dificuldades e burocracias. Para renovar o visto basta ir em um escritório da Imigração e pagar 25 dólares para cada 30 dias a mais. Também tem que pagar o seguro-saúde obrigatório de 2 dólares e 50 centavos por cada dia que vais ficar na ilha, sendo o máximo de 30 dias na situação de turista, como eu estava. Lá dentro de Cuba eu andava tranquilo com minha agenda e minha câmera, apontava os preços de todos produtos que eu queria, fotografava dentro de supermercados, nunca ninguém me importunou. Somente uma vez um guarda do Ministério de Relações Internacionais pediu que eu não tirasse fotos lá dentro. Eu já havia tirado. Claro que investigações mais aprofundadas em instituições estatais precisam de autorização, mas são possíveis. Meu próximo livro sobre Cuba da atualidade vai aprofundar informações sobre temas mais específicos, como direitos humanos e índices de violência na sociedade cubana”.

Então você vai dar continuidade ao projeto Cuba Hoje com outros livros a respeito da sociedade socialista cubana?

VCS: “Com certeza sim. Pretendo estudar e pesquisar mais sobre a sociedade cubana e seus mecanismos de funcionamento e seus resultados, e também realizar pesquisas de satisfação ou não. Este trabalho demanda mais meses ou anos de pesquisa que estou projetando”.

Qual o objetivo de pesquisar e divulgar sobre Cuba?

VCS: Entre os objetivos está a apresentação da verdade para meus leitores e amigos. Infelizmente tenho lido e escutado muita mentira sobre Cuba na nossa imprensa. Uma delas é de que os cubanos passam fome e não existe nem papel higiênico na ilha, a não ser para os turistas em hotéis luxuosos. Maldosa mentira contra o povo cubano que come de tudo, desde boas frutas e saladas, até arroz, pão, macarrão, pizzas, carne de porco, de frango e de gado, sendo que carne de gado é mais cara mas têm no mercado. Eu comprava papel higiênico, pasta e escova de dente, desodorante, perfume, sabonete, tudo que precisava, em qualquer loja ou lojinha em Cuba. O cubano produz e toma um excelente café, produz açúcar e tabaco, possui indústria de móveis, roupas, refris, cervejas, eletros, ônibus, etc, e qualquer cubano ou estrangeiro pode entrar num centro comercial e comprar Nescafé ou Coca-Cola zero provenientes do México, se quiserem, ou um micro-ondas chinês por 75 dólares. O mercado é livre, basta ter dinheiro para pagar, e os cubanos trabalham muito e possuem seu dinheiro para comprar produtos caros como aparelhos de som e fone celular. Eu vi.  Outra mentira que eu lia e escutava era a de que os cubanos não são proprietários de suas casas e que todos imóveis são do governo. Mentira. Todos cubanos onde morei me mostraram as escrituras em seus nomes das casas onde moravam. E podem vender ou trocar, se desejarem, bastando fazer as transferências e pagar as taxas, como em qualquer lugar do mundo, como aqui no Brasil. Entre tantas mentiras a de que cubano não pode sair do país caiu por terra. Conheço muitos cubanos na ilha que vão mensalmente no Peru ou Equador para realizarem suas compras, são os sacoleiros que revendem suas compras para os moradores da ilha, sem problemas. Vão e voltam cheios de produtos. Obviamente têm cotas e têm que possuir passaporte que conseguem nos escritórios da Imigração. Conheci uma cubana vizinha onde eu morava em AltaHabana que vendeu seu apto de 2 dormitórios por 10 mil dólares e foi embora morar no Equador, com sua mãe e filhas. Outro jovem que conheci foi morar nos EUA e pretende levar a esposa e a filha que ficaram na ilha mas estão preparando documentos para viajar. Conheço cubanos no Brasil que visitam anualmente seus familiares na ilha e retornam ao Brasil onde trabalham em empresas privadas. Mas estas mentiras foram se desmanchando enquanto eu conhecia a realidade cubana. E desconstruir estas mentiras e tantas outras é um dos objetivos do meu trabalho de pesquisa e divulgação da verdade que vi, conheci, participei”.

E a tecnologia da comunicação em Cuba? É boa? Existe?

VCS: “Sim. Existe. A maioria das pessoas possuem telefones celulares, os computadores são comuns, a maioria dos cubanos que conheço, em especial estudantes e intelectuais, trabalhadores de escritórios e professores, têm endereços eletrônicos, sites, blogs e estão no Facebook, teclando com todo o mundo. Eu consegui minhas hospedagens com amigos do Facebook antes de chegar na ilha. Porém a conexão da internet ainda é lenta e cara, precisa ser aperfeiçoada e barateada para que a totalidade da população tenha acesso. Mesmo assim existe uma proliferação de blogueiros e centenas ou milhares de sites livres. Eu falo muito sobre este assunto no livro e nas palestras”.

Que você gostaria de dizer para nossos leitores na conclusão desta entrevista?

VCS: “Gostaria de dizer que não tenham preconceito ideológico contra uma nação que optou por um sistema socialista de sociedade. Os cubanos sabem o que querem e o que não querem. São adultos e vacinados. Têm uma trajetória Histórica invejável de superação e conquistas. Seguem progredindo economicamente e socialmente e nem a morte do maior ídolo da ilha, Fidel Castro, nem o governo de extrema direita de Trump  nos EUA, vai alterar a vida cotidiana deste povo onde tudo está planificado e passa por aprovação do parlamento cubano que possui mais deputados que o Brasil, lá são 614 e não recebem salários e mordomias. São pessoas comuns e vivem de suas profissões. E gostaria de dizer que leiam o livro Cuba Hoje, que é apenas uma pequena, mas sincera e aprofundada mostra da atual realidade da única nação realmente socialista das Américas”.

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