Salmo 41 - Na doença, tu lhe afofas a cama
Salmo 41 - Na doença, tu lhe afofas a cama
A fórmula adotada por Jesus nas frases iniciais do Sermão do Monte se encontra em vários dos Salmos, entre eles o Salmo 41: “Bem-aventurado o que acode ao necessitado, o SENHOR o livra no dia do mal” (verso 1; compare com as bem-aventuranças em Mateus 5:3-12). Com esta frase, Davi começa esse hino sobre o cuidado que Deus oferece aos fiéis, mesmo nos momentos mais difíceis da vida. A citação do verso 9 nos comentários de Jesus sobre a traição por Judas Iscariotes injeta nesse cântico um elemento messiânico (João 13:18; Mateus 26:23; Marcos 14:18-20).
Salmo 41 se divide em três partes principais.
Na primeira, Davi afirma a fidelidade de Deus para com os seus servos (versos 1 a 3). Ele vai falar ainda sobre os inimigos, mas somente depois de lembrar da grandeza e da fidelidade de Deus. Enquanto muitos pastores hoje engrandecem o nome de Satanás com sua fixação em supostas possessões demoníacas, Davi começa e termina com Deus, dando pouca atenção aos adversários. A fidelidade do servo, nesse caso, é definida por sua obediência ao segundo grande mandamento (Mateus 22:39), de amor ao próximo. A fidelidade de Deus é descrita com seis ações positivas e uma negativa. O que Deus faz para seu servo? Ele o livra, protege, preserva, faz feliz, assiste no leito de enfermidade e afofa a cama na doença. Essa última expressão, encontrada no verso 3, sugere um carinho especial de Deus para com o homem fiel. Junto com esses verbos ativos e positivos, há uma expressão negativa. O que Deus não faz? Não entrega o fiel aos seus inimigos.
Na segunda, Davi admite a realidade do seu sofrimento, focando dois aspectos principais. Por um lado, ele viu seu sofrimento como consequência dos seus pecados, e buscou a reconciliação com Deus (verso 4). Esse fato exclui uma interpretação exclusivamente messiânica do Salmo, pois Jesus nunca cometeu pecado (1 Pedro 2:21-22; Hebreus 4:15). Mas Davi pecou, e reconheceu a justiça do castigo que recebeu. Mesmo assim, ele não queria que sua enfermidade fosse motivo de exaltação e triunfo dos seus inimigos (versos 5 a 9). Davi sugere uma distinção que fica clara em vários trechos das Escrituras. Embora o sofrimento nem sempre venha como resultado do pecado do sofredor, Deus disciplina seus filhos, sim (Hebreus 12:4-11). Mas a disciplina não tem o intuito de destruir o filho que errou, nem de justificar a vingança dos seus inimigos. Foi nesse sentido que Davi pediu livramento daqueles que falavam mal dele e desejavam que o sofrimento aumentasse.
Enquanto Davi fala dos seus inimigos, ele comenta sobre a parte da história mais difícil de encarar: a traição por um amigo íntimo. Na experiência de Davi, houve vários casos que se enquadrariam nessa linguagem, envolvendo familiares, ministros no seu governo e pessoas que recebiam sua proteção. Suas palavras foram empregadas por Jesus para explicar o papel de Judas em entregá-lo aos judeus. Davi escreveu: “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar” (verso 9).
A terceira parte do Salmo mostra a confiança do Salmista na justiça de Deus, palavras que podem ser facilmente aplicadas à vitória de Jesus sobre seus adversários na sua ressurreição e ascensão à presença do Pai. Davi escreveu: “Tu, porém, SENHOR, compadece-te de mime levanta-me, para que eu lhes pague segundo merecem. Com isto conheço que tu te agradas de mim:em não triunfar contra mim o meu inimigo. Quanto a mim, tu me susténs na minha integridadee me pões à tua presença para sempre” (versos 10 a 12).
O último verso do Salmo encerra o primeiro de cinco livros, as divisões maiores desse hinário, como uma doxologia (palavra de glória): “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, da eternidade para a eternidade! Amém e amém!” (verso 13; comparar com as doxologias no fim dos outros livros (Salmos 72:18-19; 89:52; 106:48; 150:1-6).
O livramento de Davi foi um vislumbre da vitória de Jesus, que venceu seus inimigos e “...publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Colossenses 2:15). Pedro disse que Deus ressuscitou Jesus, “...rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela” (Atos 2:24). Jesus venceu!