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Especial

“É meu dever garantir e ampliar conquistas ressaltando a importância da luta feminista”

“Ainda vivemos em uma sociedade machista, de certa forma cultural e só será possível desconstruir is
Por Rodrigo Finardi
Foto Divulgação

A vereadora Sandra Picoli, está em seu primeiro mandato na Câmara de Vereadores de Erechim. Nessa entrevista mostra quem ela é, e principalmente como pensa. Para ele o dia 8 de março é para homenagear as mulheres, mas também para reforçar compromissos, pois tem muito que ser feito ainda.

Como definir Sandra Picoli?

Sandra Picoli: As pessoas me perguntam de onde eu vim? Como chegou aqui?  Quem é a Sandra? Pois bem... eu respondo que a Sandra é uma mulher comum, trabalhadora, que nasceu e viveu até os 15 anos na agricultura familiar, empregada doméstica que exercia outras atividades para complementar a renda e completamente fora dos padrões de beleza impostos pela sociedade. Perfil este que retrata a realidade da maioria das mulheres.

 

Mas isso não impediu sua atuação?

Sandra Picoli: Porém eu nunca deixei de participar e ocupar espaços de liderança, por mais “insignificante” que seja, nós devemos ocupar os espaços que vai desde a presidência da turma do colegial ou a liderança de um grupo organizado, da comunidade, do CPM da escola até os mais elevados. Fui construindo minha história e minha identidade.

 

E o apoio do família?

Sandra Picoli: Minha mãe sempre me incentivou a buscar minha independência financeira, porque ela é de um tempo que as mulheres agricultoras não tinham poder de decisão sobre a renda e eram muito submissas aos maridos. Infelizmente essa ainda é a realidade de muitas, principalmente no campo e nas periferias e o grande desafio é estender a mão a estas mulheres e "libertá-las." Para isso nós precisamos de políticas públicas. Não há empoderamento sem oportunidade, educação, capacitação, emprego, creche, acesso à saúde...

 

A mulher ainda é vista como “propriedade do homem”?

Sandra Picoli: O primeiro grande passo para se desvencilhar de um relacionamento abusivo é ter independência financeira, se sentir segura para garantir o próprio sustento e dos filhos. No Brasil tivemos alguns avanços significativos mas o número de feminicídios cresceu assustadoramente nos últimos dois anos, mostrando que a mulher ainda é vista como “propriedade do homem”. Ainda vivemos em uma sociedade machista, de certa forma cultural e só será possível desconstruir isso através da educação. Precisamos educar nossas crianças para a igualdade, para que a cooperação do marido nas tarefas do lar não seja tratado como um favor, mas como uma responsabilidade enquanto casal, enquanto pai e mãe.

 

Para ampliar os direitos das mulheres é preciso de muita força de quem está do nosso lado?

Sandra Picoli: Cabe aqui uma menção ao meu esposo, a aceitação e colaboração dele é fundamental para que eu possa exercer meu mandato com tranquilidade e sei que muitas outras mulheres poderiam estar atuando nos espaços se houvesse esse entendimento e essa compreensão por parte dos seus companheiros. Vale ressaltar que se hoje estou ocupando um espaço importante de representação, só é possível graças às mulheres que historicamente lutaram pela igualdade e é meu dever garantir e ampliar essas conquistas ressaltando a importância da luta feminista, sem extremismos, fundamental na ampliação dos direitos das mulheres.

 

Dia 8 de março é para homenagear a mulher ou reforçar compromissos?

Sandra Picoli: Não queremos deixar de ser mulher, mãe, dona de casa... mas também não queremos que isso nos mate, nos agrida, nos impeça de atuar na sociedade, trabalhar, ocupar espaços importantes e colaborar com a construção de uma sociedade mais humana, justa e igualitária. Que este 08 de março seja um dia de não apenas homenagear, mas de firmar o compromisso de honrar àquelas que morreram e continuar lutando por nossos direitos. Parabéns mulheres.

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