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Especial

A delegada que comanda 27 Delegacias de Polícia na região

Delegada Diana
Por Alan Dias
Foto Divulgação

Em outubro de 2016 a delegada Diana Casarin Zanatta assumiu interinamente a 11ª Delegacia de Polícia Regional do Interior quando o então delegado titular, Gerson Cavedine Fraga, se aposentou. Pela primeira vez na região, policiais civis de 27 delegacias passavam a ser comandados por uma mulher.

O trabalho desenvolvido por Diana, que há sete anos estava à frente da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), chamou atenção da cúpula de segurança no Estado e em 07 de março de 2017 ela foi efetivada no cargo. Na época, o então Chefe de Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Emerson Wendt, disse que a escolha aconteceu devido a delegada “ter um perfil de conciliadora, de olhar para a frente e criar possibilidades de soluções que antes não eram notadas”.

A delegada é natural de Nonoai, mas se considera com “dupla cidadania”. “Embora seja nonoaiense, me sinto erechinense também”. A delegada graduou-se em Direito, em janeiro de 1998, pela Universidade Federal de Santa Maria, e no mesmo ano cursou pós-graduação. “Nos anos seguintes, exerci a profissão de advogada. Com meu pai, também advogado, atuei em diversos municípios do RS e de SC. Residi também em Porto Alegre, trabalhando na advocacia e realizando cursos de aperfeiçoamento, até que ingressei na Polícia Civil do RS, em 2004, após ter sido aprovada no concurso público para o cargo de Delegada de Polícia e ter frequentado o Curso de Formação para Delegados de Polícia, na Acadepol, em Porto Alegre”.

A primeira lotação como delegada de Polícia Civil foi na Delegacia de Polícia de Marcelino Ramos, quando respondia também pelas DPs de Maximiliano de Almeida e Machadinho. “Permaneci naquele órgão policial até maio de 2009, quando tomei posse como a primeira titular da Delegacia de Polícia Especializada no Atendimento à Mulher de Erechim, inaugurada na mesma ocasião”.

Nos três primeiros anos, enquanto estava na fase do estágio probatório, participou ainda de reforços em Tramandaí e Torres, durante a Operação Verão. “Faço o registro porque, para mim, foi de grande aprendizado ter trabalhado em tais locais. Devo muito aos competentes policiais que trabalharam comigo durante os primeiros anos, aprendi muito com eles”.

Paralelamente com a carreira como delegada, Diana desenvolveu outra, como professora de Ensino Superior. Em março de 2010, quando já residia em Erechim, foi contratada emergencialmente, como professora de Direito Penal, no curso de Direito da URI – Erechim e no mesmo ano foi aprovada em seleção de docentes, assumindo definitivamente a função de professora na instituição. Na carreira, frequentou o Mestrado em Direito da URI, campus de Santo Ângelo, até 2015.

Confira a seguir um bate-papo rápido com a delegada.

 

Jornal Bom Dia - Quais motivos a levaram escolher a carreira policial?

Delegada Diana - A escolha pela carreira de delegada de Polícia Civil surgiu enquanto era advogada, observando o dia a dia da profissão, convivendo com profissionais competentes e inspiradores, que hoje são meus colegas. Além disso, influenciou também o exemplo da minha mãe, que sempre fez a diferença na vida de muitas pessoas, trabalhando há mais de 25 anos, como voluntária na APAE e, fazer a diferença na vida das pessoas, é o que a Polícia Civil procura fazer todos os dias...

 

JBD - Comente sobre as promoções, tais como titular da Delegacia da Mulher e atualmente Delegada Regional. Como foi receber os convites?

DD - A carreira de Delegado de Polícia, no RS, é dividida em quatro classes. O ingresso se dá como Delegado de Polícia de 1ª classe e as promoções vão ocorrendo, ao longo da carreira, até a quarta classe, por antiguidade e merecimento. Quando assumi a DEAM, era Delegada de Polícia de 2ª classe, por antiguidade. O convite para ser titular da DEAM de Erechim partiu do então delegado de Polícia Regional, Olinto Gimenes, em 2008. Na época, soube que a DEAM era uma reivindicação da sociedade erechinense, o que aumentou ainda mais minha responsabilidade. Fui promovida para 3ª classe, por merecimento, em 2013, pelo então Chefe de Polícia, Ranolfo Vieira Junior, atual vice-governador do RS. O convite para a 11ª DPRI veio em 2016, pelo então Chefe de Polícia Emerson Wendt, responsável pela minha promoção à 4ª classe, também por merecimento, em 2018.

 

JBD - Em paralelo ao aspecto profissional, como procura equilibrar seu dia a dia fora da delegacia?

DD - Sempre dividi e continuo dividindo enormes responsabilidades: de um lado, ser gestora da instituição Polícia Civil, na 11ª DPRI, em Erechim, com todas as implicações que daí advém; de outro, ser professora do curso de Direito da URI e co-responsável pela formação profissional de tantos e tantos jovens, ao longo de quase 10 anos de carreira. Mas, a mais importante de todas as responsabilidades que tenho é ser mãe e esposa, pois a família é o que tenho de mais caro. Por isso, divido o pouco, porém valioso, tempo livre do qual disponho curtindo minha família, meus amigos e meus cães.

 

JBD - Como é liderar equipes na área da segurança?

DD- É uma grande responsabilidade liderar pessoas, em uma área tão sensível como é a área da segurança pública. Se a sociedade deposita sobre a Polícia Civil suas melhores expectativas, os servidores da Polícia Civil também depositam todas as suas expectativas sobre a gestão. Em tempos de crise no Estado, não é fácil, às vezes, não tenho para oferecer aos servidores tudo o que merecem, mesmo assim, tenho certeza de que todos, homens e mulheres, que fazem parte da Polícia Civil da 11ª RP, dão o seu melhor, mesmo quando as condições de trabalho não são as melhores.

Valorizamos todos os dias a nossa função, considerando-a essencial e cada dia mais importante. Temos o reconhecimento da sociedade de Erechim e região e isso nos incentiva e nos faz acreditar no que fizemos. Por isso mesmo, considero que o relacionamento com os colegas é tranquilo, de respeito e cooperação.

 

JBD - Cite os principais desafios que já enfrentou em suas profissões?

DD - Desde que me formei, em Santa Maria, considero ter enfrentado diversos desafios. Enquanto advogada, jamais esqueço da primeira defesa oral, numa sessão do Tribunal de Justiça de SC, em Florianópolis, num caso que envolvia erro médico. Depois, vieram os concursos e suas intrínsecas dificuldades, até a aprovação, em 2004. De lá para cá, às vezes, fatos envolvendo Delegacias de Polícia pequenas, pelas quais já respondi, trouxeram grandes desafios. Uma investigação que marcou minha passagem pela DP de Viadutos, foi a que ficou conhecida como “o caso dos bombons”, em 2014, quando um indivíduo enviou bombons envenenados para uma ex-namorada e acabou matando um pai de família.

Na DEAM, inúmeros foram os casos marcantes, em especial, de estupros envolvendo pais e filhas. Um dos casos que jamais esquecerei foi um estupro cometido por um pai contra duas filhas, ambas ainda muito crianças. Uma delas engravidou, nascendo um bebê com muitos problemas decorrentes de má formação genética. Durante os muitos anos de DEAM, vi mulheres que não tinham para onde ir, algumas que passaram a noite no plantão policial, vi muitas mulheres absolutamente vulneráveis, frágeis demais para tomar qualquer decisão por elas próprias... também vi mulheres guerreiras e fortes, dentre elas, as próprias policiais!

 

JBD - Qual sua opinião sobre o reconhecimento das mulheres em cargos de chefia atualmente?

DD - Vejo com muito orgulho o atual reconhecimento das mulheres em cargos de chefia. Na Polícia Civil, por exemplo, a atual Chefe de Polícia, Nadine Farias Anflor, em 177 anos de história, é a primeira mulher a chefiar a instituição. Ela é minha colega de turma, ingressou na Polícia Civil também em 2004 e, desde aquela época, já se destacava por seu carisma e capacidade de liderança.

Ao mesmo tempo, vejo com naturalidade a ascensão feminina, pois as mulheres que têm ocupado esses espaços de protagonismo, o fazem por talento e competência e não pelo simples fato de serem mulheres.

 

JBD - Deixe uma mensagem para todas as mulheres neste dia especial a elas.

DD - A minha mensagem para todas as mulheres, neste dia, é bem simples e direta: acreditem, lugar de mulher é onde ela quiser!

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