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Opinião

Cooperativismo e suas origens

Alcides Stumpf
Por Alcides Mandelli Stumpf
Foto Rodrigo Finardi

As origens do cooperativismo se confundem com as origens da humanidade. Certamente, sem ações solidárias entre seres humanos não haveria condições de sobrevivência dessa espécie tão frágil.

Bem mais tarde, com a evolução dos tempos e das disparidades nas relações envolvendo capital e trabalho, o cooperativismo, por meio de pessoas inconformadas com as diferenças geradas pela Revolução Industrial, na Europa, nos séculos XVIII e XIX, encontrou precursores teóricos que aspiravam uma sociedade fraterna e ideal.

Obras como “A república” de Platão, “Utopia” de Tomas Morus, “Cidade do Sol” de Tomás Campanella e “Nova Atlântida” de Francisco Bacon, serviram de referências inspiradoras, e de algum modo, influenciaram os chamados pensadores socialistas utópicos, precursores do cooperativismo.

Cabe citar, entre os utópicos, os ingleses Hohn Bellers, Robert Owen e Willian King; além dos franceses Charles Fourier e Louis Blanc (espanhol que viveu na França) e o Belga Felipe Buchez, grandes mentes que prepararam o terreno e lançaram as primeiras sementes do atual sistema. Entre outras ideias, defendiam a posse comunitária dos meios de produção pelos trabalhadores organizados em cooperativas.

Seus ideais compreendiam a busca da justiça, paz, ordem, felicidade e bem-estar coletivo, em detrimento às abismais diferenças sociais.

Porém o cooperativismo moderno, como conhecemos hoje, nasceu mesmo na Inglaterra, no século XIX. Naquele período, iniciava no mundo desenvolvido uma realidade mercantilista norteada pelo pensamento dos filósofos Newton e Descartes, que induziam todos a uma forma de relações ordenadas, como se as pessoas fossem engrenagens, voltadas principalmente à produção. A partir daí, consequentemente, adveio a divisão do trabalho de forma reducionista, influenciando deste modo, praticamente todas as atividades produtivas.

A partir daquele período histórico o mundo deixava de ser um grande aglomerado de imaginações singelas e atividades artesanais, e passava a constituir uma grande máquina impiedosa, que esmagava as relações humanas, ao priorizar o resultado. Émile Zola retrata de forma magistral as condições de vida dos mineiros de carvão, do norte da França, naquela época, em seu grande romance Germinal. Surge, desta forma, o sistema capitalista – que até hoje alguns insistem em chamar de “capitalismo selvagem”.

Foi justamente nesse tempo e nesse meio que nasceu o cooperativismo, ao se apresentar como uma alternativa de organização econômica mais justa. Entre seus princípios basilares estavam democratização da gestão e distribuição dos bens de produção. Voltada à geração de renda, a nova proposta tinha como objetivo maior a humanização das relações entre capital e trabalho.

Solidariedade, democracia, distribuição de benefícios e resultados econômicos são pressupostos básicos do verdadeiro cooperativismo.

Portanto, faz-se necessário a todos que os que participam do movimento cooperativista conhecer os princípios, missão, visão e valores da sua cooperativa, e as executem na prática diária. Originado das dificuldades do passado, o Cooperativismo se apresenta como grande alternativa de economia solidária para o futuro.

 

Médico e Membro da Academia Erechinense de Letras

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