14°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 6,65 Dólar R$ 5,61
0°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 6,65 Dólar R$ 5,61

Publicidade

Opinião

Os ideais de Montesquieu e a perversidade humana

Marcos Vinicius Simon Leite
Por Marcos Vinicius Simon Leite
Foto Divulgação

Quem nunca se perguntou, de onde vem a formulação política das nações? Pois bem, boa parte delas surgiu das ideias de um nobre filósofo francês, Charles Louis de Secondat, mais conhecido como Montesquieu (1689 – 1755).

Político, filósofo, iluminista, rompeu barreiras numa época em que a monarquia e outros regimes políticos davam as cartas na organização social dos povos. Foi, portanto, um importante crítico da monarquia absolutista e do clero católico.

Em suas ideias, Montesquieu estabeleceu teorias importantes, como a da separação dos poderes (executivo, legislativo e judiciário) e as formas de governo (república, monarquia e despotismo).

Com enorme vanguarda para sua época, o pensador considerava que o comportamento dos indivíduos era determinado por princípios, de acordo com o sistema político adotado. Assim, defendia que a liberdade política dependeria da separação dos poderes e de um conjunto de leis capazes a garantir a segurança individual e coletiva, onde a liberdade de pensamento, expressão e associação, além da eliminação da escravidão, seriam os elementos fundamentais deste conjunto.

Portanto, lá se vão mais de 250 anos desde o surgimento dessas fortes bases filosóficas. Entretanto, os avanços sociais, especialmente no Brasil, parecem antagônicos diante do sistema político brasileiro. Quando criança, tinha enormes dificuldades de entender porque existiam partidos políticos.

Na época, a maneira que encontrava para entender, era compará-los a times de futebol. Tinha os vermelhos, os azuis, os verdes, os coloridos. E assim ficava mais fácil. Porém, o que me era mais difícil entender eram os termos “situação e oposição”. Ora, se ambos queriam o bem comum, porque haveriam de divergir?

O tempo passou e a vida me mostrou que nem sempre é o bem comum que move a política. Com isso, os ideais quase que românticos da bela arte da política, acabam servindo apenas de fachada para que pessoas interessadas em poder e controle possam locupletar-se e alimentar seus famintos egos.

Afinal, como dizem, na política, consenso é exceção e dissenso regra. Nas palavras de Ulysses Guimarães, na política até a raiva é combinada, enquanto Nereu Ramos dizia que a política é a arte de engolir sapos.

Seja como for, as eleições municipais se aproximam e, com efeito, o bom senso passa a ter sua elasticidade posta à prova. Especialmente em nossa região, onde existem muitos municípios pequenos, os ânimos ficam mais acirrados, criando um ambiente perfeito para a maldade, para mentira e para os espíritos de porco, verdadeiros cabos eleitorais de falsos políticos.

 Homens de poucas ideias, de muita conversa, e quase nenhum senso de responsabilidade social, ressurgem em embalagens recauchutadas, em busca de seus próprios ideais.

Enfim, nos resta pensar que nos últimos 250 anos, nenhum outro sistema político surgiu. Entretanto, ao que nos parece, houve sim uma sensível involução dos agentes políticos, cada vez mais parecidos com os inquisidores, com os senhores feudais e com os antigos mandatários do poder, que não raramente usavam da força e do constrangimento para atingirem seus ideais, porque não dizer, maquiavélicos, onde os fins justificam os meios.

Infelizmente, esse regime velado acaba por interferir no comportamento dos indivíduos que, ao seguirem esses tipos de políticos, acabam por ser escravos, vez que não conhecem o verdadeiro sentido da palavra liberdade. Parece até o hino do Rio Grande.

Publicidade

Blog dos Colunistas