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Opinião

O Sapateiro de Bruxelas: Cócegas e Maturidade

Alcides Mandelli Stumpf
Por Alcides Mandelli Stumpf
Foto Rodrigo Finardi

O Sapateiro de Bruxelas, em lugar incerto e não sabido, mantém isolamento social recomendado à sua faixa etária, no decorrer da pandemia. Embora seja atleta e esteja em plena forma e vigor físico e mental, além dos outros vigores darem perfeitamente pro gasto, como recentemente adentrou a idade octogenária, prefere manter-se solitário e afastado do vírus chinês. No entanto, é certo que alguns amigos e maledicentes de sempre duvidem e até apostem na inverdade de seu atual estado celibatário. Mas tais comentários insignificantes, ficam para outro dia. De qualquer forma, segue o artesão com suas lives semanais abordando os mais variados temas.

Depois de transitar por ciências diversas como literatura, epidemiologia, zoologia, esoterismo e escambau, o mestre se debruça sobre assuntos mais sensitivos ou somáticos - interessantíssimos ao seu entender-, tais como cócegas e risos.

Segundo definição do artífice, cócega é uma reação primitiva, particular e intrasferível que pode ser irritante ou agradável, a depender da situação da vítima, do executor ou executora. Tal reação provoca movimentos espasmódicos e em geral riso incontrolado. A popular cosca, geralmente é produzida por leve roçar ou repetidos toques ou fricções suaves, em determinados pontos do corpo.

E continua: assim como os animais, os humanos reagem instintivamente no intuito de se livrar daquilo que lhes causa incômodo ou - em certos casos e ocasiões específicas-, aceitar e até prolongar a submissão que pode evoluir para demoradas carícias.

Explica o douto belga: - Nosso corpo tem terminações nervosas que são receptores de sensibilidade boas ou más, delícias ou dores. As vias neuro-sensitivas por onde transitam os sofrimentos, são as mesmas das cócegas e até dos bons arrepios.

Por outra, alguns cientistas acreditam que o riso causado por cócegas é um reflexo instintivo e absolutamente primordial. Desse modo, dependendo do evento e dos envolvidos, as cócegas também podem estar associadas a sensações eróticas – aprofunda o estudioso dos fenômenos psicossomáticos e amorosos.

E a sapiência do calceteiro chega a detalhes anatômicos surpreendentes quando afirma que o corpo humano tem mais de quatrocentas zonas cosquentas ou erógenas, que ao serem tocadas causam alegria ou excitação. O arrepio, como dito acima, pode ser uma reação de defesa ou medo, mas também pode estar associado ao desejo. Tudo vai depender de como o cérebro de cada um ou cada uma interpretar a sequência de estímulos prévios – explica o estudioso de fisiologia.

E diz mais: além de trazer aquela sensação de bem-estar que todo mundo conhece e que dispensa maiores delongas, o riso é um grande aliado da saúde: previne diversas doenças - especialmente as coronarianas -, além de auxiliar o organismo a cumprir as suas funções diuturnas e principalmente noturnas – assegura o artesão.

 

Ainda revela que pesquisadores australianos e neozelandeses observaram que o riso e as cócegas, podem ajudar na melhora da hipertensão arterial; pois o ato de sorrir relaxa os vasos sanguíneos e faz com que a circulação aconteça mais livremente.

Também afirma o mestre, embasado em farto material científico e consolidados conhecimentos práticos, que durante uma boa gargalhada, os níveis de cortisol e adrenalina baixam muito e reduzem a sensação de estresse. A par das benéficas mudanças, o cérebro passa a produzir endorfina, hormônio que deixa as pessoas mais relaxadas, felizes, lindas leves soltas.

Todas essas alterações endócrinas contribuem com o sistema imunológico, que estimulado, reforça as defesas do organismo. Desse modo, os cosquentos e risonhos praticamente ficam blindados a doenças infectocontagiosas, como a Covid-19. Mas é melhor não arriscar – orienta o calceteiro.

E acrescenta: uma boa “gaitada”, forte, sonora e prolongada, exercita o diafragma, contrai o abdome e trabalha a musculatura dos ombros, além de queimar três a quatro calorias; cem risadas equivalem a quinze minutos de bicicleta ergométrica – estima o sábio.

Rir, além de limpar os pulmões, melhorara a digestão, pois promove movimentos diafragmáticos que fazem uma espécie de massagem propositiva no sistema gastrointestinal - completa o bruxelense.

Para quem gosta de números, o Sapateiro calcula que pessoas normais, saudáveis e felizes riem de cem a quatrocentas vezes por dia. A média dá cerca de dois mil e oitocentos risos semanais e cento e quarenta mil risos anuais. Reforça ainda que os bobos alegres geralmente estão fora da curva, pois costumam rir mais que a média.

Por último, reforça que cientistas descobriram que o riso é contagioso. O som da alegria é percebido de longe pelo cérebro saudável, que por sua vez, está sempre disposto a diversões. Também está cientificamente comprovado que mulheres riem mais que os homens – principalmente quando estão reunidas entre si. Assim fica comprovado de forma lógica e sexual que o riso melhora a agilidade, a criatividade e a memória.

O Sapateiro de Bruxelas aproveita para informar aos seus amigos e parceiros, que atualmente tem se divertido e rido muito, inclusive com a campanha eleitoral vigente e grosserias gratuitas paralelas. Diz ainda que política e grossura – com a doce maturidade alcançada - causam-lhe imensas e deliciosas cócegas mentais, bem diferente das dores de cabeça, rancores ou indiferenças que curtia no passado.

Como entendido em zoologia, encerra a live, informando que no mundo animal, hienas realmente riem, mas não por causa de coisas engraçadas. Elas riem quando estão no cio anual ou quando estão à espreita de alguma vítima. Quanto as antas, há fortes indícios e suspeitas inquestionáveis, que insensíveis, não apreciam cócegas ou carícias.

Assim, aconselha aos amigos e amigas, total recato e atenção ante certas fisionomias ilustres, matreiras e dissimuladas que transitam pelas mídias sociais nesses tempos bicudos - especialmente no face book. A vida não está fácil para ninguém, e seria deveras lastimável ser atropelado, mesmo que virtualmente, por qualquer dessas figuras sorrateiras que vagam na internet a procura de encrenca, discórdia e infelicidade alheia – avisa o velho belga.

Finalmente deseja saúde, cócegas e risos a todos. Enigmático, se despede da turma do cafezinho ao citar Nietzsche: O que é o macaco para o homem? Uma risada ou uma dolorosa vergonha.

 

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