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Opinião

O legado de Getúlio Vargas

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Marcos Leite
Por Marcos Vinicius Simon Leite
Foto Divulgação

Ano que vem, novamente, teremos as eleições presidenciais e, quase mais importante, a renovação do Congresso. E quem há 20 anos pensava que 2022 poderia ser diferente, está novamente diante dos mesmos dilemas políticos e, talvez, até pior. Quais são as opções? O que mudou desde o suicídio de Vargas?

Há 32 anos, depois de passarmos por um período de exceção, para não fugir à regra de subserviência latino-americana, a democracia teve novamente lugar em nosso país. Desde então tivemos muitos avanços, tanto em governos de um viés quanto de outro. Mas uma coisa é fato: a política brasileira não caminha, se arrasta, rasteja, sorrateiramente, e já faz bastante tempo.

Revendo o filme Getúlio, que conta a história dos últimos dias desse polêmico e icônico presidente brasileiro, nos deparamos com cenas que ainda permanecem no dia a dia dos brasileiros. De um lado, um governo que já foi ditador, mas que, eleito democraticamente se vê acusado de falcatruas. Do outro, a ação contundente da mídia, orquestrada pela crítica ferrenha de Carlos Lacerda que levou o presidente ao ápice de sua vaidade, o suicídio.

Getúlio, que quando ditador governou com a proteção dos militares, certa forma, tem sua história repetida por Bolsonaro, não por ser o primeiro presidente militar eleito democraticamente, mas pelos ataques que sofre. Contra ele, uma mídia tentando a todo custo, imitar os passos de Lacerda e, se não conseguir derrubar o governo, busca prejudicar sua continuidade e sua temperamental imagem, que por vezes guarda semelhanças às de Jânio Quadros. Mas que interesses teria essa mídia?

Diante da “eminente” eleição de 2022, corre um ex-presidente, que conta com certa semelhança com Getúlio Vargas e uma eventual terceira via, oportunista ou não, que aos poucos busca seu espaço, nas brechas deixadas entre Bolsonaro e Lula. E este é novamente o nosso cenário. Mas afinal, qual o enredo disso tudo? O que a história nos tem a dizer?

No Brasil, depois do último governo Vargas, derrubado por intrigas que envolvem o opositor Lacerda e até mesmo membros do governo, vivíamos a aproximação das “novas tendências” mundiais, fruto da então guerra fria entre americanos e soviéticos. E nessa esteira vieram Juscelino e Jânio Quadros, que pouco durou. E, novamente, sempre presente, as forças armadas, sob o condão da ordem social, protegendo e impondo limites, por vezes questionáveis. Chegamos então, a era dos governos militares, que durou mais 20 anos. Naquele tempo, bastavam haver manifestações e o exército baixava nas ruas e pressionava governos. Tudo em nome da ordem social. Seria o exército a terceira via?

Passados esses anos, se olharmos a pirâmide etária brasileira, a maior concentração da população está entre os nascidos entre 1965 e 2000. Comparando, é como se tivéssemos eleitores formados entre os anos de 1985 e 2020. Logo, a formação política da grande massa de eleitores está na chamada Nova República. Desses, muitos nem lembram o que é ditadura ou hiperinflação. Isso nos leva a crer que uma boa parcela de nossa população, não vivenciou esses marcantes anos da História, senão em suas infâncias. Como consequência de uma também fraca educação, temos uma massa de votos manipulável por redes sociais e incapaz de entender os bastidores da política, o que a torna ainda mais desinteressante e, por vezes, nojenta.

Mas o exercício de comparação é interessante por mais incoerente que pareça. Lula sempre foi mais “parecido” com Getúlio do que Bolsonaro. Mas Lula soube acalmar a mídia. Com um dólar custando dois reais “os Lacerdas” viviam passeando mundo afora enquanto o presidente governava. Bolsonaro, por sua vez, sofre das mesmas acusações dos tempos de Getúlio, foi eleito com apoio democrático dos militares e é um governo formado por militares. No caso de Getúlio Vargas, a história não restou bem esclarecida, ainda que o atentado da Rua Toneleros tenha sido incontestável. Dos escândalos do governo petista, teoricamente tudo ficou mais claro, ainda que o sistema judiciário consiga se enredar nas próprias pernas, ao ponto de anular condenações, deixando o mérito em favor das formalidades. E, do governo Bolsonaro, ainda é cedo. Emitir opiniões, sem apurar os fatos, ou se faz justiça ou se comete injustiça. Não há meia verdade. O papel da mídia é importante, mas não pode ser derradeiro. O das redes sociais, esse sim, um grande perigo.

E neste emaranhado que atordoa o pensamento, com extremos tão bem definidos entre as partes, é necessário concluir com uma frase dita por Getúlio, ao final do filme: “As pessoas sempre me procuraram para pedir algo pessoal. Nunca ninguém me procurou para pedir algo para o povo”. E o tempo vai passando, a história se repetindo e a grande massa de eleitores sem saber o que fazer. A dúvida que fica é: quanto tempo o Brasil ainda precisa para começar a escrever sua própria história sem ter de repeti-la?

 

 

 

 

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