Este é um relato verdadeiro.
Preciso tornar público um fato grave: fui sequestrado!
Tudo começou de forma aparentemente sutil, mas profissional.
Uma quadrilha organizada, três mulheres meliantes (uma tal de Denise arquitetou o golpe, apoiada pelas filhas Carol e Isadora, juntamente com João, o terrorista), passou dias fingindo interesse genuíno pela minha agenda.
Datas reservadas, conversas educadas, aquela coisa toda que a gente chama de “trabalho organizado”.
Caí como um amador.
Quando me dei conta, estava sendo conduzido para um aeroporto.
Nenhuma explicação clara. Nenhuma pista do destino. Apenas a justificativa clássica dos criminosos experientes: “Precisamos de um tempo só com você.”
Achei estranho. Mas já era tarde.
Fui enfiado num avião, sem saber para onde estava indo, sem capuz, o que já deveria ter levantado suspeitas.
E sem qualquer resistência da minha parte, confesso.
Os bandidos, frios e calculistas, apenas sorriam.
Ao chegar ao destino antes desconhecido, iniciou-se a fase mais cruel do sequestro. Itacaré é um lugar perfeito para a sequência de maldades.
Fui levado à praia. Sim, à praia.
Ali começou a tortura psicológica.
Sol na medida certa. Mar quente. Drinks saborosos. Petiscos sendo servidos em intervalos estratégicos. Cerveja estupidamente gelada.
Quando pensei que não poderia piorar, entrou em cena um garçom cúmplice, claramente parte da quadrilha, trazendo camarões impecáveis, frescos, perfeitamente espetados.
Nesse momento, eu já estava fraco. Não reagi. Não gritei. Não tentei fuga.
Comportei-me. Aceitei meu destino com dignidade.
Os dias passaram. E algo inesperado aconteceu.
Desenvolvi um quadro avançado de síndrome de Estocolmo. Passei a admirar os sequestradores. A rir com eles. A brindar com eles. A defendê-los.
Hoje posso afirmar, sem qualquer pudor: apaixonei-me pelos delinquentes.
Mais grave ainda: já me candidatei voluntariamente para novos sumiços. Novos sequestros. Novas torturas desse mesmo nível de crueldade.
Se alguém souber de uma quadrilha com esse modus operandi, peço, por gentileza: tomem cuidado. Eu recomendo.
Assinado: a vítima mais feliz da estatística de amor criminal.