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Opinião

Animais benéficos ao ser humano – as pererecas (Parte V)

A pequeninha do bem que limpa as casas

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Roberto Ferron
Por Engº Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

É um pequeno anfíbio inofensivo, mas as mulheres têm um verdadeiro pavor do bichinho e, quando o acham, saem dando-lhe chineladas, vassouradas, até matá-lo!

As “rãs” são anfíbios fascinantes e desempenham um papel importante no ecossistema urbano. São indicadores de saúde ambiental e sensíveis às mudanças no ambiente, o que as torna excelentes indicadoras da qualidade do ar e da água.

No Brasil, as “rãs” são encontradas em quase todos os biomas, incluindo a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica. Infelizmente, muitas espécies de “rãs” estão ameaçadas devido à perda de habitat, à poluição e às mudanças climáticas. É importante proteger esses anfíbios incríveis.

Existem mais de 6.000 espécies de rãs em todo o mundo, com uma grande variedade de cores, tamanhos e formas. No Brasil, existem mais de 1.144 espécies de anuros (rãs, sapos e pererecas), mas apenas uma espécie nativa de rã, a Lithobates palmipes. As outras que comumente chamamos de rãs, na verdade, são sapos ou pererecas.

Nos centros urbanos, é comum encontrar alguns tipos de sapos e pererecas que se adaptaram à vida em áreas urbanas. São inofensivos e benéficos, ajudando a controlar a população de insetos e outros invertebrados em sua moradia. São predadores oportunistas, que possuem a língua pegajosa, lançada em grande velocidade para capturar insetos.

Seguem alguns exemplos importantes:

a) Rã-de-boca-larga (Leptodactylus sp.): é uma espécie que se adapta bem a ambientes urbanos, encontrada em áreas com água parada, como piscinas e lagos;

b) Rã-puladora (Dendropsophus sp.): é uma espécie pequena e ágil, encontrada em áreas com vegetação densa, como jardins e parques;

c) Sapo-boi (Rhinella icterica): é um anfíbio interessante e bastante conhecido no Brasil. É um sapo grande, com até 20 cm de comprimento e peso de até 1 kg. Ele tem coloração marrom ou verde, com manchas escuras e uma crista óssea na cabeça. É encontrado em campos, cerrados e áreas urbanas, como gramados e jardins. É um animal importante no ecossistema, ajudando a controlar a população de insetos e outros invertebrados. Usa como defesa suas glândulas parótidas, que produzem um líquido tóxico, o qual serve como proteção contra predadores.

Hábito alimentar: o sapo-boi tem hábito noturno, é predador oportunista e se alimenta de insetos (besouros, formigas, mosquitos, moscas etc.), pequenos animais (lagartos, rãs, camundongos etc.), frutos e insetos, como figos, bananas, pitangas, guabirobas etc., além de outros invertebrados (minhocas, caracóis etc.). Lembre-se de que, apesar de seu tamanho e aparência, o sapo-boi é um animal inofensivo e não é agressivo.

Também temos as “pererecas” que encontramos nas paredes das casas, pertencentes à família Hylidae, conhecidas por sua habilidade de subir em superfícies verticais, como paredes e janelas, quando saem para caçar insetos. Geralmente são pequenas, com cerca de 2 a 5 cm de comprimento, e têm coloração verde ou marrom, o que as ajuda a se camuflar nas paredes.

Temos dois gêneros: a perereca-verde (Hyla sp.) e a perereca-de-árvore (Scinax sp.), outra espécie que pode ser encontrada nas paredes das casas, especialmente em áreas com vegetação próxima, como árvores, arbustos e jardins.

Possuem atividade noturna, quando saem para caçar insetos e outros invertebrados. Durante o dia, escondem-se em locais úmidos e sombrios, como embaixo de folhas, em buracos de árvores ou em fendas nas paredes. Também têm comportamento crepuscular, período entre o dia e a noite, quando a luz é mais fraca.

Hábito alimentar: este é o seu grande benefício ao ser humano, pois essas pequeninas se alimentam de insetos, incluindo mosquitos, moscas e outros que podem transmitir doenças.

Esta é uma boa pergunta ao eleitor: você acha que as pererecas que habitam sua casa comem aranhas, inclusive aquelas venenosas (aranha-marrom, que ficam nos cantos, atrás das portas, dentro de armários e guarda-roupas, no meio da lenha etc.)? Sim, as duas descritas acima são especialistas em comer aranhas, controlando sua população. Além disso, predam moscas e mosquitos, já que, em muitos centros urbanos, há infestações desses insetos. Os mosquitos são transmissores de doenças como dengue, malária, chikungunya, entre outras.

Lembrem-se de que esses bichinhos só trazem benefícios. É importante respeitá-los e protegê-los, auxiliando na preservação desses “répteis do bem”!

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