Ulan Bator, capital da Mongólia, está entre as principais capitais do leste da Ásia que entraram para o mundo moderno. Ela apresenta um ritmo frenético de modernidade. O país vive entre a vida nômade e o dinamismo de uma cidade avançada em economia e tecnologia.
Rumo à China – Depois de passar pelo Deserto de Gobi, o quarto maior deserto do mundo, deixamos os campos, os animais, o panorama calmo, e nosso trem chegou à fronteira com a China. Ficamos muito tempo esperando a vistoria dos passaportes pela polícia chinesa. Foi necessário visto de entrada. Mas a polícia aduaneira, inclusive com policiais femininas, foi muito amável. Não revistaram bagagens, somente os documentos.
Despedida do trem russo – Ainda no nosso trem, foi o momento de despedida do nosso querido casal russo: Nicolai e Elena. Eles ficaram muito emocionados, e nós também. Cantamos e lhes deixamos um presente com uma mensagem em inglês. Elogiaram-nos e disseram que ficaram encantados com o grupo brasileiro. Realmente, parecíamos uma família! Já estávamos sentindo saudades desta etapa da viagem. Abraços e mais abraços. Nosso trem parou na primeira cidade após a fronteira: Erlian. O almoço aconteceu nessa pequena cidade. Andamos um pouco pelas agradáveis ruas estreitas, onde acontecia uma feira. Muitas frutas e até belas uvas. Numa elegante cafeteria, tomamos um gostoso café. O pagamento foi em dólares. Passamos mais um tempo andando e voltamos para a estação ferroviária para continuar a viagem.
No trem chinês – Foi necessária a troca de trens, pois a bitola — a largura da via férrea — era diferente daquela que vínhamos usando. O esquema continuou o mesmo: mesmos parceiros de viagem e mesma cabine. O jantar foi a bordo do trem, com comida típica chinesa. Havia um diferencial: o trem não era tão luxuoso quanto o anterior. Mas tudo era impecável e confortável.
O jantar – O grupo brasileiro sentiu-se muito à vontade, e foram feitos brindes e cantorias. Um senhor suíço, encantado com a euforia, ofereceu vinho ao grupo. Cercamo-nos a ele, e houve mais cantoria, dança e brindes. Uma alegre recepção rumo à China. Foram 16 horas de viagem até Pequim, capital chinesa. Estava amanhecendo quando começamos a passar pelas periferias. Eram quatro horas da madrugada, e o movimento de trens era intenso. Pelo nosso trem passavam outros, lotados de trabalhadores.
População chinesa – Hoje, são bilhões de habitantes. Há mais de 3 mil anos, os camponeses produziam alimentos suficientes para alimentar o povo. As condições eram favoráveis ao crescimento. Com o passar dos séculos, a guerra, a fome, as doenças e, em menor grau, a emigração desempenharam seu papel de conter a expansão populacional — mas, mesmo assim, no século XVIII, já eram quase 500 milhões de habitantes. Durante o século XIX, o aumento da população foi constante. Entretanto, a Revolução Comunista de 1949 proporcionou um aumento acentuado. Em 1982, já eram mais de um bilhão. Mesmo depois de fome e guerras, hoje são bilhões de pessoas.
Cidades superpovoadas – A China é um país montanhoso, e sua população está distribuída de forma desigual. Cerca de 90% dos habitantes moram em 40% do país, concentrados no leste e ao longo da costa. Milhões de camponeses foram atraídos para as cidades. Existem milhões em Xangai e mais ainda na região de Pequim. A industrialização e a tecnologia transformaram a China em uma superpotência econômica, mas alimentar a população continua a ser um grande problema.
As raças na China – Para o mundo, a China pode parecer uma sociedade massificada, cujos cidadãos levam vidas monótonas e uniformes. A verdade é outra: a nação abriga minorias étnicas, algumas das quais totalmente independentes. Menos de 50% da população pode ser considerada descendente original chinesa, mas o restante é constituído de diferentes grupos. A descendência parte de 53 grupos étnicos. Muitas das minorias étnicas se apegam às suas tradições, o que causa problemas às autoridades. O antagonismo contra Pequim é mais acentuado nas províncias de fronteira do norte e do oeste, onde se situam a Mongólia e as montanhas do Tibete. Os Guardas Vermelhos depredaram mesquitas e forçaram muçulmanos a comer carne de porco. Mas hoje a religião é tolerada. O norte da China abriga milhões de mongóis, e estes não esquecem que um dia a China foi governada pela Mongólia. Eles gostam de viver em fazendas comunitárias, querendo parecer independentes.
Tomada do Tibete – Está localizado entre montanhas, no norte da China. Em 1950, foi realizada a tomada do Tibete pelos chineses. Consideraram-no um território perdido, controlado pelos sacerdotes. Mas, em 1959, aconteceu uma revolta popular em apoio ao Dalai Lama, o sacerdote supremo, que fugiu para a Índia e, até hoje, lá se encontra, com seus 90 anos. Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Foi uma recompensa aos tibetanos contra os chineses invasores. Em 1960, porém, na nova tomada das terras do Tibete, os chineses destruíram mosteiros budistas, o que resultou em milhares de mortos. Muitos tibetanos, hoje, vagam pelas planícies, como faziam seus antepassados, mas sua cultura está ameaçada pela imigração chinesa.
A força da natureza – A tradição da espiritualidade chinesa atribui à vida humana um lugar na ordem natural. A natureza é uma rede complexa que liga os cinco elementos: água, fogo, madeira, metal e terra. Esses cinco elementos estão ligados às estações do ano, aos pontos cardeais, aos animais, às plantas, aos órgãos do corpo, às cores, aos sabores e aos sons.
Sua filosofia e religião apresentam uma visão única do mundo e de tudo o que ele contém. Assim, as montanhas são investidas de uma espiritualidade que pode ser sentida por todos que as contemplam. Então, os vulcões são uma prova de que a Terra está viva.