Há momentos em que o mundo corporativo se compara com uma pista de atletismo.
Não na largada cheia de promessas e expectativas, mas naquela curva decisiva em que poucos têm coragem de acelerar além do que parece possível.
Agorinha, o jovem velocista de 18 aninhos Gout Gout (o nome já promete virar uma lenda) rompeu uma marca histórica ainda na categoria de base, sendo inevitavelmente comparado a Usain Bolt.
Me impactou não apenas a questão do recorde e do tempo em si, mas o que ele representa: simplesmente alguns não aceitam o “esperado” como limite e, aqui começa a provocação.
Nas empresas, falamos muito sobre metas. Planejamos, desdobramos, acompanhamos, cobramos, mas...
Quando foi a última vez que alguém questionou se a meta como teto ainda fazia sentido?
Quando foi a última vez que o “atingido” deixou de ser suficiente?
Quando foi a última vez que alguém decidiu correr mais rápido do que o planejamento previa?
Porque há diferença entre bater metas e redefinir padrões.
Muitas organizações entram em um ciclo confortável: metas desafiadoras até serem atingidas, resultados comemorados até virarem rotina, desempenho consistente até se tornar previsível.
E então surge mais uma pergunta incômoda: estamos evoluindo ou apenas repetindo um bom desempenho?
No esporte, recordes existem para serem quebrados. Nos negócios, muitas vezes, metas parecem existir para serem mantidas. E talvez esteja aí um dos maiores riscos silenciosos das empresas maduras: pior do que a queda de performance é a acomodação dentro dela.
O garoto atleta não esperou “autorização” para superar uma marca. Ele não perguntou se já era suficiente. Literalmente “cagou” para quem estabeleceu o limite anterior. Ele apenas correu e fez história, até que alguém (talvez ele mesmo) supere a marca.
E isso leva à última reflexão: precisamos esperar surgir um “fenômeno” de fora para romper nossos próprios limites? Ou deveríamos construir ambientes onde romper limites seja parte da cultura, e não exceção?
Superar metas não deveria ser um acidente. Deveria ser um método.
E talvez o desafio da liderança seja fundamentalmente esse: criar contextos onde o extraordinário deixa de ser raro e passa a ser esperado. Parte disso é velocidade, mas muito é sobre ambição.
E você está correndo para cumprir metas ou para redefinir o que é possível?