Transiberiana: a viagem começa em São Petersburgo - Rússia, em direção a Pequim - China, presenteando os passageiros com paisagens hipnotizantes, cercadas de história. Da Europa à Ásia, a viagem é uma experiência intensa. Dando o apito inicial em São Petersburgo, chamada de “janela do oeste” pela proximidade geográfica e cultural com a Europa, parte-se para uma Rússia cada vez mais típica, passando por Moscou. Ela é uma passagem perfeita para a China e a Grande Muralha, onde se encerram os trilhos dessa viagem. De Pequim, depois de tantas aventuras, o mais difícil é sentir que está terminando e sonhar em querer voltar.
Os festivais no leste da Ásia: embora o leste da Ásia esteja cada vez mais urbano e ocidentalizado, os festivais permanecem fiéis aos antigos costumes, como o do Ano-Novo Chinês, ligados ao calendário lunar. Talvez ainda faça muito frio na China, mas, na noite do Ano-Novo Chinês, os corações são aquecidos pela explosão de milhões de fogos de artifício. No primeiro dia do primeiro mês lunar do ano – uma data que varia de meados de janeiro a meados de fevereiro –, os chineses comemoram a oportunidade de recomeçar um novo ano. Até nas menores aldeias, a população solta fogos de artifício e faz muito barulho para afastar os maus espíritos. É hora de pagar as dívidas, fazer faxina na casa, tomar resoluções e ficar, até tarde, com a família em torno de uma mesa com um lauto banquete.
O Ano-Novo Chinês: o primeiro dia do novo ano é reservado para visitar a família e os amigos, desejar-lhes felicidade, boa sorte e entregar às crianças pequenos envelopes vermelhos com presentes. Para comemorar o Ano-Novo, os chineses usam roupas tradicionais. Quinze dias depois, as crianças carregam lanternas com velas acesas pelas ruas, e o Festival das Lanternas encerra, com muita luz, as comemorações do novo ano.
Ano-Novo associado a um animal: os animais, pela ordem, são: rato, boi, tigre, coelho, dragão, cobra, cavalo, cabra, macaco, galo, cachorro e porco. Os chineses acreditam que as pessoas possuam as características do animal do ano em que nasceram. Esta é a sequência dos animais comemorados. Por exemplo: o Ano do Rato está relacionado à riqueza e à fartura. Em junho ou julho, no quinto mês lunar, no quinto dia, eles comemoram o Festival dos Dragões. Equipes de remadores, em barcos em forma de dragão, disputam uma prova em homenagem a Chu Yuan, poeta que se atirou em um rio e morreu afogado em 280 a.C.
A viagem transiberiana chegando ao fim: depois de muitas aventuras e descobertas, o nosso grupo partiu para as despedidas. Foram semanas incríveis de muita querida convivência e ajuda. Chegamos ao final como uma grande família, quase irmãos – algumas amizades são partilhadas até hoje. Foram momentos de alegria, surpresa, encantamento, reciprocidade, compartilhamento, colaboração, troca e saudades antecipadas. Quando iniciamos a viagem, lá na Rússia, não conhecíamos ninguém. Um simpático grupo de paulistas e nós, gaúchos. Desde o encontro, no primeiro jantar, já sabíamos que seria um grupo perfeito: amigos animados, hilários, felizes, dispostos a celebrar e comprometidos uns com os outros.
Momento das despedidas: aconteceu no Aeroporto de Pequim. A nossa simpática guia nos deixou na entrada das cabines para o “check-in” de saída. Despachamos as bagagens e partimos para os abraços e até lágrimas. O grupo paulista viajava pela Air France; meu marido e eu, pela British Airways. Então, nossos destinos seriam em portões diferentes. Acabava, assim, o que seria uma parte da nossa história de viagens. Seguimos, sozinhos, em outra direção.
No imenso Aeroporto Internacional de Pequim: Linor e eu viajávamos em Classe Executiva e tínhamos que encontrar o local do “lounge” – sala de espera especial –, pois o embarque seria três horas depois. Começou a valer o nosso inglês, pois, sem esta língua, não sairíamos do aeroporto. Sozinhos, chegamos ao metrô. Na entrada do nosso trem interno, nossas passagens foram checadas, e estávamos certos. Embora a língua não fosse entendida, em todos os momentos, em inglês, os passageiros eram monitorados. Não sentimos dificuldades. Entramos no trem do metrô, e, no nosso vagão, estava um grupo de jovens chineses com idade de uns treze anos, usando belos uniformes cinza e vermelho. De adultos, somente meu marido e eu. Não havia algazarra. Quando o trem parou, comentei com meu marido para deixá-los descer, pois os jovens estão sempre apressados e nós tínhamos tempo. Para nossa surpresa, todos permaneceram sentados, em silêncio, nos olhando. Estavam esperando o nosso desembarque. Entendemos e começamos a sair. Atrás vieram todos, em perfeita ordem, sem correria, tranquilos. Seria assim no nosso Brasil?
Voltando: a nossa primeira escala seria o imenso Aeroporto de Londres – Heathrow –, o mais movimentado do Reino Unido e da Europa. O atendimento dos comissários, durante a viagem, foi impecável. Conseguimos repousar tranquilamente, mas as memórias da viagem eram constantes. O voo para o Brasil teria uma espera de seis horas. Os fusos horários são muito diferentes do Oriente para o Ocidente. Muitas horas de viagem, atravessando continentes. Ao chegarmos, dirigimo-nos à porta do avião. Logo veio o comandante do voo, e pedi a ele que nos explicasse como chegar ao “lounge” para a longa espera. Muito simpático, pediu que o seguíssemos. Não passamos por alfândega, nem revistas, nem atropelos, e ele nos deixou numa escada rolante que chegava ao “lounge” e perto do nosso embarque para o Brasil. Agradecemos a sua grande gentileza. Comentou que gostava do Brasil e dos brasileiros. A espera no Heathrow foi muito confortável: várias ilhas de refeição, bebidas e delicioso café. Poltronas muito confortáveis. Descansamos.
Conclusão: fomos os primeiros a entrar no avião da British Airways para o Brasil, pela classe em que estávamos viajando. Uma ótima noite atravessando mares e terras em poltronas muito confortáveis e com um atendimento individual. Amanhecendo, passamos sobre nossa cosmopolita São Paulo, de ares internacionais. Chegamos, assim, ao fim de uma viagem memorável e inolvidável. Sempre, sempre com saudades.