Quem nunca ouviu “aquele ali não dá ponto sem nó”? Normalmente, é uma expressão associada a uma pessoa esperta, ligeira. O problema é que, de tanto se preocupar em amarrar os outros, uma hora, sem mais nem menos, acaba tropeçando no próprio nó. Sem contar que é muito comum confundir esperteza com inteligência, mas... uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Antecipar uma jogada, esconder uma intenção ou encontrar uma saída pela tangente não é prova de genialidade, geralmente podemos chamar isso de sorte e, convenhamos, tem gente que tem mais sorte que juízo. Porém, a sorte é uma senhora caprichosa, enquanto ajuda, parece competência e, conforme se descuida, passa a revelar uma incompetência maquiada.
Tem gente que passa anos se convencendo de que está no controle, tanto nos negócios quanto na vida, enquanto ambos afundam a olhos vistos, porém admitir isso exige lucidez, artigo cada vez mais raro. Para quem passa a vida sem dar ponto sem nó, chamando exploração de mérito e conveniência de inteligência, é ainda mais difícil. A lucidez abraçou a ética e a moralidade e, juntas, foram comprar cigarros, sentaram-se à mesa de um bar e nunca mais voltaram.
Imagina juntar isso ao rabo preso! Sabe aquela coisa que começa pequena, um favor aqui, outro ali, um interesse, um compromisso inconveniente, e aquilo vai virando uma bola de neve? Então, a dança começa. É preciso agradar de um lado sem desagradar do outro, o problema é que agradar um lado, inevitavelmente, desagrada o outro. É aquela velha história, se ficar, o bicho come e se correr, o bicho pega.
Não importa a roupa, se o perfume é de marca ou barato, se a pose é de pavão ou se é a discrição em pessoa, se o vocabulário é rebuscado ou se a linguagem é do povo. Isso tudo vai variar conforme convém. O que não muda é que será sempre o mesmo sujeito tentando esconder a algema do rabo. Não adianta aparecer na TV ou em vídeo da internet vestindo branco, de cara limpa, ensaiando um choro e um perdão mais falso que nota de três reais. Só não vê quem não quer e cai no golpe quem quer.
Cada vez mais é possível terceirizar uma imagem. Quando falta argumento, a IA fornece, quando sobra contradição, corta-se o trecho inconveniente, quando a realidade aperta, edita-se a fotografia, esquece-se a assinatura e pronto, nasce uma versão mais palatável de quem se gostaria de parecer. Porém, sinto lembrar, maquiagem, cirurgia plástica e um assessor competente não mudam DNA. O chassi segue o mesmo. E, até não cumprir sua pena e se resolver com a Justiça, o rabo segue preso.
Mas voltemos aos espertinhos, àqueles que não dão ponto sem nó, que juram estar sempre alguns passos à frente. Vocês já pararam para pensar que quem passa a vida fazendo nós, precisa, cedo ou tarde, lidar com todos eles? E, em algum momento, isso acontece, pois são tantos nós, tantas pontas, tantas amarras e tantas versões diferentes da mesma história que já não se sabe onde começa a corda e onde termina o pescoço.