As pessoas de minha geração, com algumas exceções, receberam uma criação severa dos pais. Valores considerados os corretos, nos eram inculcados: respeito aos idosos, respeito extremo aos pais, aos professores, estes merecedores de toda admiração.
Éramos encaminhados desde bebês, a uma fé e ensinados a reverenciar nosso Deus com extrema fidelidade.
O mais comovedor para meu trilhar na existência, eram os ensinamentos relacionados ao Brasil, seus próceres, seus símbolos. Na tenra idade pouco sabíamos das dimensões de nossa Pátria Grande! Entretanto, sempre soubemos e sentimos que era nosso lar, nosso espaço de pertencimento. Eu tinha a linda sensação de viver em uma fortaleza segura e acolhedora. Nossos uniformes escolares nos distinguiam. Nas cerimônias cívicas nossa postura era admirável. Eu sentia um orgulho impossível de descrever, anos mais tarde, quando, em viagens ao exterior, eu era identificada como “Brasileira”.
Em nossos tempos jovens havia um caminho traçado e parecia que o conhecíamos e não o temíamos muito: Tínhamos nascido, crescido, o futuro nos esperava. Sonhávamos. Ora ganhávamos, ora não. Nos iludíamos. Acreditávamos que tudo daria certo, afinal, diante de nós estava “O Belo Pássaro da Juventude”. Porém, para alguns, a realidade foi adversa. Com o passar do tempo enfrentaram-se decepções, humilhações, traições, falsidades, perdas cujas cicatrizes não encontraram remédios.
Surgiram as nuvens de desencanto com tudo e todos. O pior foi a sensação de que nossas batalhas corretas e éticas, nosso ultrapassar com dignidade os obstáculos espinhosos, foram inúteis!
Em um momento de minha vida, deparei-me com essa névoa existencial, quase sem forças para abrir a janela da esperança. Mas, certo dia, soube que receberia uma visita que traria um convite. Ao abrir a porta, vi com espanto verdadeiro, o Capitão Rieder, o Major Altemar Dutra, José Gelso Miola e Rodrigo Finardi. Traziam o convite para eu ser a Patrona da Semana da Pátria 2025. A emoção foi gigantesca! A honra não me permitia falar ou pensar.
Concluí que meu palmilhar nas alamedas da vida, com tantos percalços, batalhas dolorosas, mas com tanta persistência e correção valera a pena.
Durante as festividades daquela inesquecível semana, senti o jardim fenecido do meu coração, florir novamente. Vendo as atividades das escolas, o fantástico trabalho da Brigada Militar, a preciosa colaboração e esforço para a comunidade da Liga de Defesa Nacional e da Força Voluntária, bem como a brilhante atuação de tantas entidades erechinenses, retomei minhas guerras, recuperei meu orgulho pelo nosso “micro cosmos” e em especial pelos nossos valorosos brasileiros. Sim, pois os há aos milhares.
Na chegada do fogo simbólico, foi meu civismo e amor pelo Brasil que incendiou todo meu ser. E, retornou o que sempre, eu como educadora e pesquisadora, soubera e sentira profundamente e com sinceridade: Que bela, que fantástica, que imensa Pátria Deus nos presenteou!! Como não chorar de alegria e admiração por suas magníficas belezas. Como não espantar-se com suas possibilidades. O Brasil é único no mundo, numa esplêndida futurição.
Não importa mazelas, disputas, malquerências, erros. É nosso lar, a ele devemos dedicar o NOSSO esforço, fazer a nossa parcela de bem com dignidade e zelo.
O resto, a História julgará.
Para nossa Briosa Pátria, nosso amor e nosso orgulho, não só na Semana dedicada a ela, mas diuturnamente.