Você já ouviu essa expressão? Nos filmes, normalmente quem fala é o vilão, e ela aparece diversas vezes em O Poderoso Chefão. E quase sempre vem depois de uma traição, uma demissão, uma ruptura, uma negociação ou alguma decisão que vai ferrar alguém.
Engraçado é que, no mundo corporativo, essa frase ganhou status de maturidade empresarial: “Não leve para o lado pessoal”. Será mesmo? Quando alguém perde o emprego, não é pessoal? Quando uma parceria de anos é rompida, não é pessoal? Quando alguém é preterido numa promoção, não é pessoal? Quando uma empresa deixa de comprar de um fornecedor que construiu uma relação durante anos, não é pessoal? É claro que é pessoal.
Negócios são feitos por pessoas. Confiança é pessoal. Reputação é pessoal. Lealdade é pessoal. Ambição é pessoal. Frustração é pessoal. Atrás de um CNPJ, tem um CPF. E até o dinheiro, por mais racional que seja, muitas vezes carrega histórias pessoais.
O problema não é uma decisão de negócio afetar pessoalmente alguém. O problema é usar “é apenas negócio” como desculpa para agir sem respeito, sem transparência e sem responsabilidade. Existe uma diferença enorme entre não misturar emoção com decisão e fingir que decisões não têm consequências emocionais.
Um bom líder não precisa dizer: “Não leve para o lado pessoal”. Deveria dizer: “A decisão é profissional. Mas eu respeito o impacto pessoal que ela terá em você”. Isso muda tudo. A maturidade não está em deixar de ser humano para fazer negócios. Está em conseguir fazer negócios sem deixar de ser humano.
Desculpe, é que, se tem gente envolvida, sempre existe alguma coisa pessoal.