A Banda de Música Erechim promove, no dia 15 de novembro, um festival interestadual em celebração aos seus 75 anos de atividades. O evento contará com a participação de grupos convidados. A associação sem fins lucrativos tem como propósito fazer música sem qualquer forma de discriminação. Também promove atividades de relevância pública e social, sem limite de músicos atuantes.
Música em Erechim
A história da música em Erechim tem registros a partir da chegada dos colonizadores, que trouxeram consigo tradições musicais e, mesmo diante das dificuldades da época, encontravam maneiras de se reunir para tocar e celebrar. Em 30 de abril de 1918, na instalação do município e na posse do intendente provisório Nelson Ehlers, os festejos tiveram a participação de uma orquestra formada por Antônio Fianco (piston), Arthur Krüger (violino), Augusto Schäedler (contrabaixo de cordas), Germano Schäedler e Gildo De Paris (trompas), João Simon (baixo de sopro), Martin Moron (clarinete) e Nicolau Link (flauta).
Segundo relatos de Paulo Carlos Moron, filho de Martin Moron e maestro da Banda de Música por muitos anos, a primeira banda foi formada em 1920. Em 1922, nas comemorações do centenário da Independência do Brasil, a orquestra de Barro (atual Gaurama) uniu-se à Banda Municipal de Erechim, então composta por 15 ou 16 músicos, para animar os festejos e o baile. Moron citava, entre os integrantes, Theodoro Tedesco. Essa primeira formação encerrou as atividades durante a Revolução de 1923.
A orquestra de Barro retornou a Erechim em 18 de agosto de 1924, para tocar no baile do Ypiranga, e, no dia seguinte, acompanhou o jogo de futebol entre Ypiranga e Ítalo Brasileiro. Em 1932, foi organizada uma nova banda municipal, sob a regência dos maestros Pedro Araujo e Nico Pires. Mais tarde, assumiu o maestro Damásio Pereira, com Emílio Rech na presidência. Essa formação permaneceu ativa até 1937.
Fundação em 1951
A atual Banda de Música Erechim, terceira formação dessa trajetória, foi fundada oficialmente em 7 de setembro de 1951. Sua organização havia começado no ano anterior, por iniciativa do maestro Frederico Schubert.
A primeira diretoria foi composta por Carlos Irineu Pieta (presidente), Amélio Viero (secretário) e João Skrabe (tesoureiro). Paulo Carlos Moron atuava como contramestre e, ao longo dos anos, escreveu 15 cadernos com 162 melodias para o repertório da banda. O então prefeito Angelo Emílio Grando doou alguns instrumentos para o início das atividades.
O grupo começou com 20 integrantes: Carlos Rigoni, Sílvio Viero, Amélio Viero, Rodomiro Menta, João Skrabe, Narciso Costa, Mário Corradi, Carlos Pieta, Emílio Krüger, Francisco Camargo, Antonio Fianco, Alfonso Krüger, Noli Schosler, Arnoldo Schosler, Paulo Carlos Moron, João Rodrigues, Faccenda, Antoni Molter, Pedro Paulo Mandelli e "Alemão Preto". Alguns moravam em Aratiba, Gaurama e Balisa. Atualmente, a banda também tem músicos de Barão de Cotegipe e Getúlio Vargas.
O estatuto da associação foi aprovado em Assembleia Geral Extraordinária realizada em 11 de junho de 1959, quando Carlos Rigoni era presidente e Elírio Ernestino Toldo, primeiro-secretário.
Trajetória
Em 1953, durante a Festa do Trigo, a banda apresentou o dobrado Festa do Trigo, composição de Paulo Carlos Moron que continua no repertório. Conhecida como "Banda Municipal", também participou das comemorações do cinquentenário de Erechim.
Moron assumiu a regência em 1967 e continuou a escrever o repertório. Permaneceu à frente do grupo até falecer, em 1º de setembro de 1982. Nos primeiros tempos, as partituras eram escritas com caneta de pena, que precisava ser mergulhada no tinteiro a cada uma ou duas notas. Depois, passaram a ser usadas a caneta-tinteiro e, por fim, a esferográfica.
Em setembro de 1971, diante da escassez de recursos, a banda passou a aceitar contribuições destinadas à manutenção dos instrumentos e às despesas gerais. Inscreveram-se como colaboradores Ernesto G. Lehmann, Henrique Rigoni, Miguel Iopp, Leonel Campesato, Luiz Pungan, Irony Eloi Menta, Edevino Filla, Milton Alberto Dalponte, João B. Dal Prá, Hermes Campagnollo, Orelio Peccin, Natalin Dezordi, Albano Frey, Raimundo Michelin, Antonio A. Ampessan, Atílio Pagliosa, Luiz Frizzo, Fernando Kapel, Kurt A. Tuhlke, João P. Flores, Olimpio Tormen, Atilio Vicari, Afonso dos Santos Tacques, Aristides Agostinho Zambonatto, Pedro Roismann, Darci Pagliosa e Geder Carraro.
Sede
Até 1972, a sede funcionou no subsolo da Prefeitura Municipal, onde anteriormente ficava a cadeia. Depois, a banda passou a desenvolver suas atividades junto à Escola de Belas Artes Osvaldo Engel, espaço cedido pela Prefeitura de Erechim. Em novembro de 2025, uma chuva de granizo destruiu o telhado e danificou parte do acervo e dos instrumentos. Sem uma nova sede disponível, os integrantes passaram a guardar os instrumentos e a realizar os ensaios semanais em suas casas e em espaços particulares. As atividades não foram interrompidas.
A aproximação com os bairros também faz parte dessa vocação comunitária. Em 1974, ficou decidido que, uma vez por mês e sempre que o tempo permitisse, o ensaio seria realizado em um bairro da cidade.
Apresentações e eventos
Em setembro de 1993, a banda realizou um baile com o apoio de clubes de serviço e da comunidade. Em março de 1997, viajou a Brasília, onde se apresentou em um teatro e foi aplaudida de pé pelo público. Em outubro de 2002, representou Erechim em Melipilla, no Chile, durante o Primeiro Encontro Internacional de Bandas e Fanfarras. Em 2012, promoveu um festival interestadual de bandas em comemoração aos 60 anos completados em 2011.
A trajetória da associação reúne músicos, maestros, dirigentes, colaboradores e admiradores que, ao longo das gerações, levam música às ruas, às festas e aos encontros da cidade.