Semana passada mostrei alguns dados sobre “para onde o Governo Federal aplica o dinheiro dos impostos arrecadados”. Lembrando que o governo não fabrica dinheiro, e que o desenvolvimento de um país não está apenas nos seus quesitos ambientais, como terra apta as atividades agrícolas, sol, água, riquezas do subsolo, riquezas do dos rios e mares, entre outros. Mas, a riqueza vem das benesses ambientais, da capacidade de produzir, industrializar e comercializar. Como se diz, somos um país rico, de povo pobre!
O caixa do governo (municipal, estadual e federal) é igual como de uma empresa, de uma família, de ti leitor. Tem as rendas mensais e as despesas, quando sobra dinheiro é lucro, quando falta “é prejuízo”, se entramos no vermelho, estamos inadimplentes. Para não quebrar apelamos para os empréstimos bancários, de amigos e parentes, agiotas, entre outros, pagando juros muitas vezes altíssimos. Há muito custo e trabalho, poderemos pagar os empréstimos e sair do vermelho. Caso contrário, chegaremos em um momento que “não conseguiremos mais pagar as contas”, e vamos para a SERASA, ficando sem crédito na praça, e “proibidos de comprar a prazo”, levaremos processos de cobrança de dívida, e acabaremos se desfazendo de bens para pagá-las. Entretanto, muitas vezes as dívidas contraídas nos levam a falência, e perdemos tudo o que se levou uma vida para conquistar. Lembrando que os percentuais dos juros estão afetos ao governo.
E quanto aos governos, não é diferente. O diferencial é que o governo pode criar mais leis para aumentar os impostos. E quando não faz o dever de casa, que é reduzir os custos, vai aos bancos buscar mais dinheiro, e a bola vai aumentando, pagando cada vez mais juros, e mais juros!
Dentre os 10 gastos mencionados na matéria anterior, só tem uma atividade que é geradora de riqueza (PIB) – a agricultura, que gerou R$ 3,11 trilhões. E o governo federal investiu apenas R$ 34,3 bilhões (0,6%). Setor da economia superavitário.
Gasta-se R$ 159,5 bilhões com o Bolsa Família, e apenas R$ 7,9 bilhões em juros para subsidiar o agro. O custo é 20 vezes mais que o Agro.
Nas contas do PIB brasileiro, os grandes grupos são Agropecuária, Indústria e Serviços. Nessa classificação, a extração mineral integra a Indústria, embora costume aparecer no setor primário na divisão didática.
Os setores econômicos do Brasil estão organizados em três grandes grupos, conforme o tipo de atividade: 1º) Setor primário que abrange produção de matérias-primas e exploração de recursos naturais. Por exemplo: agricultura, pecuária, pesca, silvicultura e extrativismo vegetal; 2º) Setor Secundário que abrange a transformação de matérias-primas em produtos e atividades industriais. Por exemplo: indústrias de alimentos, celulose e papel, móveis, veículos, construção civil e geração de energia; 3º) Comércio e prestação de serviços às pessoas, empresas e ao poder público. Por exemplo: Comércio, transportes, bancos, educação, saúde, turismo, consultoria e administração pública.
Todos esses setores geram valores econômicos e contribuem para o PIB. Além disso, agronegócio não é sinônimo de agropecuária, abrange também atividades industriais e de serviços ligadas à produção agropecuária.
Em 2025, o PIB do Brasil foi de aproximadamente R$ 12,7 trilhões. A Agropecuária contribuiu com o valor adicionado de R$ 775,3 bilhões (6,1% do PIB); a Industria com o valor de R$ 2,6 trilhões (20,5%); os Serviços com o valor de R$ 7,6 trilhões (59,8%). Neste caso, o PIB total corresponde a soma do valor adicionada pelos setores mais os impostos sobre produtos, líquidos de subsídios. Dados do IBGE 2025.
Quanto ao comercio com o exterior, o Agronegócio teve um superavit de aproximadamente US$ 149,1 bilhões de dólares; já a Industria de transformação teve um déficit de aproximadamente US$ 71,1 bilhões de dólares; e da mesma forma os Serviços, déficit de US$ 52,9 bilhões de dólares. Em resumo, o agronegócio é fortemente superavitário no comércio exterior. Mas, ambos os déficits quase engoliram o superavit.
De novo, a produção anual da econômica – PIB em 2025 foi de R$ 12,70 trilhões. As receitas dos governos nas 3 esferas foram de R$ 5,02 trilhões (39,5%). As despesas dos governos incluindo os juros foram de R$ 5,96 trilhões (46,9%). Portanto, há um déficit de R$ 940 bilhões (7,4%).
Em linguagem corriqueira para cada R$ 100 produzidos pela economia, os governos receberam aproximadamente R$ 39,50 e tiveram despesas de R$ 46,90. Faltaram R$ 7,40 para fechar suas contas. Portanto, ao administrarem o nosso dinheiro, gastam mal, e mais do que arrecadam. Como não cumprem o teto de gastos? Tudo podem, e nós sempre trabalhando e pagando a conta. Podem entender qual é o final desta história?