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Opinião

Essencialidade: O exemplo dos essênios

Marcos Vinícius Simon Leite
Por Marcos Vinicius Simon Leite
Foto Divulgação

Nesses dias do novo normal, seja por necessidade ou mesmo por obrigação, deparamo-nos diariamente com o “viver o essencial”. Prova disso, são termos como “atividades essenciais”, serem pauta diária de nossos governantes, importando em oferecer limitações físicas, filosóficas e comportamentais no enfrentamento desses nossos desafios.

A essência, portanto, sob certa concepção, é um conjunto de determinados limites, fundamentais à atividade humana. Falar em limites é sempre delicado, pois a interpretação e a perspectiva individual é sempre questionável e costuma ter grande abrangência. Mas quando se fala em viver o essencial, se busca, acima de tudo, manter um equilíbrio individual, capaz de produzir resultados na coletividade.

E por mais que anos passem, com toda a tecnologia que alcançamos, ainda vivemos numa era de valorização das individualidades. O exemplo está por todo lado. Mas que relação podemos traçar entre os essênios e a essencialidade? Resumidamente, os essênios foram um povo que habitou a região do Mar Morto, por séculos antes de Cristo. Plínio (23 a 79 d.C), Imperador Romano chamado de “apóstolo da ciência romana”, era contemporâneo dos Essênios e os definia como uma raça própria, mais notável que qualquer outra no mundo.

Em sua cultura, os essênios eram conhecidos pela comunicação com os anjos do céu, que se dava através de uma interessante rotina semanal. Dedicados à agricultura, acordavam antes do sol nascer, faziam comunhões, repetindo o ritual à noite. Ao meio dia, faziam contemplações dos sete níveis da Paz. A Paz com o Pai Celestial, com a mãe Terra, com a Cultura, com a humanidade, com a família, com a mente e com o corpo. Andavam em grupos, liderados sempre por um ancião, contando com três iniciados. Tinham hábitos alimentares muito diferentes dos demais povos, não consumiam animais e eram praticantes do jejum.

Os essênios constituíram uma civilização muito avançada e evoluída para o seu tempo. Não possuíam armas nem exércitos. Suas propriedades eram coletivas, mas muito longe do que as doutrinas socialistas pregariam anos mais tarde. Não possuíam escravos, transformaram desertos em produtivas propriedades e seus excedentes serviam a outros povos. Naquele povo não existia a diferença entre ricos e pobres e a harmonia não dava vez para a cobiça e outros pecados capitais. Viviam, por que não dizer, na essência. Mas enfim, que relação há entre os essênios e a essencialidade? Etimologicamente, a palavra essência, provém do latim, esseni.

Todavia, não é possível dizer que o termo essência provém do povo essênio, por mais verossimilhança que haja. Porém, o mais interessante disso tudo, é que a tão desejada paz e harmonia, já foi vivida na prática por um povo ímpar em relação ao seu tempo, um povo que possuía princípios fundamentais praticados e vivenciados a cada dia da semana, liderado por experientes anciões, cuja exuberante saúde os permitia viver mais de um século. Diante disso, como não se questionar.

Como um povo conseguiria tudo isso em um tempo tão mais hostil do que o atual. Nesses nossos dias, onde a essencialidade se tornou necessidade, há uma certa esperança de que possamos viver dias melhores. Infelizmente, a humanidade precisará de muitos anos para entender que a paz e a harmonia dependem muito mais de mudanças culturais e profundas do que simplesmente da tecnologia. Afinal, como dizia o Imperado Plínio, “todos os animais conhecem o que lhes é salutar, exceto o homem”.

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