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Opinião

O Sapateiro de Bruxelas e as Eleições 2020

Alcides Mandelli Stumpf
Por Alcides Mandelli Stumpf
Foto Rodrigo Finardi

Em sua última live - evolução tecnológica assimilada em cumprimento às regras de distanciamento social-, o Sapateiro de Bruxelas mostrou-se totalmente cabreiro e deveras sorumbático em relação às próximas eleições municipais no país. O calejado influenciador de rodas de cafezinhos - predecessoras honestas das atuais não tão honestas redes sociais - se diz inconformado com algumas situações esdrúxulas que envolvem o dito pleito. Segundo o ilustre aconselhador, o regramento vigente se apresenta obscuro e aparentemente feito por encomenda para facilitar a vida de profissionais da área.  E explica sua sombria suspeição em três ou quatro argumentos que parecem irrefutáveis.

Aponta – com o dedo em riste e linguagem peculiar - o obsceno Fundo Especial de Financiamento de Campanha, vulgo Fundo Partidário ou simplesmente Fundão, para os íntimos. Ou seja, polpudos recursos subtraídos dos cofres públicos, - valores estes fornidos pelos esfolados contribuintes -, a serem torrados nas campanhas eleitorais de 2020.

O Congresso Nacional, sem a menor compostura, vergonha na cara ou sensibilidade, alheio ao sofrimento da nação em pleno curso da pandemia Covid-19, persiste em queimar o erário em favor de seus apaniguados. A maioria, indefectíveis parasitas, age em conluio a favor de seus adestrados e substituíveis títeres, sem dar a mínima importância ao temível mal que assola a pátria.

Afirma o mestre, ao recorrer à cortante ironia, que o Clube da Mamata segue em pleno e alegre funcionamento em Brasília e outros fundões, independente da coloração das bandeiras sanitárias. Ressalta que a manutenção do malfadado Fundão, nas atuais circunstâncias, além de mostrar que o bicho homem é o único animal que faz barganhas em detrimento da manutenção da espécie, constitui escárnio à opinião e às reais necessidades públicas.

Outro absurdo, no entender do belga, acontece pelo exíguo tempo destinado à consecução de debates e confrontamento de ideias. Chama de Campanha Relâmpago, a inconsequente redução de exposição dos postulantes e suas respectivas propostas. E alerta: O resultado do Relâmpago poderá vir acompanhado de um fulminante raio.

O prócer afirma que mais uma vez as velhas raposas mancomunadas não disfarçam o nefasto corporativismo ora vigente. Para esses predadores natos é muito mais fácil colar à urna uma figurinha carimbada do ramo, que construir uma imagem alternativa e realmente inovadora. Sem falar do submundo da internet, que se encarregará de dar acabamento ao serviço sujo já iniciado na superfície.

O terceiro motivo de indignação acontece pela logística do processo eleitoral em si. No entender do belga houve retrocesso inexplicável depois de efetivados investimentos milionários em propaganda, tecnologia e informação para a identificação digital dos eleitores. Por sua vez, a Justiça Eleitoral, dissociada dos fatos e gastos, à conta do Coronavírus, determinou o retorno à velha identificação analógica tipo cara crachá, como se no transcorrer efetivo da votação não houvesse o inevitável contato direto dos dedos votantes com as surradas teclas das urnas eletrônicas. Tamanhas arlequinadas e tantas outras seriam cômicas se não fossem trágicas – afirma o bruxelense.

Por outra, para paz e gaudio dos pupilos, o artífice se diz momentaneamente confortável com as nominatas e presumíveis composições locais. Segundo as palavras do Sapateiro, os pré-candidatos - até agora - são homens honestos, honrados e portadores de larga e reconhecida experiência administrativa. E certamente, de forma igualmente honesta e clara, deverão apresentar as melhores alternativas para o futuro da cidade.

Como é de seu gosto e perfil, o mestre que cultua a História Universal e personagens célebres, faz uma curva retórica (essa foi forte) e traz à baila citações de grandes pensadores. Desta vez, nada menos que Nicolau Maquiavel e Leon Trotsky.

Maquiavel filósofo, historiador, diplomata e poeta de origem florentina do Renascimento, foi o fundador da ciência política moderna, além de ter sido o primeiro a falar de Estado na concepção atual. Popularmente conhecido pela máxima em política, “o fim justifica os meios”, também é de sua lavra a não menos famosa sentença: Dê o poder ao homem, e descobrirá quem realmente ele é.

Trotsky, intelectual marxista e revolucionário, figura central da vitória bolchevique na guerra civil russa no início do século passado, que entre outras proezas foi amante de Frida Kahlo e acabou por morrer no México, com uma picareta enterrada no crânio, a mando do camarada Stalin. É de sua criação a seguinte preciosidade: A vida é bela. Que as futuras gerações a limpem de todo mal, de toda opressão, de toda violência, e possam gozá-la plenamente. Também pertence a Trotsky outro juízo tão sagaz quanto enigmático: Se os fins justificam os meios o que justifica os fins?

Assim, o experimentado guru recomenda um minuto de atenção aos fatos e pensamentos acima expostos, desde as argumentações iniciais às reflexões complementares. Objetivamente, para o mestre, pode estar aí a chave, o segredo da esfinge eleitoral: conhecer o candidato, suas circunstâncias e suas reais intenções.

Na mesma toada, de forma insistente, o artesão convida o eleitorado a meditar sobre qual a genuína origem e principalmente a verdadeira finalidade que move cada aspirante a tão almejado cargo.

Ao fim e ao cabo da live, de modo solene, Sapateiro de Bruxelas lembra aos seus seguidores que as verdades, na maioria das vezes, são coisas simples... e um dia – por bem ou mal - descobriremos que elas são essências à construção do futuro melhor.

 

Médico e membro da Academia Erechinense de Letras.

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