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Opinião

Aprender a envelhecer – Paradigma da vida

Marcos Vinicius Simon Leite
Por Marcos Vinicius Simon Leite
Foto Divulgação

Semana passada, sonhei repetidamente com a imagem de um quadro que dizia: Aprenda a envelhecer! Este sonho, me vez viajar num emaranhado de experiências que tive nesses meus 46 anos. Então, me pus a observar e pensar, porque devemos aprender a envelhecer, afinal, este fenômeno da vida, tem início no dia em que nascemos, embora só percebamos depois dos 40.

Quando tinha vinte e poucos anos, um colega pouco mais velho me fez uma pergunta intrigante: Você sabe o que você vai ser daqui a dez anos? No auge de minha juventude, aquela pergunta me provocou muitos pensamentos. Mas meu colega, com um sorriso sarcástico me respondeu: É simples, basta você encontrar alguém, que há 10 anos atrás, fez o que você está fazendo hoje. Pimba!!!

A resposta do meu amigo abriu meus horizontes e, lá na frente, me deparei com um obstáculo: Quem seria hoje a pessoa que há 10 anos atrás fazia o que estava fazendo à época? Foi muito difícil encontrar. O modelo mais parecido que encontrei, morreu trabalhando no mesmo escritório que eu, aos 40 anos. Era saudável, praticava esportes, pessoa calma, pai de dois filhos, casamento bom. E tive o azar de encontrar esse amigo caído no banheiro do escritório. Morria ali o meu paradigma. Depois daquele dia, nunca mais tinha pensado em paradigmas.

O paradigma, nada mais é do que um modelo, um exemplo ou um padrão. A cultura judaica, assim como a essênia (recentemente escrevi sobre esse povo), são exemplos de povos que cultuam a figura do ancião e, sobretudo, valorizam sua importância nas famílias e na sociedade. Os anciões também cresceram espelhados nos exemplos de outros anciões e assim, vão estabelecendo modelos comportamentais, nos mais variados espectros da vida humana. Esse olhar pra trás, pros antepassados, em verdade, é um modelo de visão de futuro, desde que exista diálogo para aprimoramento desses valores sociais. É um modelo de depuração de valores.

Vale lembrar que paradigma não deve ser algo que exercite a sua inveja. Um bom paradigma deve inspirar as pessoas, simplificar, mostrar que é possível. Vejam o exemplo da Rita Lee. Roqueira, debochada, crítica, vive hoje isolada num sítio, buscando na natureza, a harmonia que sempre empregou a seus acordes. Aceitou o tempo e faz dele um elemento importante pra quem não tem muitos anos para produzir. Aos loucos, uma esperança.

E como a vida não tem receita, não tem modelo, nunca foi tão fácil, nos dias de hoje, preparar a vida para a velhice e, porque não dizer, aprender a envelhecer. Com as informações ao alcance da mão, cuidar da saúde, acessar bons conteúdos, torna essa tarefa mais fácil pra quem não tem ancião. E pra finalizar, nesse sincronismo da vida, um dia após o meu sonho, recebi de um amigo muito querido uma mensagem de whatsapp, Com respeito ao autor que me chegou desconhecido, reproduzo algumas das pílulas da felicidade:

1. Acabei de perceber que não sou "Atlas". O mundo não repousa sobre meus ombros.

2. Parei de negociar com vendedores de frutas e verduras. Afinal, alguns centavos a mais não vão abrir um buraco no meu bolso, mas podem ajudar o pobre homem a economizar para as taxas escolares da filha.

3. Pago o taxista sem esperar o troco. O dinheiro extra pode trazer um sorriso ao seu rosto. Afinal, ele está trabalhando muito mais duro do que eu.

4. Parei de dizer aos mais velhos que já contaram a mesma história muitas vezes. Afinal, a história os faz trilhar o caminho da memória e reviver o passado.

5. Aprendi a não corrigir as pessoas, mesmo quando sei que estão erradas. Afinal, a responsabilidade de tornar todos perfeitos não é minha. A paz é mais preciosa do que a perfeição. Se a pessoa vive na bolha, não fure sua bolha.

6. Dou elogios de forma livre e generosa. Afinal, melhora o humor não só do destinatário, mas também de mim mesmo!

7. Aprendi a não ser incomodado por alguma mancha na minha camisa. Afinal, a personalidade fala mais alto do que as aparências.

8. Estou aprendendo a não ter vergonha de minhas emoções. Afinal, são minhas emoções que me tornam humano.

9. Aprendi que é melhor abandonar o ego do que romper um relacionamento. Afinal, meu ego vai me manter distante, enquanto com relacionamentos eu nunca estarei sozinho!

10. Aprendi a viver cada dia como se fosse o último. Afinal, pode ser o último.

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