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Opinião

Homenagens monumentais

Elisabete Maria Zanin
Por Elisabete Maria Zanin
Foto Divulgação

Vivemos, neste ano de 2020, diversos ocasiões onde monumentos e estátuas foram derrubadas e, com isso, a oportunidade de refletirmos sobre a pertinência de algumas homenagens que se espalham por nossas cidades.

Juremir Machado da Silva escreveu, recentemente, em uma de suas crônicas diárias que “o acerto de contas com os pedestais está na ordem do dia”. Segundo ele, as estátuas estão sendo julgadas por multidões nas ruas e, neste contexto, faz aos seus leitores a pergunta: “Que estátuas você derrubaria ou recomendaria a retirada? ” Questiona ainda se não seria interessante, de tempos em tempos, revisar homenagens e dar oportunidade a novos homenageados.

Esse questionamento me fez relembrar os monumentos, placas e estátuas expostas em praças, canteiros centrais e parques de nossa cidade que foram inventariadas em um estudo de iniciação científica, realizado no ano 2000.

Como sabemos, a cidade de Erechim foi planejada pelo engenheiro agrimensor Carlos Torres Gonçalves, que estabeleceu como traçado urbanístico do sistema viário o quadriculado em xadrez, similar às obras de Hipódamos de Mileto (séc. V a.C.), com o acréscimo de avenidas diagonais e a inclusão de um eixo monumental para as homenagens. A avenida principal, Maurício Cardoso, é esse eixo e foi traçada pela orientação dos pontos cardeais magnéticos (Norte – Sul) e, em continuidade com a avenida Sete de Setembro, tem em seus canteiros centrais e praças articuladoras, monumentos, estátuas e placas que marcaram a história erechinense.

Um monumento em especial, em Erechim, me chama a atenção por sua singularidade. Trata-se do monumento vivo em homenagem à árvore, inaugurado em 21 de setembro de 1985, portanto há 35 anos. Localizado na Praça Jayme Lago, retrata a visão sistêmica de seus idealizadores quando unem um ipê amarelo, circundado de flores e uma coluna sustentando uma placa de metal que traz a seguinte mensagem: “A paisagem pode ser considerada um reflexo direto ao dinamismo da natureza e de seus sistemas sociais, que se altera constantemente e de acordo com o tempo e o movimento social. Árvore, símbolo da família, reflexo da união. A ela, nossa homenagem”.

Homenagear árvores ou vegetais de qualquer tipologia não é algo comum, mas quando acontece, demonstra a evocação do conhecimento científico e da sensibilidade humana. Afinal não desconhecemos que a nossa vida, assim como a de qualquer outra forma animal, depende do mundo vegetal.

Então, respondendo ao questionamento de Juremir, não sei quais monumentos sugeriria a retirada, mas opinaria por mais homenagens monumentais aos organismos dos quais dependemos, como humanidade, para sobreviver e dos quais grande parte da economia também depende.

Professora e Bióloga da URI – Câmpus de Erechim

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