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Opinião

Vamos falar de suicídio?

Demétrius de Luna Lopes Benevides - Psiquiatra Clínico e Forense
Por Demétrius de Luna Lopes Benevides
Foto Divulgação

O suicídio é um tabu na sociedade brasileira, até mesmo no meio médico. E para diminuir o estigma relacionado aos transtornos psiquiátricos e incentivar a busca por psiquiatra, a fim de prevenir esse ato extremo, foi criado o Setembro Amarelo – um mês dedicado a campanhas de conscientização sobre o tema.

No Brasil, o suicídio é a oitava causa de óbito, segundo o departamento de informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS). Na faixa etária de 15 a 29 anos é a terceira; e até os 45 anos é a quinta. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada vinte segundos alguém tenta tirar a sua própria vida. As estatísticas evidenciam a urgência em tratarmos e termos muita atenção ao tema, principalmente, diante de uma mudança radical de comportamento, que hoje, vivemos devido a pandemia de COVID-19.

Os estudos ainda identificam que 97% dos que pensam em suicídio sofrem de transtorno psiquiátrico. São os mais comuns: a depressão, o abuso de álcool e drogas, transtorno bipolar, psicoses, anorexia e bulimia. Todos possuem tratamento com boa eficácia, se tiver um atendimento médico precoce por psiquiatra.

 

Psiquiatra Clínico e Forense

Vale frisar ainda, os principais fatores de risco associados ao suicídio: desemprego; isolamento social; agressão física ou sexual; impulsividade; tentativas prévias individuais ou familiares; e existência de doenças crônicas. Neste ano de 2020, ainda temos a pandemia pelo novo Coronavírus neste contexto e, sem dúvida, o manejo por um profissional da área é de grande importância para minimizar tais situações.

Deve-se notar que 80% daqueles que tentaram suicídio falaram sobre a intenção com terceiros, no último mês prévio ao ato. Logo, amigos e familiares devem estar atentos com quem comenta sobre desejo de se matar e incentivarem a consulta médica com psiquiatra, para evitar um desfecho negativo.

Espera-se que não seja apenas no mês de setembro que possamos discutir o tema e evitar a perda de entes queridos, com todas as consequências negativas sobre a família e sociedade que o suicídio acarreta. Por se tratar de uma situação plenamente evitável, deve ser amplamente abordada sem estigmas, para que haja uma consulta médica precoce. Prevenir é salvar vidas!

 

 

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