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Opinião

Parabéns, Centro Cultural 25 de Julho! 40 anos na história da cultura erechinense!

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Marlei Klein
Por Marlei Klein
Foto Divulgação

Deixar a terra natal, abandonar o costumeiro e buscar a sobrevivência em um lugar desconhecido – com todos os riscos e implicações de uma decisão desse tipo – exige razões fortes. São principalmente os pobres que emigram e o fazem quando sua vida tradicional se torna difícil ou impossível. Juntam então seus últimos recursos, vendem o pouco que resta e partem em busca de um lugar onde supõem poder encontrar melhores condições de vida. Assim, foi a vinda do valoroso colono alemão, origem do desenvolvimento gaúcho na economia e nas artes.

Doação da antiga sede da etnia alemã ao município

O terreno do antigo Centro Cultural 25 de Julho, com o nome que homenageia o dia da chegada dos imigrantes alemães ao RS, foi doação à Prefeitura Municipal de Erechim. A sociedade pertencente à etnia alemã por volta de 1975 perdeu a maioria dos seus velhos lutadores. Muitos jovens, descendentes dessas famílias, mudaram-se para outras cidades. Chegava ao fim a vida social que, em ambiente acolhedor, proporcionou lazer e recreação aos erechinenses. Assim, o restante dos sócios pioneiros se reuniram em diretoria provisória tendo como presidente o senhor Frederico Goldeschmidt. Foi resolvido em ata de 15 de abril de 1978 que o Centro Cultural 25 de Julho, sociedade alemã, seria doado ao município com a promessa de construção de um espaço de cultura.

Registro em cartório

O doador Sociedade Cultural, com personalidade jurídica, representada pelos sócios Frederico Henrique Goldschmidt e Jan Kuchta, outorga donatária a Prefeitura Municipal de Erechim representada no ato pelo chefe do seu executivo Elói João Zanella. A escritura pública está lavrada no Primeiro Tabelionato em data de 29.11.1957 e que se encontra devidamente transcrita junto ao Registro de Imóveis desta cidade sob o número 65.708, às fls.167, do livro número 3 “AO”. O terreno doado, com antigas benfeitorias, é o de número 12, da antiga Rua Princesa Isabel, atual Rua Gaurama, com área de 1.050 metros quadrados.

Construção

Era premente a necessidade de uma casa cultural para Erechim, que respondesse aos anseios dos artistas não só da comunidade, mas também da região. Foram tomadas as providências preliminares que iniciaram com o lançamento da pedra fundamental em 03 de maio de 1981. Foi concretizado um espaço por onde passaram diversas gerações de artistas. Confortável e sempre atendendo às necessidades dos espectadores.

Inauguração no Centro Cultural 25 De Julho

Ao completar 65 anos de emancipação político- administrativa Erechim ganhou seu grande teatro. Era 30 de abril de 1983. Inaugurado festivamente deu abertura à Semana do Município. Grande presença de autoridades e convidados ao som, na entrada, da Banda Municipal. Momentos de glória à cultura erechinense. Chovia torrencialmente e a rua, ainda não calçada, ficou em péssimo estado. Não estive presente a este grande acontecimento, pois foi o dia em que a minha querida Mãe Thereza foi ao encontro do Pai Celestial.

A fita inaugural foi cortada com a presença do então Prefeito Municipal Jayme Luiz Lago, Ex-Prefeito Elói João Zanella, Dr. Ênio Cruz da Costa- Diretor da Escola de Engenharia da URGS e representando o antigo Centro Cultural e último Presidente o Sr. Frederico Henrique Goldschmidt.

Prefeito Jayme Luiz Lago

Falando aos presentes ele exaltou a grandiosa obra iniciada na administração de seu antecessor Elói João Zanella e que veio atender às aspirações da arte local. “...Dar condições para congregar a todos quantos, quer em grupo, quer individualmente, quer como profissionais, quer como amadores, independentes de suas modalidades, fossem discípulos da Arte foi o grande objetivo ao planejar e iniciar a execução do Centro Cultural 25 de Julho...”.

Dr. Paulo Dias Fernandes

Falou representando os antigos sócios da Sociedade Alemã: “... Há quase cinco anos um grupo de cidadãos de origem germânica, alguns mesmo nascidos na Alemanha, reuniram-se em nossa cidade. Não seria para tomar cerveja, nem para falar de tradições. Tampouco com o fim de executarem música, embora ali estivessem alguns remanescentes de nossa sempre querida Orquestra de Concertos. A finalidade era outra a de decidir a sorte do extinto Centro Cultural 25 de Julho. Esse velho casarão, que a nós todos lembram tantas noites de alegria e a esses teuto-brasileiros...Mas as ideias não morrem, se transformam e são assimiladas por causas novas, adaptadas às contingências, mas irredutíveis...O grupo trocou ideias e prevaleceu a de ser doado o terreno à Prefeitura Municipal, uma vez que o Prefeito tomasse a si o encargo de ali levantar um teatro...”.              

“O tempo vos lembrará”

“... até mesmo as poderosas pirâmides faraônicas, levantadas com o sangue e a lágrima de milhares de escravos, são apenas pálidos simulacros da eternidade... O tempo não os esquecerá! ” Foram as palavras finais do discurso do Dr. Paulo na ocasião.

Conclusão

 

O C.C. 25 de Julho é considerado uma referência no norte do RS e um dos poucos do Brasil que atende as demandas de artistas e público. O nosso Centro Cultural 25 de Julho é uma amostra das peripécias em que nos debatemos no terreno cultural, mas não deixa de ser uma evidência da crença em bons valores e nos homens. CENTRO CULTURAL 25 DE JULHO PARABÉNS E LONGA VIDA!

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