O calendário marca o dia da chegada dos primeiros imigrantes alemães ao Rio Grande do Sul: 25 de Julho de 1824. Organiza-se o primeiro núcleo colonial europeu na Província. Mal se poderia imaginar o milagre que viria acontecer. A conduta dos imigrantes é a de ordem, do trabalho e do respeito. Aos poucos, conquistam todos os setores de vida pública e social.
Imigrantes alemães
A vinda deles, de vários setores, mudou o visual do Rio Grande. O ritmo puramente pastoril da Província foi quebrado pelo aumento das lavouras, das oficinas, pelo alarido das escolas e pela abertura de novos caminhos para o escoamento da produção. Sua estrutura política, econômica e social ajudou a dar impulso e relevância à imagem da nova pátria.
A economia
A produção agrícola, em poucos anos, floresceu a ponto de a colônia abastecer a capital Porto Alegre. Além de agricultores, os alemães eram “Handwerkers” – artesãos –. Trabalhavam a madeira, o ferro, o couro e as fibras. Com seu trabalho, os artesãos formaram as bases da industrialização no Rio Grande e aconteceu uma grande concentração industrial no Vale do Sinos. Muitas grandes fábricas espalhadas pelas cidades de origem alemã começaram com artesanato, em pequenas casinhas de porta e janela, onde tudo era feito à mão.
Os sobrenomes alemães
Muitos estão ligados ao tipo de trabalho. Assim: SCHMIDT, é ferreiro – SCHUSTER e também SCHUMACHER, sapateiros – WEBER, tecelão – ZIMMERMANN- carpinteiro – SCHREINTER é marceneiro – SCHNEIDER é alfaiate – WAGNER é construtor de carroças – MÜLLER é moleiro e outros mais. Tudo era artesanal, iniciando pela construção de suas pequenas moradias.
A participação na economia
A história da participação germânica no desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul confunde-se com o próprio crescimento do Estado. Quando aqui chegaram, há 200 anos, se intensificou a expansão colonizadora do extremo sul brasileiro. Começou com a instalação da primeira fábrica de charutos em São Leopoldo, em 1832. Logo após viria a formação de novas indústrias na região de Gravataí. Mas a grande riqueza econômica do Rio Grande também se encontra no solo e nos campos. Na agricultura começaram com a produção de cana-de-açúcar, fumo, batata inglesa, feijão preto e mandioca. Isso tudo já era cultivado pelos indígenas, mas a grande expansão agrícola ocorreu nas mãos dos que chegaram.
Colônias fundadas
Nos séculos XIX e XX as colônias da grande Erechim, Ijuí e Santa Rosa iniciaram com uma grande produção de soja. O trigo foi durante algum tempo grande destaque nacional para Erechim. Começaram estas colônias a exportar modestas cinco toneladas de grãos de soja para o porto de Hamburgo-Alemanha. Hoje, são toneladas para o mundo todo.
O comércio
O comércio, aqui no Sul, iniciou pelo sistema de “trocas”. O autor Jean Roche escreve: “... o papel da Alemanha na economia do Rio Grande do Sul é quase tão antigo quanto a colonização”. Porto Alegre deve o que é hoje ao seu comércio. Tudo começou com as “trocas”. A participação alemã na economia gaúcha segue ativa, crescente e indissolúvel na história de progresso do nosso Estado. Na realidade, “...a fumaça da chaminé daquela primeira fábrica de charutos de São Leopoldo jamais se apagou”.
Escola comunitária
As escolas comunitárias e as igrejas foram o núcleo e a formação dos povoados na época dos colonizadores. A escola comunitária foi uma instituição que surgiu da necessidade sentida pelos por eles. A nova condição de vida e trabalho, as preocupações pela educação dos filhos fizeram surgir, por iniciativa comunitária, a escola ou a escola paroquial. Esse tipo de fundação tornou-se instituição característica em todas as comunidades rurais. Foi acompanhando as levas de migrantes que iam progressivamente povoando novas regiões. Esse tipo de escola foi a precursora da escola oficial.
Fator de progresso e elemento de cultura
A escola comunitária foi criada e mantida pela livre iniciativa. Surgiu como um desafio este modelo de escola, que tem a integração do binômio lar-escola e na atuação dos locais. Como as igrejas, na época, servia para encontros, festejos e para a socialização entre os imigrantes dos pequenos povoados. A sua presença também servia para a solução de problemas de toda a ordem. Sua presença formou núcleos de vida comunitária sólida e tranquila. Inicialmente, foram de nível bem fundamental, mas o acompanhamento da urbanidade as fez tornarem-se, em muitos locais, o que hoje são universidades.
A família e a escola
Os imigrantes alemães, nos primeiros anos de vida na colônia, não dispunham de escolas. Elas surgiram depois, os pais instruíam os filhos. Depois, homens e mulheres, incapazes no trabalho agrícola, incumbiam-se da instrução. Usavam uma cartilha escrita à mão. Com o tempo, chegaram alguns professores da Alemanha, bem como padres e pastores.
Conclusão
Os imigrantes alemães provindos, em sua maioria, de regiões muito pobres trouxeram muito pouco, além da sua simplicidade, da dedicação ao trabalho e de uma grande confiança em sua sorte nas novas terras. Suportaram o clima diferente, venceram a mata virgem, as doenças, o isolamento e a saudade. Com persistência, ajudaram a criar um Estado próspero e digno de um povo com resiliência e visionário. A presença alemã, em 200 anos, foi de lutas, de sonhos, de trabalho anônimo, de desalentos e alegrias. Aqui, construíram com seus irmãos de outras raças e credos o povo que somos todos nós.