Lá atrás, em 1993, com uma mochila maior que eu, um uniforme escolar e um tanto de expectativas e medos, entrei pela primeira vez no Colégio Nossa Senhora Medianeira ou, simplesmente, Marista Medianeira. Eu, um Padawan em treinamento, com 5 anos, entrava na chamada Pré-Escola. Nessa época, a instituição não tinha nem carteirinha de idosa, somava 58 anos. Uma jovem adulta responsável.
Saí em 2001, ao concluir a 8ª série. Ainda não existia o 9º ano, e o Ensino Médio ainda era um sonho. A escola, então com 66 anos, já esbanjava sabedoria e, talvez, um ou outro direito adquirido pelo tempo de serviço. Cheguei a achar que minha história com ela terminava ali. Mal sabia eu que aquele “pequeno ciclo” seria, na verdade, o início de um vínculo afetivo que perdura até hoje.
Quando meu tempo escolar chegou ao fim, foi a vez do meu irmão continuar o caminho e, logo depois, meus sobrinhos e afilhados. Mas confesso que o verdadeiro sonho era ver meu filho trilhando o mesmo percurso que um dia foi meu. E, por muito tempo, achei que isso não seria possível. Mas a vida acontece quando tem que acontecer.
Neste ano, em que o Medianeira completa 90 anos, volto a fazer parte desta história. Meu filho, agora aluno do Nível I, dá seus primeiros passos nos corredores onde tanto aprendi e que, segundo ele, “ficava me observando” nos meus cantos favoritos. E então entendo o porquê de ele se sentir tão à vontade neste espaço. Sempre foi dele, era apenas uma questão de tempo. Minha esposa agora integra o time de educadores e eu... voltei como pai, membro da APAMEM e jornalista que, de vez em quando, tem o privilégio de contar algumas das histórias da escola, que vez ou outra estampam suas paredes.
Muita coisa mudou, mas a memória afetiva permanece intacta. A estrutura física teve melhorias significativas. A fachada, fora as cores, segue praticamente igual às minhas lembranças. Sabe aquele carinho de casa de vó? Não tem nada a ver com idade, tem a ver com afeto, com saber que você pode ir onde for, mas sempre terá para onde voltar. Assim é a escola.
Foram tempos de aprendizados, joelhos ralados, lanches compartilhados, bilhetes trocados, primeiros amores, decepções, amizades, caronas na Paraty do Irmão Luís e escapadas para a capela - o que era proibido - nos dias frios. Guardo até hoje na memória uma música que a professora da Pré-Escola nos ensinou e que dizia mais ou menos assim: “a esta escola que é tão querida, escola mestra e que me prepara para o dia de amanhã”. Mal sabia eu o quanto essa letra faria sentido décadas depois, agora que vejo meu filho vivendo o “amanhã” que me prepararam ontem.
O Medianeira não é apenas uma escola. É um capítulo importante na minha história e na de tanta gente. É um lugar que forma não só alunos, mas cidadãos pensantes, críticos, éticos e humanos. Vai além do conteúdo: ensina sobre respeito, empatia, convivência e solidariedade. E isso, convenhamos, é o que permanece vida a fora.
Hoje, com 90 anos, o Medianeira segue escrevendo novas páginas e, posso afirmar, é uma alegria genuína ajudar a preenchê-las e ser parte dessa história. Que venham mais 90 anos, pois espero que a aposentadoria não esteja nos planos da escola.
Parabéns, Colégio Nossa Senhora Medianeira. Obrigado por ser ponte entre gerações, histórias e pessoas. Que São Marcelino Champagnat e a Boa Mãe continuem guiando e iluminando cada um que fez e faz essa escola acontecer todos os dias!