21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

Viagem Transiberiana de Trem: Rússia – Sibéria – Mongólia – China – (21)

teste
Marlei Klein.jpeg
Por Marlei Carmen Reginatto Klein

A Mongólia com suas estepes e desertos era tradicionalmente uma terra de pastores nômades. O tempo moderno, porém, obrigou-os a mudar seu estilo de vida. O mundo dos mongóis é um mundo em transição, precariamente equilibrado entre a época moderna e os dias em que tribos nômades seguiam a liderança de Gengis Khan e espalhavam o terror pelo mundo civilizado. Nos últimos anos, houve uma intensa migração para as cidades na Mongólia para trabalhar na mineração: minas de carvão, cobre, ferro, ouro.

 

A vida no passado

Para o número cada vez menor de mongóis, que seguem os antigos costumes, a vida ainda se resume a procurar pastos para cavalos, carneiros, camelos e cabras. Os solos da Mongólia são tão pobres que um pasto não pode ser usado continuamente por muito tempo. Em várias regiões, os nômades não mudam mais de acampamento entre o verão e o inverno

 

Quem foi Gengis Khan (1162-1226)

Gengis Khan foi um conquistador mongol nascido com o nome de “Temujin”, num local próximo ao Lago Baikal. Aos 10 anos, ficou prometido em casamento com Burte, filha do chefe de uma outra tribo. Casou-se aos 17 anos. Ele conseguiu conquistar e unir diversas tribos da Mongólia. Foi, então, chamado de Gengis Khan que significa “soberano supremo”. Ele foi enterrado no Deserto de Gobi com o seu cavalo. Um dia ele ressuscitará e uma legião de vivos e de mortos o seguirá. Isso é o que os mongóis esperam. É incrível, mas o guerreiro ainda é um ídolo na Mongólia. Lembro, quando eu era menina, aos domingos à tarde, no Cine Ideal nas matinés, assisti a vários filmes e seriados com o herói Gengis Khan. Hoje, estes filmes são encontrados no Youtube.

As selvagens tribos da Mongólia, unidas sob a liderança de Gengis Khan, partiram, em 1206, para conquistar o mundo. Seu império chegou a se estender do leste da Europa ao Mar da China. Os mongóis varreram o norte da China, em 1209. Conquistaram a península coreana dez anos depois e, em 1279, seus descendentes, dominavam toda a China. A corte do “Grande Khan” foi opulenta resultando em construções de cidades magníficas. Nesse tempo surgiram novidades como o papel moeda e o uso do carvão.

 

Kubilai Khan

O neto de Gengis mudou a capital chinesa para Pequim, pois os mongóis eram os donos da China. Apossou-se de terras tanto dos camponeses como dos chineses ricos para presentear seus partidários. Kubilai tentou duas vezes invadir o Japão, mas terminou em desastre. Os chineses não estavam contentes com a dominação estrangeira, pelos altos impostos e pela muita discriminação. Começaram a fomentar rebeliões. A corte “Grande Khan” foi derrubada, em 1368, por um general camponês que fundou uma nova dinastia. Esta foi a origem da famosa dinastia Ming da China. Começou o declínio e queda do Império Mongol. Estes que chegaram até a Europa, na Áustria, no século XVII. A Mongólia foi derrotada e tornou-se província da China.

 

Em Ulan Bator

Praticamente, passamos dois dias visitando Ulan Bator e os arredores. Descemos do trem somente com a bagagem de mão para passar a noite no Hotel Ramada Ulaanbaatar City Center. À tardinha, assistimos ao maravilhoso desfile “Noivas” na National Academic Theatre of Mongolia, já relatado. O jantar foi no Hotel. Especialmente para o grupo, foi servido o que é uma tradição em Ulan Bator: o Churrasco Mongol ou o “fondue mongol”. Em mesas para quatro pessoas havia um pequeno fogão elétrico, com quatro pequenas panelas, pãezinhos, vários temperos, caldos e molhos.   No centro do salão, uma enorme mesa, de toalha alvíssima, de pratos com vegetais, massas, carnes, grãos, palitos de massa, frutas secas. Há um ritual para servir-se: cada um, com sua panelinha, vai para a mesa principal buscar o que lhe agrada. Começa com o caldo e vegetais ou massas. Volta para a mesa e aquece no fogão. Cada um dos quatro segue as suas preferências. Chás e vinhos acompanham a refeição. No final, foram entregues lindas taças para sorvete. Um aparador exibia diferentes tipos de gelados para serem escolhidos. Não é necessário dizer que foi um longo jantar com muita conversa, animação e ótimo fundo musical.

 

Na Mongólia

Antigamente, havia o bárbaro costume de enterrar o guerreiro com o seu cavalo. Mais tarde, o país converteu-se ao “ budismo tibetano” e esse hábito foi sendo afastado. Depois do país ter passado pelo regime comunista, que durou de 1924 a 1989, tornou-se “República Parlamentar Democrática”. Livre e aberta com a maioria da população vivendo na cidade. Hoje, considera-se que somente uns 25% da população ainda vive no interior. Os que nele habitam são nômades pastores. Criam gado, caprinos e outros. Algumas fazendas dedicam-se ao uso do leite e realizam a fabricação de produtos lácteos. A vida nos campos é muito difícil, pois no inverno a temperatura chega a 55 graus negativos, então o transporte é feito com cavalos resistentes e, atualmente, as motocicletas estão paradas nas portas das yurtas- cabanas de habitação.

 

Acampamentos mongóis

Como fizemos visita a um acampamento que cria gado, observamos, que as tarefas diárias se resumem a cuidar do gado e a fabricar derivados do leite: coalhada, creme e “airag” – uma espécie de bebida fermentada feita com leite de égua. Esses produtos são trocados por alguns dos confortos da vida moderna. Entretanto, o sistema de troca não combina com uma sociedade que começa a mostrar sinais de consumismo: a televisão levou aos mongóis um mundo novo, com novas imagens, novos sonhos e novos desejos. Em Ulan Bator a modernização se vê a partir dos automóveis que começam a substituir os cavalos nas ruas. O futuro é cada vez mais promissor na capital da Mongólia. Os jovens buscam estudo e tecnologia na Europa e na América.

 

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;