Mongólia- Revendo a sua capital: Ulan Bator
Deixou de ser uma parada obrigatória para as caravanas que pretendiam atravessar o deserto de Gobi – onde está enterrado Gengis Khan com o seu cavalo- para ser um centro de modernização. Por trás da austera capital administrativa de uma antiga nação satélite soviética, Ulan Bator, hoje, é uma cidade voltada par o futuro. Com muita população jovem, o país, assim que pôde, libertou-se da ditadura comunista. A nação foi satélite da União Soviética até 1990, quando, com o colapso do império soviético, optou por um regime democrático. O velho estilo de vida nômade estava ficando ultrapassado e a população começou a preferir a modernidade – cibercafés para os antigos nômades. Os jovens mongóis começaram a viajar para o exterior para estudar em universidades europeias e aprender como funciona o mercado de ações.
Modernidades aconteceram
Ulan Bator tornou-se uma cidade muito mais alegre, com vários bares temáticos, cibercafés e um cassino. A carne de carneiro não é mais o principal item do menu. Agora, compete com pratos turcos, indianos, italianos, africanos e franceses. Os clubes noturnos surgiram no centro da cidade, perto da estátua de Lênin.
Voltando ao trem
Depois do maravilhoso intervalo de viagem passado em Ulan Bator e no Hotel Ramada Ulanbaatar City Center foi o retorno ao trem. Já estava escuro e uma linda lua brilhava no límpido céu. A temperatura estava mais fria e o restaurante do trem iniciou o jantar com o tradicional ensopado de carneiro. Depois, uma carne de gado grelhada e a delicada mistura de sabores de uma salada de folhas com frutas frescas. O grupo estava animado e foram feitos brindes com os cálices de vodca. Sempre, nas refeições do trem, as bebidas para acompanhar eram água, vinho, cerveja chinesa ou conhaque francês. No final, um delicioso chá quentinho que poderia ter sabor de maçãs.
Descanso interrompido
Todos foram cedo para as suas cabines, pois o dia seguinte seria muito prolongado. O nosso casal acompanhante Nicolai e Elena já haviam se recolhido. Mas, ao usar o nosso banheiro aconteceu um problema com o vaso sanitário. Estava entupido. Ao puxar a descarga, vasou água. Chamei o Nicolai. Ele apareceu na nossa cabine vestindo um largo pijama de malha xadrez em marrom e amarelo com uma touca na cabeça. Ao ver aquele homem imponente, assim vestido, desandei a rir e não conseguia parar. Saí do local e fui para o corredor deixando o meu marido com o Nicolai. Este sempre muito prestativo, mas a sua figura parecia ser de desenho animado. Bem, era proibido jogar papel no vaso. Aconteceu com o nosso vizinho e o Nicolai acabou resolvendo. As duas cabines ficaram na espera, pois foi necessário abrir umas caixas de esgoto debaixo dos banheiros. Depois, tudo passar por limpeza e desinfetantes. O barulho foi tanto que todo o grupo acabou no corredor. Aí, foram piadas, risadas e uma festa de pijamas. Escrevendo, recordo a situação e começo a rir lembrando a festa da madrugada e a figura do Nicolai. Que momentos deliciosos!
Visita de dia inteiro ao Parque Nacional de Terelj
Saindo do trem e com ônibus rumamos ao Parque Nacional de Terelj, que ficava a 80 quilômetros de Ulan Bator. O dia estava fechado e chuviscava. Os motoristas tiveram dificuldades de chegar, pois era no interior e parte da estrada, de chão batido. Foram vários ônibus, pois os viajantes eram muitos. No caminho aconteceu uma parada para ver a Rocha da Tartaruga. Realmente ela parecia ser mesmo um grande animal. Uma guia local nos acompanhava e foi explicando. Uma outra parada numa pequena vila de “yurtas”. Parece incrível, mas naquele deserto, num pequeno povoado de yurtas havia uma “lojinha” – a Art Shop – do vilarejo. Havia umas lindas lembranças para comprar em artesanato. Foram compras muito interessantes e muito aprendizado sobre as artes da Mongólia.
Visita a uma família
Continuando a viagem pelo interior, fomos notando que a paisagem da Mongólia é de uma beleza inesperada em uma terra inóspita. Largos campos rodeados de montanhas rochosas. Passando e vendo animais pastando e grupos de “yurtas” espalhados. Estas também são chamadas de “gers”. Fomos recebidos por uma família em sua “yurta”. Na época do comunismo, as famílias do interior deviam criar gado em fazendas coletivas, em vez de possuírem o seu próprio rebanho. Com isso, aconteceu uma intensa migração interna do campo para a cidade. As famílias, hoje, numerosas criam os seus rebanhos de gado, cavalos, camelos e cabras. O inverno é muito rigoroso e desaparece o verde dos campos e a neve domina. Então, os homens levam os animais aos sopés das montanhas, onde o clima é um pouco mais ameno. Para os animais, escavam o gelo em busca de pasto seco. Passado o mau tempo, volta a rotina nos acampamentos: cuidar dos rebanhos e fabricar derivados do leite: coalhada, creme de leite e “airag” que é leite de égua fermentado. Esses produtos são vendidos nas cidades e, com a renda, compram confortos para as suas yurtas. Todos possuem a sua televisão. Muitos usam o computador. O poder público fornece energia e sinal de internet.
Conhecendo um pouco mais
Durante muitos séculos, a principal riqueza da Mongólia foram os rebanhos. Hoje, além da mineração continua, em escala menor, a criação de gado. Esta é para o país importante fonte de renda. Os rebanhos de cavalos fornecem, além de transporte no interior, o couro usado no vestuário e a crina usada para fazer cordas. Os conhecimentos necessários para criar e domar cavalos são passados de geração em geração. Os filhos dos nômades são criados para serem cavaleiros e com seis anos de idade começam a participar de corridas. A mais famosa acontece na capital Ulan Bator, durante o festival de Naadam. O mundo moderno obriga os mongóis a mudar seu estilo de vida. A luz trêmula dos aparelhos de televisão, nas “Yurtas”, sugere como será o futuro. A televisão levou ao povo do interior um mundo novo, com novas imagens, novos sonhos e novos desejos.