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Opinião

Animais benéficos ao ser humano – as corujas (Parte IV)

Ave do bem que limpa o ambiente urbano

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Roberto Ferron
Por Engº. Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

Hoje escreverei sobre uma ave também benéfica ao ser humano. Ave fascinante que desempenha um papel importante nos ecossistemas do Brasil e da América do Sul, cercada por crenças e mitos, símbolo de sabedoria para alguns ou de maus agouros para outros. A diversidade de suas espécies enriquece a fauna brasileira.

Trata-se de uma ave de rapina, uma incrível predadora – a coruja. Possui como características: bico curvo e afiado para perfurar sua presa; garras fortes para capturar e manipular seu alimento; visão e audição excelentes, contando com ótimo sistema sensorial para caçar. Além dessas características, as corujas possuem adaptações únicas para a alimentação noturna. Elas podem virar a cabeça em até 270º, o que auxilia na sua visão binocular (olhos grandes) e na percepção integral do ambiente.

Classificação: as corujas são classificadas no Filo dos Cordados, Classe das Aves, Ordem Strigiformes e Famílias Strigidae ou Tytonidae. Existe apenas um gênero na família Tytonidae (Tyto sp.) e aproximadamente 25 gêneros na Strigidae. Encontram-se distribuídas em todo o mundo, com exceção da Antártida.

Espécies: no mundo existem, aproximadamente, 220 espécies de corujas, e no Brasil são cerca de 25 espécies.

Habitat e distribuição: as corujas habitam todos os biomas do Brasil, desde a Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica. Na região Sul, há 17 espécies dessas aves.

Em suas características, hábitos e alimentação está o seu benefício ao ser humano. Como predadoras carnívoras, alimentam-se de diversos animais vivos, como outras aves, roedores, répteis, anfíbios, insetos e invertebrados, sendo besouros, ratos (alimento preferencial), gambás, morcegos, lagartos, rãs, cobras e aves (pardais, pombas-rolinhas etc.), entre outros. Uma curiosidade é que os ossos ingeridos são regurgitados em forma de pelotas, pois elas não os digerem.

As corujas evoluíram realizando caças noturnas; portanto, possuem características que lhes conferem inúmeras vantagens. Por exemplo, sua audição é tão incrível que elas são capazes de identificar os movimentos de uma presa, mesmo diante de muitos outros ruídos e obstáculos. Possuem, ainda, alta sensibilidade visual. Outra peculiaridade interessante é que seu voo é completamente silencioso. Isso porque a terminação das penas de suas asas possui um formato específico. Suas penas estão dispostas em intervalos, dando um aspecto chanfrado. Dessa maneira, o ar passa com mais liberdade, evitando o barulho.

Por terem hábitos noturnos, as corujas não possuem competição com outras aves, como os gaviões, que possuem hábitos diurnos. Normalmente, as corujas começam a caçar quando já é noite, entre 21 e 22 horas.

Outras aves costumam detestar a presença de corujas. Ao detectá-las, produzem sons estridentes, como gritos de advertência, para sinalizar às outras a presença da coruja, pois sabem que correm perigo com essa hábil predadora.

Temos uma espécie em especial, popularmente conhecida como coruja-de-igreja (Tyto furcata), conhecida por viver em ambientes urbanos, habitando sótãos de casas, galpões, coberturas de prédios e torres de igrejas. Essa coruja tem penagem branca, podendo ter entre 75 e 100 cm de comprimento, pesar até 1,0 kg e apresentar 1 metro de envergadura. Realiza apenas uma postura de ovos por ano. A quantidade de ovos varia de 4 a 7, e sua incubação pode alcançar 32 dias. Em 50 dias, os filhotes já estão aptos para o voo e só se separam dos pais após três meses de vida.

Essa espécie recebe esse nome, pois costuma realizar postura de ovos em edificações humanas, principalmente em torres de igrejas. Seus filhotes possuem forte vínculo com seus ninhos e com seus pais.

Muitas pessoas, ao avistarem nos céus à noite um “objeto voador branco”, acreditam ser um fantasma ou OVNI. Antes de partir para a caça e durante parte do voo, emitem um som agudo e estridente.

Em nossa cidade, na área central, próximo à matriz, já presenciei diversas vezes essa coruja-de-igreja em voos noturnos.

Para melhor entendimento da matéria, sugiro ao leitor consultar o Google e ver imagens e vídeos do gambá, da cobra muçurana, do lagarto teiú e das corujas.

Divulguem e auxiliem na preservação desta “ave do bem”!

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