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Opinião

A crise do petróleo

O Brasil exporta petróleo e importa diesel e gasolina

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Roberto Ferron
Por Engº Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto Ferron

A nova crise do petróleo, em função da guerra entre os EUA e o Irã, escancara a dependência do país em diesel, gasolina e derivados de petróleo, como nafta, entre outros. E, inclusive, nos insumos agrícolas (adubo e ureia).

E pensar que o Brasil é um importante produtor mundial de petróleo, tendo 0,90% das reservas mundiais, produzindo 4,277 milhões de barris e ocupando o 9º lugar no ranking mundial. O petróleo é o nosso principal produto de exportação, superando a soja e outros produtos tradicionais. A produção de petróleo no Brasil é predominantemente offshore, com a Petrobras respondendo por cerca de 73% da produção de petróleo e gás do país.

Dados de 2024 mostram que a nossa produção foi de aproximadamente 4,277 milhões de barris de petróleo por dia, ocupando o 9º lugar no ranking mundial, enquanto consumimos cerca de 3,268 milhões de barris por dia, o que coloca o país em 6º lugar no ranking mundial.

E pasmem, exportamos cerca de 1,75 milhão de barris de petróleo por dia em 2024, o que corresponde a aproximadamente 42% da produção total do país. Os principais destinos das exportações de petróleo brasileiro são: China, com 44% do volume total; Estados Unidos, com 13,7%; Espanha, com 10,7%; Índia, Chile e outros, 31,6%.

Apenas 58% do petróleo brasileiro é transformado em combustíveis, sendo 40% diesel e 18% gasolina.

O diesel é o principal combustível comercializado no mercado brasileiro, utilizado para transporte de cargas e passageiros, indústria, geração de energia, máquinas agrícolas e locomotivas. Os tipos de diesel produzidos são: 1º) S-10: combustível mais limpo e eficiente, com baixo teor de enxofre; 2º) S-500: diesel com maior teor de enxofre, sendo gradualmente substituído pelo S-10. A produção de diesel S-10 está crescendo rapidamente, com um aumento de 20,4% em junho de 2022 em comparação com o ano anterior. A Petrobras é a líder na produção de diesel no Brasil, e a expectativa é que o país se aproxime da autossuficiência em diesel S-10 até 2029.

E pasmem, mesmo não sendo autossuficientes em gasolina, ainda assim a exportamos, mas também importamos outra parte. Em 2024, o país exportou 2,239 milhões de toneladas de gasolina, principalmente para os Estados Unidos, que receberam 93% das exportações brasileiras. No entanto, o Brasil também importou 3,625 milhões de toneladas de gasolina no mesmo ano, principalmente dos Estados Unidos, Países Baixos e Bélgica. A produção de gasolina no Brasil é liderada pela Petrobras, e a fiscalização é feita pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Principais destinos das exportações de gasolina brasileira: Estados Unidos, 93% das exportações; Países Baixos, 2º destino; Cingapura, 3º destino.

O que nos leva a importar tanto diesel quanto gasolina é a nossa capacidade de refino limitada. Ou seja, não investimos em indústrias de transformação da matéria-prima “petróleo”, no caso, refinarias. Assim como ocorre no ferro, terras raras, soja, entre outros. Há décadas, o setor industrial brasileiro está estagnado: não há investimentos em indústrias de transformação, mesmo havendo tecnologias avançadas e disponíveis em diversos países. O que nos falta para sermos um país autossuficiente?

O Brasil produz petróleo, mas a nossa produção é majoritariamente de petróleo pesado, que é mais difícil de refinar e processar. Além disso, a nossa capacidade de refino é limitada, o que significa que não conseguimos processar todo o petróleo que produzimos.

A pergunta é: por que exportamos petróleo e importamos gasolina?
1º) O petróleo brasileiro é pesado e requer tecnologia avançada para ser refinado, o que encarece o processo;
2º) Capacidade de refino: a capacidade de refino do Brasil é limitada, então exportamos o petróleo bruto e importamos produtos refinados, como gasolina e diesel;
3º) Demanda interna: a demanda por combustíveis no Brasil é alta, e a produção interna não é suficiente para atendê-la, então importamos gasolina e outros derivados;
4º) Economia: é mais barato importar gasolina e diesel do que refinar o petróleo brasileiro, devido aos custos de produção e transporte.

Transportamos energia a longas distâncias, gastando energia, o que encarece sobremaneira o preço dos combustíveis.

Outra pergunta que fica: e os nossos biocombustíveis? Por que existe uma limitação da mistura de apenas 15% de biodiesel no diesel e apenas 27% de etanol no álcool anidro?

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