Como demonstrei na matéria anterior, o Brasil é um importante produtor mundial de petróleo, tendo 0,90% das reservas mundiais, ocupando o 9º lugar no ranking mundial. Mas a nossa capacidade de refino é limitada, por não termos refinarias capazes de processar o precioso “ouro preto”.
Entenda melhor o nosso complicado mercado de combustíveis:
1º) Exportamos aproximadamente 42% da produção total de petróleo do país;
2º) Refinamos apenas 58% do petróleo, produzindo somente 40% da demanda de diesel e 18% da gasolina;
3º) Em 2024, o país exportou 2,239 milhões de toneladas de gasolina, mas também importou mais do que produziu, ou seja, 3,625 milhões de toneladas;
4º) Com relação aos nossos biocombustíveis, produzidos de soja, girassol, canola, palma, milho e sorgo, temos apenas 15% de biodiesel misturado ao diesel e 27% de etanol misturado no álcool anidro.
Com todo o alarde que se faz, os dados mostram que somos deficitários na produção de combustíveis e, ao mesmo tempo, não se permite um aumento significativo dos biocombustíveis nas misturas. Vai a conta-gotas. Que contradição!
Seguindo com dados relevantes, na semana passada recebi informações importantíssimas sobre o agro brasileiro. Processamos apenas 30% da soja produzida no Brasil e exportamos 70% da soja in natura. E, no RS, processamos apenas 40% e exportamos os restantes 60%.
Portanto, teríamos muita soja para processar, aumentando nossa capacidade produtiva, transformando-a em biodiesel, querosene verde, farelo, glicerina e tantos outros subprodutos, gerando riqueza interna. Quanta riqueza desperdiçada por falta de infraestrutura e investimentos no setor industrial!
Com toda esta crise do petróleo e dos combustíveis no planeta, a mistura do biodiesel no Brasil deveria ter passado para 16% neste mês. Mas não se vê qualquer indício desse aumento. Matéria-prima — soja — existe com esta supersafra em colheita, e as indústrias produtoras estão preparadas para o aumento. Qual o motivo desse silêncio todo por parte do Governo Federal?
Aqui já fica aquela famosa frase da música dos Paralamas do Sucesso: “Que país é esse”?
Segundo a Agência Reuters, vários países, especialmente na Ásia, como Índia, Vietnã, Filipinas e Tailândia, estão se movimentando para aumentar o uso de etanol junto à gasolina, com o objetivo de reduzir a demanda dessa dependência.
Esta crise propicia que a realidade energética global acelere suas mudanças para fontes mais limpas, como a eólica, solar e de biocombustíveis. O que se vê é que os países buscam alternativas para os derivados de petróleo, especialmente em biodiesel e etanol, e, para a indústria brasileira de biocombustíveis, vislumbra-se a abertura de novos mercados.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, o Brasil possui 68 indústrias produtoras de biodiesel, e mais cinco (05) estão projetadas para construção.
Aqui no Rio Grande do Sul temos dez (10) empresas produtoras de biodiesel e quatro (04) esmagadoras de soja, localizadas nos municípios de Passo Fundo, Erechim, Tapejara, Camargo, Muitos Capões, Cruz Alta, Ijuí, Veranópolis e em Cachoeira do Sul, Canoas e Rio Grande. Em breve, teremos treze (13) indústrias localizadas no norte do RS, correspondentes a 70% do parque fabril gaúcho.
Importante frisar que Vaccaro, de Erechim, pretende também construir sua fábrica de biodiesel. E será o único município do RS contemplado com duas indústrias de biocombustíveis.
Ainda, o país tem 356 usinas de etanol. Destas, 335 têm a cana-de-açúcar como matéria-prima, e outras vinte e uma (21) indústrias são de milho. Há mais dezessete (17) novas plantas de etanol projetadas para construção na região Centro-Oeste e Norte do país.
Em janeiro de 2027, a Be8 inaugurará, no município de Passo Fundo, a primeira indústria de etanol de trigo do país, que produzirá em grande escala glúten vital, etanol, gás carbônico e farelo para ração animal, entre outros subprodutos. Consumirá 220.000 ha de trigo, triticale e sorgo, fomentando a economia circular de todo o norte do RS.