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Opinião

O Brasil está ajudando a descarbonizar o planeta

Do grão aos biocombustíveis

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Roberto Ferron
Por Engº. Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

Hoje, as palavras sustentabilidade, mudanças climáticas e transição energética estão presentes em quaisquer mesas de negociação no planeta. E ainda mais agora, agravadas com a crise do petróleo, devido à guerra entre EUA e Irã.

Quando o homem ancestral dominou o fogo, impôs-se diante das outras espécies de animais que habitavam a Terra. Aprendeu que, com a energia, poderia se defender, se aquecer, cozer alimentos, moldar o ferro, fabricar armas, equipamentos e máquinas, entre outros.

No século XX, surgiram a caldeira a vapor e o locomóvel, que impulsionaram a era industrial, e tiveram na madeira – lenha – a energia que impulsionou o desenvolvimento na Europa e nos EUA. E este foi um dos motivos da devastação de suas florestas nativas.

Logo apareceram os combustíveis fósseis, “carvão mineral e o petróleo”, que há décadas são a principal fonte de energia que impulsiona o desenvolvimento econômico e social global, mas trazem severas consequências ambientais. O uso dos combustíveis fósseis representa 75% das emissões dos gases de efeito estufa (GEE), sendo o principal fator para o aquecimento do planeta Terra. As consequências são eventos climáticos severos, como furacões, tempestades, tsunamis, inundações e queimadas, que trazem grandes prejuízos a todos.

A realidade energética global está mudando com o surgimento de outras fontes de energia limpa, como a eólica, a solar e os biocombustíveis.

A transformação da matriz energética se dará pela revolução do agro brasileiro. Imagine abastecer seu carro, um ônibus ou um trator com o combustível que surgiu de algumas plantas cultivadas por agricultores no interior do Brasil.

Vale ressaltar que nosso país possui apenas 8% de lavouras (6,65 milhões de hectares), 21% de pastagens (180 milhões de hectares) e 1,5% de florestas plantadas (10,20 milhões de hectares). E, pasmem, temos 66% de florestas nativas (564 milhões de hectares). Somos o país líder em áreas protegidas, com um alto percentual de vegetação nativa mantida em propriedades privadas.

Tudo começa com grãos de soja, milho, trigo, triticale e sorgo, produzidos nas lavouras do norte do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Em 1921, a soja foi semeada experimentalmente em Santa Rosa, hoje Tuparendi-RS, e se expandiu nas áreas agrícolas do RS e do país.

O Brasil é o celeiro do mundo e o maior produtor mundial de soja. Este grão deixou de ser apenas alimento, tornou-se energia. É importante frisar que apenas 30% da produção de soja é industrializada, e os restantes 70% são exportados “in natura”. E, no RS, 40% é industrializada e 60% exportada. Ainda temos muita produção para transformar, gerando benefícios econômicos e sociais ao país.

Sua produção impacta profundamente a economia circular rural regional, gerando oportunidades e desenvolvimento, seja na fabricação de máquinas e equipamentos diversos, na criação de milhares de postos de trabalho e na geração de impostos.

O agro brasileiro, a cada dia, vem se fortalecendo, seja na produção de alimentos e biocombustíveis para o planeta.

Nossas agroindústrias de biocombustíveis estão produzindo:
a) Biodiesel: o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) é um combustível renovável produzido a partir de óleos vegetais (como soja, palma e girassol) ou gorduras animais. Hoje, a mistura autorizada pelo governo no diesel é de 15% e, a partir de março, deveria ser de 16%. Mas, até o momento, isso não aconteceu;

b) Bioquerosene ou querosene verde – combustível de aviação: o SAF (Sustainable Aviation Fuel) é um combustível sustentável para aviação produzido a partir de fontes renováveis, como óleos vegetais (soja, macaúba e pinhão-manso) e gorduras animais. É compatível com os motores de aeronaves atuais e pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 55% a 90% em comparação ao querosene tradicional.

O biodiesel é usado em meios de transporte terrestre e marítimo, como caminhonetes, ônibus, caminhões, máquinas e equipamentos agrícolas e florestais, além de motores marítimos adaptados, como barcos e navios de todo tipo. Trata-se de uma grande alternativa para reduzir as emissões de gases nocivos à atmosfera.

Como se diz, “é nas crises que surgem novas oportunidades”. Certamente, esta crise do petróleo propiciará o aumento do consumo dos biocombustíveis e a grande oportunidade para o Brasil se destacar cada vez mais na transição energética do planeta.

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