Admiro a fala do escritor Milan Kundera: “A luta do homem contra o poder, torna-se a luta da memória contra o esquecimento”.
Eu, por ter memória, vivo analisando o momento atual, e lembrei do lamento de Clara Nunes, em um tempo passado:
“Não é mole não
Acordar segunda-feira
Pra tentar ganhar o pão
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Às cinco horas começa o relógio a tocar, tocar
E as crianças começam a me preocupar
Olha o leite, olha o pão
Olha o arroz, olha o feijão
Olha a hora, se você demora
O trem pode passar
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É pau puro, minha gente
A vida do trabalhador
Osso duro no presente
Futuro não tem não senhor”
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O presente parece o mesmo do lamento de Clara. Por isso: É ao trabalhador que desejo homenagear.
O TRABALHADOR, do meu país. Não os que preferem viver de esmolas. Não ao que não tem capacidade de perceber que sua vida de recebedor de migalhas, não merece o nobre título de trabalhador, pois não contribui em nada para o crescimento, o progresso de suas comunidades e para um futuro promissor de seus familiares.
Seriam esses parasitas descendentes de Diógenes? Minha memória me trouxe essa figura que vivia em um tonel, desprezando o trabalho e pedindo esmolas. Era tão insensível em não sentir o valor das coisas, que quando Alexandre, o Grande lhe perguntou o que poderia lhe dar para melhorar sua mísera condição,
Diógenes respondeu: “ O senhor está na minha frente. Afaste-se e dê-me o sol”.
Na minha opinião, PÉSSIMO EXEMPLO!
Minha memória fez-me reviver o belo evento chamado “Mulheres: Doces Fortalezas”.
Elaborei o referido Projeto que foi aprovado e apoiado pela Direção do
Campus da URI Erechim. Durante vários anos o evento foi realizado com brilho e dignidade no Salão Nobre da Universidade.
Eram elencadas 30 mulheres que contribuíram, de alguma forma, para a comunidade. Seus atributos não deveriam ser a beleza ou classe social. Mas, atos e ações de supremo
voluntariado, generosidade em direção ao próximo. Além de elevada moralidade e caráter confiável.
As homenageadas eram inicialmente analisadas, avaliadas e após escolhidas e convidadas Os convites começavam pela gari, recolhedoras de lixo, professoras, cuidadoras, agricultoras, religiosas de todas as crenças, e também todas as profissões.
Foram momentos de inenarrável emoção e de cultura.
Hoje, desejo ampliar as homenagens e a gratidão.
Homenagem sincera merecem todos os trabalhadores, homens, mulheres, anciãos, que batalham com esforço pelo leite, pelo pão, ao sol, na chuva, dando exemplos de força e honra. São dignos da citação da História e do respeito de todos.
Estarão na memória e na esperança de seus conterrâneos. Eu, e todos os que acreditam no valor e na dignidade que o trabalho acrescenta ao ser humano, que assim pode olhar com altivez e com liberdade o seu semelhante.
Talvez, o OSSO DURO, UM DIA, SE TRANSFORME EM UM PORVIR
SEGURO E GRATIFICANTE.
Mestre em História Ibero Americana
Historiógrafa e Pesquisadora da URI Erechim
Membro da Academia Erechinense de Letras