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Opinião

Não é mole não!

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Neusa
Por Neusa Cidade Garcez

Admiro a fala do escritor Milan Kundera: “A luta do homem contra o  poder, torna-se a luta da memória contra o esquecimento”.

 Eu, por ter memória, vivo analisando o momento atual, e lembrei do lamento de Clara Nunes, em um tempo passado:  

“Não é mole não

Acordar segunda-feira
Pra tentar ganhar o pão 
……………………………..
Às cinco horas começa o relógio a tocar, tocar
E as crianças começam a me preocupar
Olha o leite, olha o pão
Olha o arroz, olha o feijão
Olha a hora, se você demora
O trem pode passar 
…………………………….
É pau puro, minha gente
A vida do trabalhador
Osso duro no presente
Futuro não tem não senhor”
…………………………….
 O presente parece o mesmo do lamento de Clara. Por isso: É ao trabalhador que desejo homenagear.
 O TRABALHADOR, do meu país. Não os que preferem viver de esmolas. Não ao que não tem capacidade de perceber que sua vida de recebedor de migalhas, não merece o nobre título de trabalhador, pois não contribui em nada para o crescimento, o progresso de suas comunidades e para um futuro promissor de seus familiares.
Seriam esses parasitas descendentes de Diógenes? Minha memória me trouxe essa figura que vivia em um tonel, desprezando o trabalho e pedindo esmolas. Era tão insensível em não sentir o valor das coisas,  que quando Alexandre, o Grande lhe perguntou o que poderia lhe dar para melhorar sua mísera condição,

Diógenes respondeu: “ O senhor está na minha frente. Afaste-se e dê-me o sol”.
 Na minha opinião, PÉSSIMO EXEMPLO!
 Minha memória fez-me reviver o belo evento chamado “Mulheres: Doces Fortalezas”.
 Elaborei o referido Projeto que foi aprovado e apoiado pela Direção do
Campus da URI Erechim.  Durante vários anos o evento foi realizado com brilho e dignidade no Salão Nobre da Universidade.

Eram elencadas 30 mulheres que  contribuíram, de alguma forma, para a comunidade. Seus atributos não deveriam ser a beleza ou classe social. Mas, atos e ações de supremo
voluntariado, generosidade em direção ao próximo. Além de elevada  moralidade e caráter confiável.
 As homenageadas eram inicialmente analisadas, avaliadas e após escolhidas e convidadas Os convites começavam pela gari, recolhedoras de lixo, professoras, cuidadoras, agricultoras, religiosas de todas as crenças, e também todas as profissões.

Foram momentos de inenarrável emoção e de cultura.

Hoje, desejo ampliar as homenagens e a gratidão.
Homenagem sincera merecem todos os trabalhadores, homens, mulheres, anciãos, que batalham com esforço pelo leite, pelo pão, ao sol, na chuva, dando exemplos de força e honra. São dignos da citação da História e do respeito de todos.
 Estarão na memória e na esperança de seus conterrâneos. Eu, e  todos os que acreditam no valor e na dignidade que o trabalho  acrescenta ao ser humano, que assim pode olhar com altivez e com  liberdade o seu semelhante.
 Talvez, o OSSO DURO, UM DIA, SE TRANSFORME EM UM PORVIR
SEGURO E GRATIFICANTE.

Mestre em História Ibero Americana

Historiógrafa e Pesquisadora da URI Erechim

Membro da Academia Erechinense de Letras

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